Pesquisadores Avaliam Alelopatia e Alertam para Novo Inço — Sorgo-de-Aleppo (Ribas Vidal UFRGS)


Autores:
Publicado em: 01/06/2001

Pesquisadores avaliam alelopatia e alertam para novo inço

A importância da alelopatia

No RS, o custo de controle mais as perdas das plantas que escapam do controle totalizam 2 bilhões de dólares, ou seja, 5% do PIB anual do estado. No sistema de plantio direto observa-se redução da infestação de plantas daninhas anuais. Quais os fatores estariam envolvidos neste fenômeno? A redução do desenvolvimento de plantas daninhas pela palha da cultura anterior pode ser causada por efeitos físicos ou alelopáticos. Os efeitos alelopáticos são aqueles causados por uma planta ou por seus restos sobre outra planta, através da liberação de compostos químicos no ambiente. Os efeitos físicos estão relacionados principalmente à redução da radiação solar e das variações de temperatura na superfície do solo, causados pela presença da palha. O Grupo Universitário de Investigações em Herbologia (GUIHE) da UFRGS, está tentando responder a uma importante questão: qual a importância relativa dos efeitos físicos e alelopáticos na supressão de plantas daninhas? Trabalhando com a cultura do sorgo, conhecida por liberar uma substância com potencial alelopático denominada sorgoleone, os pesquisadores determinaram primeiramente em laboratório a produção desta substância alelopática em 41 cultivares de sorgo. Posteriormente, foram selecionados três cultivares, que apresentaram produção contrastante da substância alelopática nas medições em laboratório, para a realização de trabalhos a campo. A importância dos efeitos físicos (avaliando o efeito de quantidade diferentes de palha na superfície para cada cultivar) e alelopáticos (comparando as cultivares com níveis de palha semelhantes) foi determinada. Dos resultados obtidos, até então, constatou-se que os efeitos físicos são mais importantes que os alelopáticos. Especula-se que as substâncias alelopáticas fiquem intensamente aprisionadas à argila e matéria orgânica do solo, tomando-as pouco disponíveis para as plantas daninhas.

Novo inço

O sorgo-de-alepo, uma das principais plantas daninhas do Mundo e a principal planta daninha na Argentina, é uma séria ameaça para a agricultura gaúcha. Em função da facilidade de multiplicação e disseminação desta espécie, e pelo seu grande potencial competitivo com culturas de lavoura, exige a adoção de medidas preventivas que impeçam o seu avanço no estado. O sorgo-de-alepo é considerado por especialistas como urna das 10 principais plantas daninhas no Mundo. Na Argentina, esta planta daninha foi introduzida como planta forrageira e hoje é considerada o principal inço, infestando milhões de hectares, trazendo grandes prejuízos para a agricultura daquele país. No Rio Grande do Sul, vêm sendo constatados focos de sorgo-de-alepo na região da fronteira oeste do Estado. Prof Ribas Vidal, da Faculdade de Agronomia da UFRGS, informa que essa gramínea é agressiva pois pode se multiplicar por semente ou por rizomas, que são caules subterrâneos capazes de formar novas mudas e de lançar brotações vigorosas a profundidades de 20 a 30 cm. Embora suas sementes tenham baixa mobilidade pelo vento, elas são facilmente transportadas junto a máquinas e implementos agrícolas, pelo tráfego de pessoas e animais e pela água de irrigação. A espécie compete muito eficientemente por água, luz e nutrientes com a cultura da soja. Além disso, sorgo-de-alepo produz alta quantidade do composto alelopático sorgoleone, o que contribui para perdas de rendimento de grãos de soja entre 65 e 90%, afirma o prof Michelangelo Trezzi, da faculdade de Agronomia do CEFET-PR. É importante a adoção de medidas preventivas para impedir a entrada e disseminação de sorgo-de-alepo em áreas agrícolas, já que a eliminação total desta espécie em áreas já infestadas torna-se quase impossível. De acordo com os profs. Vidal e Trezzi, as medidas preventivas, adotadas para impedir a entrada das plantas daninhas nas lavouras, incluem os cuidados na limpeza e tráfego de máquinas, equipamentos e animais e cuidados com a água de irrigação. Medidas de controle nas proximidades, como em cercas, estradas ou áreas próximas, também são muito importantes para reduziras fontes de disseminação.

Informações: Dr. Ribas Vidal e Michelangelo Trezzi (UFRGS) E-mails: vidal@altavista.net e mtrezzi@cpovo.net