Amostragem de solos em lavouras sob plantio direto
Dirceu N. Gassen Eng.-Agr. gerente técnico da Cooplantio, Porto Alegre, RS.
A confiabilidade nos resultados de análise de solos está diretamente relacionada à qualidade de amostragem. Especialistas de laboratório atribuem as discrepâncias aos erros na coleta e na mistura das amostras de solos. A teoria de amostragem indica que a menor unidade ecológica de amostragem deveria cobrir o espaçamento entre fileiras, nas lavouras em que os nutrientes são aplicados no sulco de semeadura. As perdas de informação e os erros de amostragem podem ser superados pela coleta planejada de subamostras, que são misturadas para formar uma amostra composta.
Foto: Dirceu Gassen
Figura 1. amostrador de solos tipo calador criado pelo eng.-agr. Flávio D. Hass.
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Figura 2. Base do amostrador com marcas laterais e solo coletado a 10cm de profundidade.
Pesquisas sobre amostragem de solo para atender os limites de precisão preconizados pela pesquisa indicam a necessidade de número elevado de unidades de amostras e grande volume de terra, tornando impraticável para o agricultor fazer o trabalho em condições de lavoura. A praticidade de campo, combinada com o tempo ocupado para a coleta de amostras de solo, considerando o risco de diminuir a precisão do processo, deve ser compatibilizada com as exigências estatísticas para a amostragem ideal de solos em plantio direto.
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Figura 3. Sub amostra de solo com 10 orificíos
Com o objetivo de garantir maior representatividade e confiança nos resultados de análise de solos elaborou-se a seguinte seqüência para amostragem:
1. Escolher lavoura com área de até 20 ha e fertilidade de solo considerada homogênea. Solos mais secos facilitam a coleta e a mistura para formação da amostra composta.
2. Escolher um ponto para amostragem, retirando a palha grossa da superfície do solo, no sentido transversal da fileira de semeadura da última cultura.
3. Penetrar o amostrador (Figura 1) até a marca de 10 cm no perfil do solo. A porção de solo coletada abaixo da marca inferior deve ser excluída (Figura 2) e a amostra desejada, situada entre a primeira marca e o nível da superfície do solo (10 cm), deve ser colocada em balde plástico limpo.
4. Tomar unidades de amostra em espaços de 4 cm até cobrir a distância equivalente entre as fileiras de semeadura da cultura anterior (Figura 3) (12 orifícios em soja espaçada de 45 ou 50 cm entre fileiras, 20 orifícios em milho com 80 cm entre fileiras, 5 orifícios em trigo ou arroz com 20 cm entre fileiras etc.). As unidades de amostra (orifício do calador) formam uma subamostra composta.
5. Repetir o procedimento nº 2 e 3 no mínimo 10 vezes em cada área homogênea de lavoura. Depois de feitas as coletas, misturar bem o solo (aí ocorrem os principais erros no processo de amostragem e de análise de solos), tomando uma porção de aproximadamente 0,5 kg (500 ml) que representará a lavoura para a análise de laboratório (a camada de 10 cm de solo em 20 ha = 20.000.000 kg). A amostra composta de solo deverá ser acondicionada em saco plástico devidamente identificado.
6. Evitar a exposição das amostras de solo à radiação solar e à temperatura muito elevada (cabine de automóveis etc.) para evitar alterações na composição química.
7. Anotar dados sobre a forma de aplicação de nutrientes (a lanço na superfície ou no sulco de semeadura), a quantidade aplicada, o tipo de cultura (arroz, milho, soja etc.) e o rendimento de grãos. O histórico da lavoura é importante para a interpretação dos resultados e para a recomendação adequada de nutrição das plantas.