Projeto Grãos triplica produtividade no Centro Sul do Paraná
O Projeto Centro Sul de Feijão e Milho, um trabalho de parceria entre Emater/PR e Syngenta, com apoio de diversas instituições, que visa a capacitação de técnicos e produtores de 67 municípios dos Campos Gerais e da região Centro Sul do Paraná, está alcançando resultados altamente positivos, com aumentos de produtividade, nas duas culturas, que chegam a alcançar três vezes a média regional. Os melhores resultados são alcançados nas Unidades Demonstrativas, plantadas em propriedades escolhidas em cada um dos municípios participantes do projeto. Segundo o engenheiro agrônomo Marco Antônio Brandão Borges, da Emater de Ponta Grossa, o objetivo do programa é profissionalizar os agricultores e mostrar que a produção de grãos, com o uso correto de tecnologias, pode melhorar o desempenho das lavouras e trazer melhores resultados, colaborando para a viabilidade econômica das pequenas e médias propriedades, com a conseqüente manutenção do homem no campo, auxiliando a evitar o êxodo rural, que tantos transtornos acarreta para as famílias migrantes, para os administradores e para a sociedade como um todo . Para o técnico da Emater, outro objetivo do projeto é compartilhar as informações com o maior número de pessoas envolvidas no trabalho da propriedade, para que todos observem as vantagens e acreditem no programa.A parceria entre a Emater e a Syngenta foi firmada em 1997 e acaba de ter sua validade renovada, em função dos excelentes resultados alcançados. Até dezembro do ano passado, foram feitas unidades demonstrativas em diversos municípios da região, as quais possuem aproximadamente 120 mil produtores, 80% dos quais se caracterizam como pertencentes à faixa de agricultura familiar.
Demonstrações
Nos últimos três anos, o Projeto Grãos, além das Unidades Demonstrativas a nível de propriedade, realizou uma Semana de Campo, onde foram passados conhecimentos práticos sobre tecnologia, insumos, defensivos e produtividade nas culturas de milho e feijão. Em dezembro de 2000, esse programa foi realizado na Fazenda Escola da Universidade de Ponta Grossa, quando os participantes foram divididos em grupos, para cada dia da semana, conforme a região de origem. A participação de mais de 1.500 produtores surpreendeu os organizadores do evento. ” Todos eles levaram informações de que é possível melhorar a rentabilidade da agricultura familiar, com base no sistema feijão/milho, por meio do aumento da produtividade, diminuição de perdas e melhoria da eficiência do sistema”, disse o engenheiro agrônomo Antônio Marques Souza Neto, técnico de desenvolvimento de mercado da Syngenta, na região dos Campos Gerais. Marques é um dos agrônomos mais atuantes no desenvolvimento do plantio direto regional, sendo o autor de inúmeros projetos de pesquisa e melhoria do sistema, em diversos níveis de atuação, inclusive na área de proteção individual, onde já ganhou prêmio nacional. ”O que nós mostramos para os agricultores, que não possuem áreas demonstrativas em suas propriedades, é como que os participantes do Projeto estão conseguindo produtividades de feijão acima de 2.000 kg/ha e de uma média ao redor de 8.000 kg/ha na cultura do milho” afirma o engenheiro agrônomo da Syngenta..O evento final, que neste ano será realizado na primeira semana de dezembro, no mesmo local, na Fazenda Escola da UEPG, serve também para que os agricultores façam uma avaliação geral de todo o processo técnico do projeto, que envolve o sistema plantio direto, manejo para as culturas de feijão, milho e soja; preservação do meio ambiente, uso correto e seguro de defensivos; tecnologia de aplicação, tratorizada ou por tração animal; controle de doenças e pragas na cultura do feijão; e controle de pragas na cultura do milho, além de conhecimentos sobre perdas na colheita e mercado.
Plantio Direto
Como premissa básica, o Projeto Grãos recomenda a adoção do plantio direto, adotado pela maioria dos produtores. Aqueles que ainda mão utilizam essa tecnologia não o fazem porque ainda não possuem equipamentos adequados nem área sistematizada. Uma das áreas mais fortemente trabalhadas junto aos agricultores é a questão da cobertura verde e da correção da acidez do solo. Estes itens são fundamentais para a proteção do solo e a melhoria da produtividade, com a evolução das tecnologias utilizadas. A utilização de equipamentos de proteção durante a aplicação de defensivos também tem sido enfatizada.Um dos inúmeros resultados positivos tem sido a conscientização dos pequenos produtores participantes do Projeto que, além da evolução técnica e econômica, percebem a importância da união entre eles, e já projetam a formação de associações ou cooperativas. Além do trabalho da Emater/PR e da Syngenta, apoiam o desenvolvimento do Projeto Grãos, as seguintes instituições e empresas: FT Sementes, Embrapa Sementes, Adubos Viana, prefeituras municipais, IAPAR e Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha.