Agricultura Empresarial — Trajetória de Sucesso Técnico e Econômico de um dos Maiores Grupos Agrícolas do Brasil (Grupo SLC Agrícola — Aurélio Pavinato, fazendas BA/MA/MT/GO/RS)


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Publicado em: 01/08/2001

AGRICULTURA EMPRESARIAL Trajetória de sucesso técnico e econômico de um dos maiores grupos agricolas do Brasil ma história de sucesso empresarial, técnico e eco- Nômico é a marca das nove fazendas do grupo SLC, espalhadas por cinco estados do Brasil, abrangendo praticamente todas as regiões agricolas do nosso país, com uma àrea plantada que, somadas todas as culturas, deverá atingir aproximadamente 72.000 ha, na próxima safra, sendo, provavelmente, o maior produtor de grãos e fibras em atividade no país. Desde 1987, com a Fazenda Paineira, até o ano 2001, quando está sendo comprada a Fazenda Palmeira, em Buritis, no norte do Maranhão, à direção do grupo SLC, agora sem vinculação com a John Deere, foi adquirindo novas áreas, principalmente no Centro Oeste, e estabelecendo uma administração modelo, que tem resultado em balanços económicos e técnicos sempre positivos.

“Se você pegar o mapa do Brasil, nós estamos distribuídos em todas as regiões agricolas e isso dá uma estabilidade muito grande para a Empresa pois, em termos de produtividade, fazemos uma estimativa, utilizando parâmetros médios, que são dados de vários anos, com boa margem de segurança. Assim, se ocorrer problemas climáticos numa fazenda, normalmente não acontece nas outras, e, desde que à Empresa foi criada, 1 8 Revista Plantio Direto dulhodAgosto de 2007 em nenhum ano ocorreu prejuízo, sempre tivemos lucro” As afirmações são do enge- , nheiro agrônomo Aurélio Pavinato, responsável pelo planejamento agrícola da SLC desde agosto de 1993, quando acabou o seu mestrado em ciência do solo, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, “Quando nosso negócio era basicamente soja, até a saíra 1993/94, a oscilação dos UNIDADES DE PRODUÇÃO FALMEIRA PAIAGUÁAS PLANESTE resultados econô- Micos era maior, pois o preço da oleaginososa é bastante variável”, disse o agrônomo da SLC. Segundo ela, depois que à Empresa co- Mmeçou a diversificar com milho, algodão, trigo, culturas irrigadas e soja, há uma estabilidade maior e uma compensação entre as culturas, proporcionando um retorno mai- Ore mais estável, Aurélio Pavinato Assessor de Planejamento Agrícola do Grupo SLC ! Natural de Vista Gaúcha, uma localidade próxima a Tenente Portela, na região Noroeste do Rio Grande do Sul, Pavinato formou-se na Universidade Federal de Santa Maria, Em Maio, quando ENCEerrava o balanço da safra 16 já se prepar para fazer o E lanslarieno agricola da próxima campanha, juntamente com a equi- Pê que coordena, Pavinato fez um desenho das nove fazendas que ajuda a administrar enfocando diversos aspectos técnicos, administrativos e econômicos, com as diferenças naturais que ocorrem em termos de culturas, solo, clima é manejo em regiões tão diversas como o Planalto Gaúcho e a Chapada dos Parecis, no Mato Grosso. À seguir, uma síntese de cada item abordado durante à entrevista do coordenador de planejamento agricola da SLC Agricola, envolvendo a história e a aspectos pontuais das nove fazendas do grupo, todas iniciadas com a letra P. e distri buídas em diversos paralelos do nosso país.

Plantio direto e coberturas ”A SLG Agrícola tem como filosofia e objetiva 100% de plantio direto que, na nossa concepção, é o sistema mais eficiente, em termos econômicos, de produtividade e, principalmente, de preservação dos recursos naturais: Erosão é um termo que não gostamos de ouvir, pois ela é o maior agente destrutivo do sistema de produção”.

No momento em quê definimos plantio direto como objetivo, a meta mais imediata que se busca é a cobertura do solo, que é fundamental para o sucesso do sistema Naturalmente, com as varêções climáticas existentes principalmente no Cerrado, existem dificuldades para f&” zer cobertura, problemas Quê não enfrentamos no Sul. Na região central do Brasil, 0 & clo das chuvas é limitado.

monitoramos há vários anos. Depois de 10,8 15 de maio, por exemplo, na Fazenda Planalto, em Mato Grosso do Sul, mos a semeadura, por- “que não irá chover mais e a cobertura não irá desenvolver. Neste caso, esperamos o retórno das chuvas, em setembro/outubro, e semeamos a cultura de cobertura, que irá “crescer rápido. Estas serão as últimas lavouras a serem plantadas com os cultivos comersim, nós estruturamos nossas equipes com o objetivo de que, a medida que vamos co- “Inendo, seja feita a semeadura das culturas. de cobertura, - até uma data definida, dentro de um histórico das chuvas ”em cada fazenda, que nós já clo dê chuvas é mais curto ainda, estamos limitados ao milheto.e um pouco de nabo forrageiro, que é rústico e aguenta bem os veranicos. Depois que se estabelece, ele desenvolve um sistema radicular bastante interessante para o plantio direto de milho, na sequência. De qualquer forma, no Maranhão, onde 05 solos são mais are- Nosos que em Goiás e Mato Grosso, a resposta à uma boa cobertura de solo com milheto é espetacular, sem adeénsamento, apresentando uma reciclagem rápida de nutrientes, em função do poder tampão menor desse tipo de solo. Foram lá 065 nossos melhores desempenhos éêm soja; onde “Área plantada 72.160 ha - Ano Agrícola 01/02 ciais, o que dá tempo para formar uma massa vegetal adequada.

Nas fazendas localizadas no Cerrado, apesar de utilizarmos outras opções, como o nabo forrageiro, que é utilizado 100% antes da cultura do milho, na Fazenda Planalto, à grande área de cobertura é com milheto, uma planta rústica, que tem estabilidade E eficiência. Essa monocultura é uma limitação, principalmente nas fazendas do Maranhão, e estamos buscando Outras alternativas, como o péde-galinha, que está sendo introduzido, é igualmente rúslico e deverá ser utilizado em maior proporção. No Mato Grosso e, principalmente, Goiás e Maranhão, onde o cijá atingimos uma média de 57,8 scs/ha, em 6.000 ha de lavoura. Nesta última safra, em função de um veranico, a média ficou em 54 scs/ha.

A Embrapa Cerrados (CPAC) está testando várias opções de leguminosas para coberturas. Porém, nada que nos anime a testar em grandes áreas. Na Fazenda Planalto, temos parcelas de pesquisa com vários tipos de cobertura de solo: guandu, crotalaria, milheto, aveia preta, nabo forrageiro, pé-de-galinha e outras, onde avaliamos o desempenho das culturas comerciais sobre cada uma delas.

Na região Sul, temos a5 opções de aveia preta, ervilhaca. nabo forrageiro 8 60 proprio ico A ae Om “==. Farendas do Sul milheto: As coberturas que antecederam esta última satra, nas duas fazendas do Rio Grande do Sul (Paineira e Pioneira), foram excelentes e nós tivemos produtividades muito boas, apesar da ocoórrência de veranicos, em horas cruciais das culturas, mas acabamos produzindo 51,27 scs/ha em soja. Nestes casos, nós estamos utilizando nitrogênio nas culturas de cobertura, para obter o máximo. de quantidade de palha/ha e proteger 05 cultivos contra secas OU ChUVAs em excesso, No Cerrado, com o plantio direto, nós podemos plantar na melhor época, de acordo com o potencial de rendimento de cada variedade. Neste caso, o fator clima não interfere da mesma maneira que quando você tem que preparar o solo, Em preparo convencional, se chove, não é possível levar os planos adiante. Nós conseguimos sempre cumprir nosso organograma de maneira bastante tranquila, graças ao plantio direto. No passado, quando utilizávamos o preparo convencional, isso não era possível.

História e estrutura “À Pioneira, em Tucunduva, no Rio Grande do Sul, foi a primeira fazenda adquirida, passando a fazer parte da Empresa como pessoa jurídica em 1989. Da mesma região, a Paineira foi a primeira que constituiu a Empresa, em 1987. Lá, plantamos soja, milho, trigo, centeio é outras culturas. Na região do Cerrado, Nav. Dar dan Fer Mari Abe Mai Ano Ageicola == Farendas do Centro-ceste à Fazenda Pamplona, em Luiziânia-GO, foi a primeira a ser comprada. Nós somos ploneiros no plantio de sója no Cerrado 6 os primeiros trabalhos de pesquisa em correção do solo, pelo Dr. Djalma Martinhão de Souza, da Embrapa, foram feitos na Famplona, na safra 1991/82. Lá, é à única fazenda em que temos criação de gado, por termos uma área inapta para agricultura. Na Pamplona, temos também uma área sób irrigação de 2.600 ha, onde plantamos feijão; milho doce, tomate; ervilha, café, trigo e cevada. A irrigação também está sendo instalada na Fazenda Paineira, am Coronel Bicaco/ RS. num total de 370 ha, onde produziremos milho semente para a Pioneer, Às demais fazendas são todas de sequeiro.

A Fazenda Planalto, em Costa Rica, no Mato Grosso do Sul, é a que possui o melhor histórico em termos de produtividade, Adquirida em 1985, com solo corrigido e estruturado, nunca tem problemas de faltá de chuva em seus 15.000 ha de soja, milho e algodão, Em 1988, o Grupo comprou a Fazenda Parnaíba, no Maranhão, com 26.000 ha, dos quais são plantados 13.000 ha com soja, milho e algodão. Em 1994, foi adquirida a Planorte, no Sapezal, Mato Grosso. Lá, planta-se soja e algodão, porque: o milho é uma cultura praticamente inviável, em função dos altos custos de frete.

Revista Plantio Direto 19 Juiho/Agosto de. 2001 Produtividade de Soja 860,00, 5s4,00+ 48.00 azo0| 36,00+ É 30,00 | 24,00] 15,004 12,004 600+ n.,00] Na Planeste, no Maranhão, comprada em 1997, com um total de 16.000 ha, são plantados 10.000 ha de soja, estando planejada a intradução dos cultivos de algodão e milho. À Fazenda Paiaquás, no Mato Grosso, foi adquirida em 2.000, com uma área total de 23.000 ha, onde são plantados milho, algodão e soja, além de uma área para pastagem. Finalmente, temos a Fazenda Palmeira, no norte do Maranhão, com 9:000 ha, na qual estamos fazendo áreas experimentais até o próximo ano.

Nas maiores culturas, pelo que conhecemos, somos o maior grupo em termos de área plantada no Brasil. Ao todo, somados 39.500 ha de soja, 19:600 ha de algodão e 7.600 ha de milho e outras culturas, atingimos um total/ ano aproximado de 72.000 ha. A cultura do algodão está com o patamar mais baixo da história em termos de preço e, apesar de possuir uma boa laxa de retorno, deveremos plantar um pouco menos do que o previsto.

Para atender a cada fazenda, existe uma estrutura madelo, com o gerente e 5 ou & coordenadores, sendo um deles agrônomo, que coorcdena os demais, que são técnicos agricolas. Cada coordenador dirige uma equipe de trabalho específica para cada item, como semeadura, pulverização, colheita, pesquisa, Cada fazenda tem uma área 0) Revista Plantio Direto Kilholhgosio da 200 too oo experimental, que varia entre 50 é 100 ha. No setor operacional também existem 05 coordenadores da parte administrativa, financeiro, recursos humanos, estoque, manutenção, etc.

Considerando toda a estrutura envolvida, incluindo a equipe administrativa da matriz (33 pessoas) e as equipes de cada fazenda, a mêdia de pessoa/ha está na faixa de 1/150. À margem de lucratividade tem sido boa, com repasse de percentuais para os funcionários”, Planejamento e pesquisa “Ds três itens que consideramos para obter a estimativa de receita é produtividade, custos de produção e preço dos produtos. No planejamento, nós estabelecemos esses parâmetros e estimamos o lucro que teremos, por cultura e no geral, no ano agricola considerado. Para a estimativa de produtividade, fizemos a média dos últimos cinco anos da cada fazenda e agregamos 1% de incremento tecnológico, que tem sido um termo normal. Quando aparece uma mudança tecnológica significativa, que nos proporcione segurança para aumentar a produtividade, nós colocamos um potencial maior, Nos últimos anos, utilizando esses critérios, os objetivos tem sido atingidos. Existe uma segurança para as estimativas, feitas no início de junho, quando aprontamos O projeto do ano agricola, e podemos saber antecipadamente quanto vai custar uma Saca produzida. Após o plantio das lavouras, em janeiro e favereiro, nossa equipe volta a vISI- tar as fazendas e faz uma avaliação de alguns itens, como nutrição e sanidade, juntamente com as equipes locais. Em abril, já na colheita, voltamos às fazendas, quando iniciamos à elaboração do plano para o ano seguinte.

A equipe de planejamento trabalha em conjunto, sendo composta por três engenheiros agrônomos, entre os quais Nilvo Altmann, da Fazenda Pamplona, que é coordenador da área de pesquisa de todas as unidades.

140,00 +» 126,00 +- 12,00 +-- 70,00 +-- Ei ser operam nas lavouras. o que nos dá uma confiabilidade muito grande nos resultados apresentados. Este trabalho tem revertido em ganhos de produtividade e ECONOMIA, que é o objetivo desse segmento dentro da Empresa, utilizando-se para validar às informações fornecidas por pesquisadores de órgãos ofrciais”.

Rotação de culturas “Como regra, nas fazendas do Mato Grosso (Planorte e Paiaquás), estamos utilizando 50% de algodão e 50% de soja. Na Fazenda Planalto, no Mato Grosso do Sul, tivemos um problema de nematóide de cisto, há nove anos. Hoje, com 100% de rotação de culturas, Produtividade de Milho Ano Agricola Fonte: APSL - Punajamanto Agricola A equips de pesquisa também planeja todos os trabalhos para cada ano, As informações obtidas são passadas para à central de pesquisa, na Fazenda Pamplona, em Luiziânia-GO,. Nossa meta é da que; uma semana após a colheita dos experimentos, cada fazenda, que possui um diretório específico no computador, já esteja com todos os resultados disponíveis, Nas fazendas, em ároas que variam de 50 8 100 ha, as pesquisas são feitas em parcelas grandes, de 70 a 100m, todas com três repetições. Às operações são feitas com máquinas normais, que não plantamos soja sobre soja e, em alguns anos, essa cultura fica ausente por duas 587 tras, o que nos permite Conv ver com o nematóide dê cs to, graças à utilização de 40% de algodão e 20% de milho. Nas demais fazendas também temos um plano para alternar culturas, A rotação está def” tro dos objetivos de tirarmos o melhor proveito tecno 8 à máxima eficiência eco! mica do sistema, busc a máxima produtividade, 697 redução de custos. Atualmef te, nossos custos são redué dos em relação aos demals produtores. No caso do algo” dão, o custo geral da cul? fica em torno de US$1.100, luzar tecnologias disponia rotação de culturas é ef pragas E doenças, além da Focielagem de nutrientes. pesada em milha ou algodão, rá aesível reduzir a quantidade de fertilizantes na soja, “sem redução do potencial pro- Fertilidade e correção “Estamos fazendo correção total da fertilidade do “solo nas áreas de Cerrado, “onde plantamos soja. Nossa média de produtividade tem ficado em 56 s/ha. Em termos. de nutrição. trabalhamos com um balanço entre a extração a a raposição de nutrientes. Há três anos que fizemos amostragem de grãos em todas as fazendas, 0 que nos permite estimar a quantidade de nutrientes exportada. Hoje, através de um software, fizemos esse balanço automaticamente em cada lavoura, com base na dosagem do adubo, na concentração utilizada e na exportação via grão, baseada na produtividade. Gom essa tabela, que indica a exportação por cultura, sabemos o que fica nó solo e qual a eficiência agronômica dos adubos aplicados. No momento, estamos projetando a utilização de agricultura de precisão, através de mapas de fertilidade. Já estamos com GPS, que utilizamos na aplicação de calcário e em pulverizações”.

Em termos de matéria orgânica, tivemos uma pes- Qquisa durante dois anos, realizada pelo professor Cimélio Bayer, da Universidade de Lages, utilizando resultados obtidos na Fazenda Planalto. Ela demonstrou que à matéfia orgânica no plantio direto tinha um ponto percentual a mais do que plantio convencional e campo nativo, num período de vários anos, Ima:

S pdoe que 15so é o resulta: esforço em hoas coberturas, pessicanias Em áreas novas, no Cerrado, quando a saturação de bases é muito baixa, menos de 40%. e queremos ale- Carbono orgânico total, tha se | P E E ENcarece 0 plantio direto no Gerrado, Apesar disso, pelos Nossos cálculos, o plantio direto ainda é mais económico que o preparo convencional, na região, Económizamos com fertilizantêés. existe uma reciclagem de nutrientes pe- Garbono orgânico total em sistemas de uso do solo Sistemas dae uso e manejo do solo Fonte Bayer st ml, UDESC/SC var a saturação no perfil, temas feito preparo em algumas situações, para ter uma resposta: mais rápida na. cultura do algodão. Mas só fizemos isso em áreas planas, onde não existe risco de erosão, é, no caso, utilizamos apenas uma escarificação.

Plantas Daninhas ”Nós trabalhamos praticamente 100% com herbicidas pós-emergentes. Com. o plantio direto, utilizamos dessecantes e pós-emergentes. No Cerrado, o problema de plantas daninhas é um pouco maior do que na Região Sul. Nas fazendas localizadas no Brasil Gentral, 6 capim amargoso é o andropogon, que são plantas pequenas, se você não as controla após à colheita da soja, transtormamsa em touceiras durante o paríodo, seco, causando dificuldades para dessecar, antes do plantio seguinte. Às vezes, mesmo com 3-4 ha de dessecante, é difícil eliminar pssas ervas, necessitando agregar doses altas de herbicidas pós-emergentes, o que las coberturas e praticamente não perdemos nutrientes por lixiviação. Trabalhamos com doses baixas de potássio e, naturalmente, não précisamos falar na questão operacional”.

“Os corós não tem sido problema no Cerrado. O dilobderus (coró-das-pastagens) não ocorre na região, o mesmo acontecendo com o coró do trigo. Lá, é mais comum aparecer um conjunto de cascudinhos, principalmente quando a cobertura é abundante e, em algumas siítuações, eles danificam a soja, sendo necessário colocar um pouco mais de semente, O sternechus (bicudo da soja), já o encontramos na Fazenda Planalto, mas ele não tem causado dano significativo.

Há três anos livemos uma ocorrência de percevejo castanho, nas fazendas Planorta e Paiaguás, no Sapezal-MT. Na ocasião, preocupamo-nos com o ataquê e tivemos que solicitar à ajuda do Dirceu Gassen, que visitou as áreas e orlentounos-a respeito. Hoje, convivemos com o problema e 08 prêjuízos são pequenos, Se você tiver um solo adensado, que dificulte o desenvolvimento do sistema radicular, 6 perceveja castanho ataca a cultura. Porém, se você fizer uma adubação equilibrada, plantar em solo não compactado, com haste, possibilitando o desenvolvimento do sistema radicular mais rapidamente, o Inseto causa alguns danos no iníclio mas, depois, a cultura recupera. Em relação às diferenças entre o aparecimento de percevejo castanho entre O sistema plantio direto e 0 preparo convencional, nós conduzimos alguns trabalhos à campo para verificar o potencial de dano. O resultado, em termos de comportamento da cultura, foi melhor no plantio direto do que no preparo convencional, onde tivemos dif culdades para manter o nível de colocação do adubo, que ficou mais profundo e propiciou uma demora no desenvolvimento inicial da cultura, o que favoreceu a praga. No plantio direto, o adubo ficou malhor localizado em termos de profundidade e uniformidade, o que favoreceu o desenvolvimerito do sistema radiculare da cultura. É uma experiência nossa e, em três anos de testes e convivência! com o percevejo castanho, eu. diria qua, com plantio direto, não ocorrem danos significalivos.

Na cultura do algodão, montamos um rigoroso sistema de manejo dê pragas, procurando entrar na lavoura somente quando for realmente necessário, utilizando dosagens adequadas e fazendo rodízio de produtos. Com isso, temos consequido trabalhar com um número menor de aplicações que os demais produtores da região” *O algodão é uma cuttura nova na empresa. Começamos a plantar na safra Revista Plantio Direto EI dJultho/huostoa da 20071 anos), houve uma descompactação natural do solo pela atividade microbiana intensificada pela presença da 1997/98, em 440 ha, na Fazenda Planalto, no Mato Grosso do Sul. Evoluindo, na safra Produtividade de Algodão 1999/2000, plantamos 10.000 ha, quando atingimos uma média de 2568 /ha. A área plantada esta ano é de 19.600 ha, com uma estimativa de colheita superior a 25068/ha. Nas fazendas do Maranhão, o algodão vai 100% sob plantio direto, mas em Goiás é no Mato Grosso, onde havia um baixo nível de saturação de bases, optamos por incorporar o calcário em alqumas áreas. Após a cultura do algodão, plantamos sempre soja. No Mato Grosso, a legislação não permite plantar milho após algodão, em função da eliminação de soqueiras e plantas voluntárias, que são fontes de alimentação para pulgões, bicudos e fontes de inóculos para doenças.

Somos novos nã cultura e estamos recebendo muitas informações. Continuaremos a fazer pesquisas na próxima safra, avaliando as questões de compactação que as operações na cultura provocam no solo, somado, com a impossibilidade de fazer cobertura adequada. Temos que déssecar as soqueiras que rebrotam em setembrofoutubro e necessitam de doses elevadas de dessecante, o que elimina qualquer cobertufa e a lavoura fica um deserto. Essa ausência de cobertura é um êntrave ao plantio direto em algodão. Nós estamos buscando uma alternativa, que seria a eliminação mecçãnica da soqueira, logo após à colheita, 6 que possibilitaria fazer uma cobertura antes do início da chuva, com milheto ou sorgo. Outro fator limitante 6 0 adensamento da superfice do solo, o que impossíibilita a utilização de discos de corte. Na próxima safra, toda à nossa área de algodão será semeada com haste (facão), para amenizar esse problema. O algodão leva vantagens econômicas sobre a cul- EF) Revista Plantio Direto utratigosto da 2001 Forte: APEL - Planejamento Agricola tura da soja. Plantamos o dobro da área de algodão com soja, mas 0 algodão é responsável por 58% do faturamento da Empresa, obtendo uma receita de R$ 3.000,00/ha, enquanto a renda da soja é de R$ 900,00/ha.” Efeito do manejo do solo na Fazenda Pamplona Visando avaliar o efeito de manejo do solo na produtividade da soja e milho, está sendo desenvolvido um ensaio na Fazenda Pamplona (FZPP) Luziânia-GO, desde 92/93. Foram selecionados talhões adjacentes de mesmo histórico, com área de 1,41 ha, subdividida em 3 blocos dispostos longitudinalmente em cada talhão. No talhão PODA, o manejo do solo é em Preparo Mínimo (PM), com uma a duas gradagens pesadas ou médias em próé-plantio, No talhão POO7, o manejo do solo é em Plantio Direto (PD), utilizando uma cobertura fraca e desuniforme, formada pelas invasoras. No talhão POTO, 0 manejo do solo é em Gultivo Minimo (GM), com uma escarificação ou gradagem pesada em junho ou agosto e manejo químico das invasoras. As leituras de resistência à penetração são realizadas com Penetrographer SG — 60 (haste 60 em) em condições de solo friável. As condições de instalação e condução do ensaio constam na tabela 1. Os resultados parmitem concluir que:

a) A análise conjunta dos dados indica que na mêdia dos 8 anos, não houve diferença significativa entre 05 sistemas de manejo adotados:

b) Na fase inicial de implantação do PD (1 a 3 anos), houve redução média de 17,3% na produtividade das culturas, em relação ao PM Esta fase foi marcada pela falta de cobertura adequada provocando um intenso adensamento do solo, agravada pela baixa eficiência do plantio com plantadeiras adaptadas, culminando com uma redução de 26,6% na produtividade do milho, no 3º ano:

Cc) Na fase intermediária de implantação do PD (4 a 6 resteva da milho na superfície. Houve a recuperação significativa da produtividade, ficando nos mesmos patamares do PM; d) A fase de consolidação do PD (> 6 anos), é marcada pela intensa reciclagem de nutrientes pela decomposição da palhada e pelo aprofundamento do sistema radicular, contribuindo para um maior potencial e-.estabilidade produtiva. Houve um incremento significativo de 7,8% na produtividade das culturas. Nesta fase o milho é a soja plantados em PD 'em condições dos fenômenos “El Nifio” (97/98) e “La Nifha” (98/ 59 2 99/00), tiveram melhor uniformidade de germinação e vigor de planta, com encurtamento de ciclo de até 3 dias em relação ao PM e CM ; e) O revolvimento do solo através do GM proporcionou um ritmo de crescimento da produtividade inferior ao PD, com produtividades 4,0% inferiores ao PM, na fase de consolidação do sistema; f) Não houve alteração significativa nos teores foliares, tanto de macro como micronutrientes; q) O PD aumentou significativamente os teores de fósforo disponivel na camada 00-20 em. Os demais nutrientes não foram afetados; h) Aguardando resultados de análise de solo e faltando conclusões 00/01.

Tabela 1. Produtividade média e relativa das culturas, por fase de implantação do manejo de solo. Fazenda Pam- Plona. Luziânia-GO, 2001, (Dados 9 anos) Fase de implantação do sistema de manejo do solo Inicial Intermediária — Consolidação: Manejo | (1-3 anos) (4-6 anos) (> 6 anos) de solo | Kgha —& Kgha —S% Kaha 5% PM 354 1000 4553 (ooo soma 1000 o 3601 87 4505 096 Sseo7o (NO 3872 92 4401 973 5018 995