400 Pessoas no Encontro de Candelária — Adailton Siqueira + Manoel Henrique Pereira + Gilberto Borges + Shirley Phillips CAAPAS


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Publicado em: 01/08/2001

400 pessoas no Encontro de Candelária

Os limites do plantio direto vão até onde vai a criatividade do produtor”, afirmou Manoel Henrique Pereira (Presidente da CAAPAS - Confederação Americana de Produtores para uma Agropecuária Sustentável) citando o americano Shirley Philips, pioneiros dessa técnica, na palestra de abertura do encontro.Esse foi o desafio lançado aos mais de 400 participantes do Encontro Regional de Plantio Direto em Solos Arenosos e de Várzeas, realizado nos dias 12 e 13 de julho em Candelária, RS, que acompanharam atentamente as experiências e resultados de pesquisas apresentados pelos palestrantes.A iniciativa deste evento nasceu das reuniões do Cite 117, formado por dez produtores do município que mensalmente reunem-se para trocar experiências, e onde questões relacionadas com o plantio direto surgiam com freqüência e inquietavam o grupo, conforme ressaltou José Carlos Fontoura Porto, presidente do Cite, apoiada pelo escritório que presta assistência técnica ao grupo, a Agrican.A região central do RS, onde está localizado o município de Candelária, é caracterizada por possuir solos com topografia plana, principalmente nas margens dos rios Pardo, Jacuí e Botucaraí. Porém, mesmo nas áreas consideradas coxilhas levemente onduladas, prevalecem solos com classe textural 3 e principalmente 4. Tratam-se de solos arenosos, franco-arenosos e até siltosos, no caso de várzeas.Segundo Adalton Luís de Siqueira, um dos coordenadores do evento, a adoção do Sistema Planto Direto em Candelária iniciou-se com um grupo de produtores que fizeram adaptação de suas semeadoras de plantio convencional para direto, em meados de 1992, onde se iniciou basicamente com a cultura da soja. Após estas experiências com resultados positivos e com o apoio da assistência técnica de cooperativas, Emater e escritórios de planejamento, o Sistema Plantio Direto foi aumentando gradativamente e atualmente é utilizado em mais de 85% das áreas com culturas de sequeiro. No caso do arroz irrigado, os sistemas de plantio são ainda bastante variados, sendo utilizados o pré-germinado, cultivo mínimo, plantio direto e convencional.A expansão do plantio direto nos primeiros anos se deu pela visão inicial dos produtores, de que o sistema reduzia o custo de produção. Ao mesmo tempo em que o Sistema Plantio Direto se expandia, a rotação de culturas foi esquecida e a monocultura da soja tomava conta da região.

Análise de solos do mesmo talhão sob P.D. nos anos de 1994 e 1999. Produtor: Nestor Luís Radtke - Capão do Valo - Candelária-RS.

Ano

Classe

pH

SMP

P

K

M.O.

Al

Ca

Mg

% Sat.

CTC

Bases

Al

1994

4

5,4

5,7

9,2

35,6

2,2

0,7

3,7

1,1

64,0

12,5

1999

4

5,6

5,9

26,6

81,4

2,3

0,2

3,7

1,6

60,0

3,5

A monocultura e o excesso de umidade dos solos, fizeram com que novos problemas surgissem. Pragas, como o Tamanduá-da-Soja, grilos e percevejos, plantas daninhas de difícil controle, como o saco de padre, gervão branco e a trapoeraba, além de doenças de início e final de ciclo, que tornam-se freqüentes nas lavouras.Foi justamente neste contexto, que o evento de Candelária teve o propósito de mostrar aos produtores da região, através de vários especialistas, que o plantio direto está longe de chegar ao seu ”limite”. Se, por um lado, existem dificuldades na sua adoção e manutenção, por outro, seus benefícios são bem mais expressivos.