Rio Verde Consolida-se como Pólo de Plantio Direto no Cerrado + John Landers Homenageado


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Publicado em: 01/08/2001

Rio Verde consolida-se como pólo de plantio direto no Cerrado.

”Rio Verde é uma referência importante em termos de plantio direto na região do Cerrado e, por isso, nós precisamos estar sempre atentos às novas informações e manter acesa a chama dessa tecnologia, que tantos benefícios traz para todos”, afirmou o engenheiro agrônomo e produtor rural Antônio Carlos de Campos Bernardes, presidente do Clube Amigos da Terra de Rio Verde, em Goiás, durante a abertura do 5º Encontro de Plantio Direto de Rio Verde, realizado de 20 a 22 de junho. O evento, promovido pelo CAT, com apoio da Associação de Produtores de Grãos de Goiás, Clube dos Engenheiros Agrônomos, Sindicato Rural, Prefeitura Municipal e Universidade de Rio Verde reuniu mais de 1.200 participantes, entre produtores rurais, assistentes técnicos, estudantes e outras categorias de diversos municípios de Goiás e de outros estados da região Centro Oeste do Brasil. Compareceram diversas autoridades nacionais, entre elas o Ministro Interino da Agricultura Márcio Fortes de Almeida, os pioneiros Franke Dijkstra, presidente da Cooperativa Batavo, de Castro Carambeí/PR, Manoel Henrique Pereira, presidente da CAAPAS - Confederação Americana de Produtores para uma Agropecuária Sustentável, Helvécio Saturnino, presidente da APDC - Associação de Plantio Direto do Cerrado e Herbert Bartz, presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. No seu discurso de abertura, Bartz destacou a presença de uma grande quantidade de jovens entre os participantes, ressaltando que a juventude da área rural tem uma arma para produzir, que é o plantio direto. ”Nós precisamos fazer o dever de casa, em função dessa responsabilidade, temos que fazer a coisa bem feita e preservar o ambiente, que é a nossa meta principal. Se não preservarmos nossos recursos naturais, o que iremos deixar para os nossos filhos ? E o plantio direto, como sabemos, é a maneira mais inteligente de preservar o meio ambiente, principalmente as águas, que já está se tornando nosso principal problema.” Num intervalo das apresentações no auditório e as atividades no campo demonstrativo, montado especialmente para o 5º Encontro, numa propriedade a 5 km da cidade, Antônio Carlos Bernardes, presidente do CAT e um dos coordenadores, fez uma síntese, para a Revista Plantio Direto, sobre o sucesso do evento e o atual estágio em que vive a agricultura regional. Ele trabalha com agricultura desde que se formou, na Faculdade de Agronomia da cidade, em 1988. Além de coordenar as fazendas da família, administra um escritório de assistência técnica e planejamento agrícola, onde estão com responsabilidade sobre 10 mil ha de lavouras em plantio direto.” A semeadura direta já ocupa uma área de 90% dos 300 mil ha plantados com milho e soja, principalmente, na região do Chapadão de Rio Verde, e a maioria das áreas já está com dez anos sem lavrar”, afirmou Bernardes. Segundo ele, apesar de ser uma região melhor irrigada por chuvas, em relação a outras do Cerrado, o que permite boas condições para safrinha e o plantio de culturas de cobertura, eles já enfrentaram problemas de pragas e doenças, o que foi contornado com essa busca permanente de informações. ” As doenças e pragas virão, mas o plantio direto em nossa região está consolidado e não temos porque voltar atrás. De outro lado, a evolução é muito dinâmica e precisamos estar permanentemente em busca de informações. O crescimento do sistema na região de Rio Verde, Montevidiu, Mineiros, Santa Helena e outros municípios foi extremamente rápido. Em 1993, quando fundamos o CAT, existiam cerca de 4 mil ha com plantio direto. Em 10 anos, praticamente todas as lavouras estão trabalhando sob o sistema e isso é o exemplo de como os produtores foram atrás da nova tecnologia. Encontros como este tem sido fundamentais na divulgação do conhecimento que todos buscam.”

Matéria orgânica e economia

Um dos aspectos que reflete o sucesso do plantio direto na região de Rio Verde é a evolução dos níveis de nutrientes e da matéria orgânica do solo. ” A região é privilegiada para o estabelecimento de safrinha e, normalmente, essa opção é aproveitada em 50% das áreas. Além disso, o plantio de milheto e outras espécies permite a sucessão de culturas, com uma permanente cobertura do solo, o que reflete no aumento pontual dos níveis de matéria orgânica. Além disso, sabemos dos reflexos positivos no armazenamento de água e no desempenho de vários itens agronômicos, como a CTC do solo.” Segundo o presidente do CAT, quando iniciou o plantio direto na região, os níveis de matéria orgânica estavam em torno de 1,5%. Hoje, é possível encontrar lavouras com até 4%. Na Fazenda Vargem Grande, do produtor Flávio Faedo, que antecedeu o atual presidente do Clube Amigos da Terra, e também palestrou no Encontro de Rio Verde, os índices de matéria orgânica subiram de 1,8% para 3,35%, enquanto os níveis de fósforo passaram de 1,60 para 16 ppm, no período de 1988 a 2001. ”A cobertura permanente do solo também favorecea atividade biológica, que é uma das bases do sistema”, enfatizou Antônio Carlos Bernardes. Para ele, outro aspecto importante que está sendo desenvolvido na região é a integração lavoura-pecuária, que é favorecida pelo plantio direto. Segundo o presidente do CAT, o produtor não pode mais ficar apenas plantando soja e milho, é preciso diversificar, e eles estão pensando também em fruticultura, para o futuro. ” A integração da lavoura com a pecuária nas nossas áreas é favorecida pelo plantio consorciado de pasto e milho, na safrinha, o que resulta em alimentação para os animais na época da seca, isto é uma grande vantagem”, afirmou Bernardes.Finalmente, o presidente do CAT de Rio Verde considerou que, apesar do plantio direto, com todo o seu potencial de redução de custos, aumento da produtividade e melhoria das condições ambientais, os produtores enfrentam problemas de ordem econômica, com as dívidas da securitização. ” Nós precisamos equacionar essas dívidas passadas, pagarmos aquilo que realmente devemos, finalizou ele. Para frente, mesmo pagando juros de 8,75% ao ano, que é caro, em termos internacionais, a produção agrícola é viável. Mas, se você tiver que produzir 110-120 s/ha de milho e ainda por cima ter que pagar essas pesadas dívidas do passado, a atividade se torna inviável.”

John Landers homenageado

O engenheiro agrônomo John Landers, secretário executivo daAPDC - Associação de Plantio Direto do Cerrado, recebeu uma homenagem-surpresa durante a realização da solenidade de abertura do 5º Encontro Regional de Plantio Direto de Rio Verde. A homenagem foi entregue pelo produtor Flávio Faedo, da Associação dos Produtores de Grãos de Goiás, que ressaltou o trabalho ininterrupto que John Landers vem realizando há vários anos em prol do desenvolvimento do plantio direto no Cerrado, o que tem refletido até em assessorias internacionais, solicitadas por instituições como o Banco Mundial. Emocionado, Landers agradeceu a homenagem e afirmou que o Brasil possui a tecnologia agrícola para este século e que o mundo precisa reconhecer este fato.