Atenção para a Cadeia Produtiva do Milho
Daniel GlatGerente Executivo - Pioneer Sementes BrasilE-mail: glatd@phibred.com.br O milho é uma cultura que tem uma importância vital para atividade agropecuária Brasileira. Apesar disso, a cadeia de milho no Brasil continua totalmente ”amadora” e desorganizada. A falta de preços futuros e de mecanismos de proteção de preços, aliadas à falta de informações sobre a produção, o consumo e os estoques amplificados pelo fato do milho apresentar grandes variações de produtividade e de resposta ao ambiente, tornam a sua comercialização irregular, muito volátil, e com grandes variações de produção, oferta e preços de um ano para outro. Esse típico padrão de subir num ano e descer no outro, chamada de curva ”M”, pode ser observado na figura, que mostra variação da área plantada, da produção, e consequentemente, da oferta e dos preços, nos últimos 25 anos. O que isso significa na prática? Um ano de safra maior de milho deprime bruscamente os preços, o que naquele ano é bom para indústria; porém, em conseqüência disso, os produtores, principalmente os sojicultores, que respondem por mais de 60% da produção de milho no Brasil, decidem diminuir a área de milho e aumentar a de soja. Como esse produtores tem produtividades bem acima da média nacional, a diminuição na oferta total de milho acaba sendo sempre bem maior que a diminuição nominal da área plantada. Por conta disso, e muitas vezes também acentuado por problemas climáticos, a oferta diminui sensivelmente no outro ano; como a demanda nacional não para de crescer, naturalmente há uma enorme pressão sobre os preços. É o ano das indústrias de aves e suínos penarem com o alto custo da ração. Com os preços do milho em alta, porém, os produtores, que erroneamenteinsistem em decidir o que vão plantar baseado nos preços da época do plantio e não das perspectivas para época da colheita, tornam a aumentar a área de milho. O aumento da oferta torna a deprimir os preços, e aí o ciclo torna a se repetir. Assim tem sido o padrão do milho no Brasil nos últimos anos; nesse momento, vivemos um instante claro e acentuado desse movimento, para os quais produtores e principalmente consumidores de milho deveriam estar muito atentos! O alto preço de milho de 2000 causou grandes dificuldades para a avicultura e suinocultura, mas também levou ao aumento da área plantada. Esse aumento, aliado ao bom comportamento do clima, levou a uma boa oferta de milho em 2001. Em conseqüência os preços deprimiram-se bruscamente, estando hoje em muitos locais abaixo dos R$ 8 por saco, o que torna a cultura totalmente inviável! Como agora estamos em momento de decisão da área a ser plantada na safra 2001/02, esse é um momento de alerta, um momento crucial para os produtores e para as indústrias! Devido aos presentes baixos preços do milho, e aos altos preços da soja - cultura onde alem do preço ser dolarizado se pode fixar preços futuros e/ou fazer CPRs por troca de insumos ou adiantamentos - há uma tendência clara e inequívoca de grande diminuição da área de milho e aumento da soja em praticamente todos os estados onde se planta soja! Para os produtores, isso significa que o correto é não mudar o sistema de rotação, não diminuir a área de milho, já que há enormes chances do preço do milho estar bem mais alto em 2002 do que agora, por conta da diminuição da oferta que vai haver devido à diminuição da área plantada. Já para indústria, a situação é muito mais grave: as exportações realizadas até agora e previstas, por volta de 3milhões de t, mais a diminuição da área da safrinha por volta de 30%, e mais o possível aumento do consumo de milho durante 2001, já diminuem muito o aparente excesso de oferta durante 2001. Mas, se realmente se efetivar, como tudo leva a crer, essa forte diminuição na área de milho no Brasil em 2001, a situação vai ser gravíssima até porque o atual câmbio joga o custo do milho importado nas nuvens. Para a indústria que nesse momento corre desfavoravelmente contra o relógio, há apenas duas tentativas a se fazer:1. Aumentar imediatamente os preços ao produtor, em pelo menos R$ 1,5 a R 2,0 por saco.2. Sinalizar imediatamente com preços para colheita de 2002 por volta de R$ 9,5 a R$ 10 ao produtor, por meios de contratos futuros ou algo semelhante.Caso essas medidas não sejam tomadas a tempo, ou não surtam o efeito que se espera, as conseqüências para produção de frangos e suínos em 2002 será de custos de alimentação igual ou pior do que em 2000! O momento de tentar salvar o abastecimento de milho para 2002 é agora!