Prá Não Dizer que Não Falei de Terror (Editorial, Set/2001 pós-11 setembro)


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Publicado em: 01/10/2001

Prá não dizer que não falei de terror

O terror vem do céu e atinge a todos, mesmo aqueles que estão protegidos, no útero de concreto, nas tardes escuras de domingo. Ficamos tristes e perplexos, lemos todos os artigos, ouvimos todas as opiniões, mas a sensação de impotência e de vazio não nos abandona, estamos à espera de que o céu mande uma nova onda, um novo chicote, que nos aflige.As fortes chuvas deste início de primavera, castigam a terra enquanto os agricultores fazem as contas da safra e plantam os primeiros grãos de milho, na região sul do Brasil. Noite tenebrosas de pedras brancas e rápidas nuvens escuras deixam a destruição, com a qual nos acostumamos. A erosão acontece, mesmo para os mais previdentes em termos de palha, e ficamos todos mais pobres.O que dizer sobre a crônica da tragédia anunciada de Nova Iorque? Não há mais o quê, nem porque. Apenas arriscar que a mistura da ficção com a realidade foi um aspecto marcante. Neste começo de milênio, a humanidade vive uma grande ficção, na sua ampla cabeça, e Nova Iorque foi o mais brutal choque de realismo nos dias atuais. Mas, estávamos tão envolvidos com a ficção, que ainda não abrimos totalmente o espaço para essa realidade indesejável. O que muda para a agricultura? Naturalmente, ninguém se aventura a fazer previsões. Em tempos normais já é difícil, imagine com a ameaça de guerra e a possibilidade de desestruturação da ordem econômica internacional, que já estava desenhada, em traços grotescos.A nós, produtores e técnicos, só nos resta seguir semeando, em busca de paz, que é o substrato básico. A nós, que trabalhamos na difusão de tecnologias agrícolas, permanece a certeza de que devemos continuar levando informações e propostas que direcionem para o desenvolvimento de uma agricultura preservacionista, que busque, através do plantio sobre a palha, a sustentabilidade técnica, ambiental, econômica, social e mental.Não temos outra alternativa.Nesta edição, finalizada sob a ameaça de temporais, que se sucedem, publicamos artigos e depoimentos importantes sobre semeadoras, arroz irrigado, agricultura orgânica e, principalmente,sobre a questão do manejo de nitrogênio, em plantio direto. O nitrogênio está ligado diretamente à vida dos organismos do solo e das plantas. Essas manobras pela vida, desde a sua mais íntima manifestação, o conhecimento desses processos positivos, é a nossa proposta contra a espada, visível ou invisível, que se abate sobre o que nos resta de humanos.

Gilberto BorgesEditor