Luiz Graeff Teixeira Recebeu Prêmio "Futuro da Terra" na Expointer 2001 (José Hermeto Hoffmann)


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Publicado em: 01/10/2001

Luiz Graeff Teixeira recebeu prêmio

O Engenheiro Agrônomo e produtor rural Luiz Graeff Teixeira, foi agraciado com o Prêmio ”O Futuro da Terra”, na categoria Preservação Ambiental, pelo trabalho realizado, durante 18 anos, com a utilização do sistema plantio direto, na sua fazenda, localizada a 15 km de Passo Fundo, no município de Coxilha/RS . A escolha, feita por pesquisadores de instituições oficiais, coordenadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul - FAPERGS, levou em consideração a meta de produzir alimentos sem causar danos à natureza, objetivo alcançado com a tecnologia do plantio direto, utilizada desde 1983, que também proporcionou uma redução na utilização de produtos químicos.O Prêmio ”O Futuro da Terra”, uma promoção do Jornal do Comércio, de Porto Alegre, foi criado, em 1997, para destacar projetos que buscam o desenvolvimento da ciência e da tecnologia agropecuária, no Rio Grande do Sul. Na sua quinta edição, finalizada com a entrega dos troféus, durante a Expointer’ 2001, com apoio da FARSUL e do Banco HSBC, além de Luiz Graeff Teixeira, receberam a distinção a Cooperativa Tritícola de Getílio Vargas e a Associação dos produtores de Melancia de Arroio dos Ratos, no item cadeias de produção; Santa Lúcia Alimentos Diferenciados (Arroz Blue Ville), de Camaquã, em tecnologia rural; Pousada Colonial de Rossi, de Antonio Prado, e Sociedade Nova Vida (Cogumelos Petim), de Guaíba, em novas alternativas; e um prêmio especial para o professor e pesquisador Gilberto Ceciliano Luzzardi, de Pelotas, considerado o pai do controle fitossanitário na cultura do trigo.

Consciência tranqüila

”Quando passar o comando da lavoura aos meus filhos, deixarei para eles uma terra muito mais fértil do que a recebida de meu pai, há 30 anos atrás. Isto é uma grande satisfação, que me deixa com a consciência tranqüila”. As afirmações são de Luiz Teixeira, um dos primeiros produtores a utilizar, de forma contínua, o plantio direto em suas lavouras de soja, milho, trigo, cevada e aveia, em Coxilha, uma das regiões mais bonitas do Rio Grande do Sul. Apesar de ter enfrentado frustrações em diversas safras, afetadas por secas e granizos, o que gerou um quadro econômico adverso, que perdura até hoje, aguçado pelas perdas dos planos econômicos, entre outras questões, a Granja Teixeira foi um dos principais pólos de difusão do plantio direto, nas duas últimas décadas, no Planalto Gaúcho. Por sua localização privilegiada, mas principalmente pela disponibilidade que Luiz Graeff Teixeira demonstrou, nesse período, recebendo alunos de universidades, produtores vizinhos e dos mais distantes locais, do Brasil e do mundo, disponibilizando áreas para inúmeras empresas demonstrarem suas tecnologias, com um espírito fraterno e desprendido, mostrando a todos o que de melhor possuía, em termos de conhecimento e prática, a Granja Teixeira foi um ponto de referência no histórico do plantio direto no Sul do Brasil.”A consciência do homem é um ponto fundamental para mudar alguma coisa”, afirmou Luiz Teixeira, em diversas ocasiões, recebendo visitantes ou palestrando em seminários e congressos, no Brasil ou no exterior. Para ele, a adoção do plantio direto sempre exigiu a mudança de hábitos do produtor, algo difícil de acontecer, porque exige um nível mínimo de consciência a respeito daquilo que está ocorrendo. Para ele, um dos fatores fundamentais do sucesso na mudança do preparo convencional para o plantio direto está nesse fator e na vivência direta com os problemas, andando na lavoura e corrigindo a nova rota, de acordo com as informações disponíveis. ”Quem vai à lavoura somente no sábado e domingo, para ver o que está bem, dificilmente obterá sucesso no empreendimento”, sentencia ele.CATAlém de ser considerado um poeta da lavoura, procurando sempre utilizar produtos biológicos ou menos tóxicos no controle de pragas, Luiz Teixeira foi presidente do Clube Amigos da Terra de Passo Fundo, tendo participado em inúmeros eventos sobre plantio direto no Brasil e no exterior. No início da década de 90, quando o sistema começava a evoluir significativamente, em termos de área plantada e de afirmação tecnológica, ele foi um dos primeiros a manifestar sobre a necessidade da criação de uma federação brasileira, uma entidade nacional, à semelhança da AAPRESID, da Argentina, que reunisse todas as áreas de interesse do sistema e batalhasse pelo seu desenvolvimento.”Os CATs sempre se mantiveram independentes, sem participação política, e esse talvez tenha sido um dos motivos de seu crescimento e sucesso”, disse Luiz Teixeira, nessa época.Para ele, quando ainda tínhamos a maior parte das lavouras sob preparo convencional, o plantio direto seria a solução dos problemas da agricultura brasileira, pois significava maiores rendimentos com menores custos, além da preservação dos recursos naturais. Para Luiz Graeff Teixeira, o controle da erosão e a volta da biodiversidade foi o maior prêmio que ele recebeu ao longo de toda a sua vida de produtor, e uma terra preservada é a melhor herança que ele pode deixar aos que usufruirem de suas terras, no futuro.