Semeadura de precisão em plantio direto
Sob o bem lembrado título de ”A Arte de Plantar na Palha”, o último exemplar da revista ”Plantio Direto” publica os debates de recente Encontro sobre a questão crucial da semeadura, realizado na Faculdade de Agronomia da Universidade de Passo Fundo/RS. A mesma edição transcreve artigo do Dr.D. W. Reeves, do USDA, Auburn/ AL, analisando o mesmo problema na cultura do algodão em PD no Sul dos Estados Unidos.Aqui, como lá, os produtores enfrentam dificuldades e procuram soluções. A matéria merece especial atenção especialmente agora quando novos cultivares, por vezes transgênicos, apresentam alto potencial de produtividade, ao lado de altos preços da semente, o que requer um plantio esmerado para que possam desempenhar todas as suas qualidades, evitando ao mesmo tempo o desperdício resultante de má germinação e de plântulas estressadas.Os problemas externados pelos produtores no referido Encontro se concentram em: a) germinação deficiente; b) plântulas estressadas; c) excessiva perturbação do solo; e, d) desgaste do equipamento. a) A deficiência de germinação resulta, na maioria dos casos, do mau contacto da semente com a terra devido ás ”bolhas” de ar causadas por palhas não cortadas e enterradas pelo disco frontal, ou por deficiência de recobrimento. Pode também advir do excesso de compactação da terra sobre os grãos ou ainda da formação de uma crosta superficial endurecida dificultando a emergência. Para evitar o enterramento de palha o Dr. Reeves recomenda a adição de um manejador de resíduos (limpador de fileiras), semelhante aos ancinhos rotativos usados no preparo de feno, localizado à frente do disco de corte. É certo que os cordões de palha podem atrapalhar, sendo importante distribui-la por ocasião da colheita, como recomendado pelo eficiente produtor Cornelis Souiljee de Carazinho/RS, com seu sistema de hélice em seguida ao picador. Para se obter um íntimo contacto da semente com a terra, sem os mencionados problemas de falta ou excesso de compactação, ainda o Dr. Reeves sugere o emprego de ”roda calcadora” que firma a semente antes de ser recoberta por terra levemente pressionada. Esse recurso é quase que obrigatório nas semeadoras argentinas e, nos Estados Unidos, é às vezes substituída por uma lâmina metálica que se esfrega sobre as sementes apertando-as contra a terra pouco antes do recobrimento.Com relação à crosta, sua formação é minimizada quando o solo tem bom teor de matéria orgânica humificada, havendo ainda referências ao bom efeito causado pelo uso do gesso. É importante também evitar o impacto das bátegas de chuva que resultam em endurecimento, o que se consegue repondo a palha sobre as linhas semeadas pelo uso de correntes traseiras em semicírculo que redistribuem e uniformizam os resíduos anteriormente deslocados. b) O estresse das plântulas pode ser decorrente tanto do mau contato e da compactação já analisados, como por efeito de salinidade causado pela proximidade dos fertilizantes principalmente potássicos e até certo ponto os nitrogenados, sendo certo que os fosfatados apresentam menor risco. É muito difícil seguir á risca a recomendação clássica de localizar o adubo 5 cm ao lado e 5 cm abaixo da semente. Os discos desalinhados acabam causando empachamento e, quando se usa facão o adubo acaba se misturando com a terra ficando em contacto com a plântula.O dano do estresse por vezes é quase imperceptível, mas a plântula enfraquecida dificilmente irá alcançar a alta produtividade de seu potencial, estimado hoje em dia em 80 sc/ ha no caso do soja. Nos Estados Unidos bem como nas lavouras do Sr. Cornelis o problema não existe porque aplicam o adubo em operação separada do plantio. Esta solução apresenta adicionalmente a vantagem de maior rapidez da semeação, podendo dobrar a capacidade semeadora, alem da maior precisão pela atenção do operador em regular somente a quantidade e posição da semente, sem se preocupar em regular ao mesmo tempo o adubo. Quando for recomendada uma adubação de ”arranque”, junto á semente, de N, P e micros, sem potássio, ainda assim o sistema é válido porque a quantidade de adubo a aplicar é pequena, não importando a localização e requerendo menos paradas de reabastecimento. Numerosos testes promovidos pela Manah, anos atrás, demonstraram igual produtividade quando o adubo é ”plantado” antes da semeação, observando a prática tradicional de colocar o P em área reduzida no fundo do risco, com menor contacto com a terra e com maior prazo antes de seu periódico ressecamento. A maior capacidade semeadora vem evitar atrasos com relação á melhor época de plantio, com aumento da produtividade media. São muito convenientes os equipamentos que podem destacar as semeadoras, com utilização da adubadeira em separado, durante os períodos de menor atividade que precedem o plantio. c) O levantamento de terra e torrões provocado pelo facão é considerado inconveniente pelos produtores que preferem manter o terreno nivelado com a mínima perturbação que for possível. Alem de uma haste fina e biselada tendo atrás o tubo de adubo ovalado tão estreito quanto possível, o Dr.Reeves menciona duas rodas laterais que reduzem o levantamento da terra, servindo ao mesmo tempo como limitadores de profundidade. Essas rodas devem ser de material que evite a aderência de terra, como seja a borracha flexível ou o polietileno, sendo conveniente que possam regular a profundidade tanto do facão como do disco dianteiro de corte, bem como do afastador de palha quando instalado. Todo o conjunto deve se apoiar em um sistema pantográfico para uma ação uniforme nas desigualdades de relevo por menores que sejam. O sistema de facão é considerado mais flexível e por isso preferível desde que existam regulagens que permitam ajustes ás variadas condições de textura e de umidade do solo. O facão resolve o problema da compactação superficial seja do pisoteio animal seja da falta de matéria orgânica, devendo-se considerar que a terra dura permite um melhor corte da palha. O facão evita o ”sulco liso selado” e evita o alagamento ao melhorar a drenagem, Os equipamentos são mais leves e assim de menor custo, a exemplo dos conjuntos à tração animal que vêm se aperfeiçoando ano a ano. O facão é considerado o sistema ideal quando ”levantar” menos terra. d) O desgaste dos facões foi muito debatido no Encontro cujos participantes enumeraram uma série de soluções baseadas em ligas metálicas, vídia ou poliuretano, de maior resistência à abrasão.Trata-se de um pormenor da alçada dos fabricantes de maquinas aos quais compete resolver o problema.É muito louvável e acertada a preocupação dos produtores com um plantio bem feito dentro da época recomendada pela pesquisa e pela experiência. Irão assim alcançar as elevadas produtividades que os modernos cultivares permitem, o que viria compensar os altos preços das sementes transgênicas revolucionárias, cujas perspectivas são inimagináveis.Cabe aos fabricantes de equipamentos examinar em profundidade as necessidades dos produtores, bem como as conclusões da pesquisa, a fim de participarem do esforço conjunto pelo plantio de precisão para alcançar maiores produtividades a menores custos. Iriam então melhorar sua imagem junto aos muitos produtores insatisfeitos que consideram as atuais semeadoras para PD meras adaptações do equipamento para plantio convencional.