Cooplantio Projeta Novos Caminhos (Porto Alegre 23-24/junho 11 produtores + assessores)


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Publicado em: 01/08/2001

Cooplantio projeta novos caminhos

A Cooplantio - Cooperativa dos Agricultores de Plantio Direto, cuja sede é em Porto Alegre, e atualmente congrega 11 mil produtores associados, está projetando uma nova fase na história da instituição. Esta nova etapa, cujos princípios básicos foram apresentados no 16º Seminário de Gramado, realizado de 27 a 29 de junho, sob o lema ”Depois do Plantio Direto”, está alicerçada em ações técnicas, que objetivam o fortalecimento técnico e econômico dos produtores, e o lançamento da marca Plantio Direto no setor de alimentos, buscando explorar a imagem do sistema entre os consumidores urbanos. ”O Plantio Direto é um sistema vitorioso em diversas regiões agrícolas do planeta, proporcionando redução de custos na produção, melhoria da produtividade, diminuição dos riscos de erosão e a necessidade de movimentação do solo”, afirmou Eurico Dorneles, presidente da Cooplantio, que não escondia a satisfação pela marcante presença de um público superior a 700 produtores e assistentes técnicos, que vieram de diversas regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde estão instaladas as 40 filiais da Entidade. Agora, segundo ele, a Cooplantio deverá iniciar uma nova fase onde o alvo é o mercado consumidor, cada vez mais exigente. ” As vantagens do plantio direto foram definitivamente comprovadas pelo depoimento de vários produtores que, além de aumentar seus rendimentos, estão utilizando um sistema ecologicamente correto. Agora, precisamos partir para novas etapas, buscando uma evolução do sistema como um todo e dos produtores que participam dele”, enfatizou o presidente da Cooplantio, durante o Seminário, em Gramado.O evento apresentou subsídios técnicos aos participantes na área de mercado, gestão empresarial, biotecnologia e outras, perfazendo um total de 18 apresentações e debates, com a participação de palestrantes nacionais e estrangeiros.Grupos de Intercâmbio TécnicoUma das inovações que está sendo levada a campo pela Cooplantio são os Grupos de Intercâmbio Técnico, cujos objetivos principais são a identificação de problemas que limitam a produção na lavoura e a busca de soluções alternativas, adaptadas para cada sistema de produção, respeitando as características históricas, de clima, de solo e de tecnologia das diversas regiões. ”Nossa principal meta é a busca da sustentabilidade dos negócios rurais, com base no aumento da produção, na estabilidade de renda e na proteção de recursos naturais”, afirmou o engenheiro agrônomo Dirceu Gassen, diretor técnico da Cooplantio, um dos coordenadores do Seminário de Gramado e que, juntamente com os assessores técnicos da Entidade, está desenvolvendo a prática dos Grupos de Intercâmbio Técnico, com excelentes resultados. No Seminário de Gramado, juntamente com o engenheiro agrônomo Carlos Henrique Dalmazzo, Coordenador de Marketing em Pastagens, da Monsanto, Gassen dirigiu o painel técnico ” Fatores limitantes na produção de soja, milho, arroz e pastagens e alternativas de solução”, que foi um dos pontos altos do evento, por ter proporcionado uma discussão objetiva sobre aspectos práticos de análises de solo, semeadura, fertilidade e outros itens que definem a produtividade nas lavouras. No campo, as estratégias para o desenvolvimento dos Grupos de Intercâmbio Técnico tem começado pela estruturação de agricultores com afinidades técnicas, estabelecimento das melhores práticas de manejo para o sistema de produção de cada região ou específica de cada agricultor, priorizar as tecnologias para uma máxima produção econômica e buscar a sustentabilidade do negócio rural, com estabilidade de renda e preservação dos recursos naturais. Em Gramado, durante o painel técnico, foram apresentados exemplos práticos adotados por agricultores empreendedores, na adaptação de semeadoras mais eficientes em plantio direto, em tecnologias mais adequadas para a aplicação de produtos fitossanitários e na amostragem de solos, entre outras, visando uma adubação mais econômica e nutrição equilibrada de plantas.” Produzir mais, gastando menos e com menor impacto sobre os recursos naturais, é a filosofia básica que orienta a formação dos Grupos de Intercâmbio Técnico e a nova fase de relacionamento da Cooplantio com seus associados”, definiu Dirceu Gassen. Para o Diretor Técnico da Entidade, os fatores básicos que garantem a produção são: controle de plantas daninhas, controle de pragas, controle de patógenos, adubação foliar, evitar perdas na colheita e planejamento de comercialização. Já os fatores que aumentam a produção são: escolha de cultivares adaptadas às condições da lavoura, equilíbrio na fertilização, semeadura de precisão e manejo para o aproveitamento de água. Prêmio & AlimentosCom o objetivo de premiar os agricultores inovadores, que se destacam criando e adaptando equipamentos à nível de fazenda, a Cooplantio lançou, em Gramado, o prêmio ”Plantando Idéias, Colhendo Soluções”. O projeto irá premiar anualmente aqueles produtores que tem se destacado na busca de soluções domésticas para o aumento da eficiência agronômica e da produtividade em suas propriedades.O grande projeto que a Cooplantio lançou em Gramado está na área de alimentos. Até 2004, a Entidade deverá colocar nos supermercados a marca do Plantio Direto. Segundo o engenheiro agrônomo Daltro Benvenuti, vice-presidente da Cooplantio, o Plantio Direto é um sistema que combate a erosão, preserva o solo e reduz a utilização de produtos agroquímicos. ”Quando o consumidor tiver informações sobre a forma como esses alimentos são produzidos, irá aderir à marca”, afirmou ele, durante o lançamento do projeto, no Seminário de Gramado. Um dos objetivos básicos do projeto, segundo Benvenuti, é a valorização do consumidor brasileiro, pois os produtos serão voltados basicamente para o mercado interno. Inicialmente, os produtos disponibilizados aos consumidores serão carnes e grãos, com rastreabilidade, para garantir a origem, a cargo de empresas governamentais e não governamentais. Por isso, a conscientização primeira será feita entre os produtores escolhidos para participar do projeto. ”Já não basta ganhar em eficiência na lavoura, finalizou Daltro Benvenuti, é preciso agregar valor aos produtos e expandir a idéia de qualidade. Não basta somente contar a produtividade em quilogramas por hectare mas buscar o nível ótimo de proteínas e vitaminas nos produtos a serem oferecidos aos consumidores.”