Embrapa Dourados assume plantio direto
A Embrapa Agropecuária Oeste, localizada em Dourados,MS vem concentrando seus trabalhos de pesquisa no levantamento dos recursos naturais e no desenvolvimento de sistemas sustentáveis de produção agropecuária para o oeste do Brasil, para tanto estabeleceu como seu ”negócio” o Sistema Plantio Direto. A seguir são apresentados resumos de alguns dos trabalhos e linhas de pesquisa de parte do seu quadro de pesquisadores.
Embrapa Agropecuária Oeste Rodovia BR 163, Km 253 - 79804-970 - Dourados-MS - Fone: (67) 422 5122E-mail: postmaster@cpao.embrapa.br
Fertilidade do Solo:
Resposta do milho à formas de aplicação e fontes de fósforo no Sistema Plantio Direto
Luiz Alberto StautCarlos Hissao Kurihara
Os solos do cerrado naturalmente apresentam baixa disponibilidade de fósforo devido a sua natureza mineralógica e reação ácida. Por este motivo, a adubação fosfatada de manutenção é de fundamental importância para garantir a produtividade máxima . As formas de adubação mais utilizadas são no sulco de semeadura e a lanço antecipada. Esta ultima é utilizada para aumentar a eficiência da operação de plantio. A adubação a lanço faz com que todo o fertilizante fosfatado entre em contato com o solo, propiciando elevada fixação do fósforo pelas partículas do solo e, conseqüentemente, reduzindo o aproveitamento deste elemento pela planta. Por outro lado, a aplicação no sulco de semeadura no momento do plantio diminui a fixação e como conseqüência pequena parte do sistema radicular entra em contato com o fósforo proveniente do adubo. Com o objetivo de avaliar a resposta do milho à formas de aplicação e fontes de fósforo , foi conduzido um ensaio na safra 99/00 na Fundação Chapadão, em Chapadão do Sul, MS, num Latossolo Vermelho Escuro, textura argilosa, com baixa disponibilidade de fósforo 4,8 mg.dm –3 (Mehlich-1) e cultivado há seis anos em Sistema Plantio Direto,
Tabela 1:Rendimento de grãos de milho em função fosfatada com multifosfato magnesiano ou termofosfato magnesiano, aplicados a lanço antes da semadura ou no sulco.
Fonte de fósforo
Formas de aplicação
Rendimento (Kg.ha-1)
Multifosfato
Sulco
7.290 a
magnesiano
Lanço
6.520 b
Termofosfato
Sulco
6.290 b
magnesiano
Lanço
6.450 b
Testemunha
5.230 c
Medias seguidas pela mesma letra, na coluna não diferem estatisticamente entre si (Tukey 5%)
Os tratamentos consistiram de testemunha sem fósforo e adubação com multifosfato e termofosfato magnesiano, na dose de 80 kg ha-1 de P2O5, aplicados a lanço antes da semeadura ou em sulco. Em todas as parcela, foram aplicados 80 e 100 kg ha-1 de K2O e N, respectivamente. A adubação fosfatada proporcionou aumentos significativos na produção de grãos independente da fonte de fósforo e da forma de aplicação (Tabela 1) . Destaca-se, porém, o maior efeito do multifosfato magnesiano no rendimento do milho quando aplicado no sulco de semeadura.
Microbiologia:
Bioindicadores da sustentabilidade de sistemas agropecuários
Fábio Martins Mercante
A manutenção da qualidade do solo representa o fator primordial de uma agricultura sustentável. Para conservação dos ecossistemas naturais e a sustentabilidade dos sistemas produtivos torna-se fundamental o conhecimento da comunidade (biodiversidade) e atividade dos componentes da biota do solo, que podem atuar como indicadores de seu ”status” ecológico. Os organismos do solo são responsáveis pela ciclagem de energia e nutrientes, regulando as transformações da matéria orgânica e atuando na manutenção da estrutura do solo. Alterações na diversidade de espécies e na estrutura da comunidade de organismos do solo (fauna edáfica e microrganismos) interferem diretamente no funcionamento do solo e, conseqüentemente, na sustentabilidade dos agroecossistemas, atuando como um indicador de sua degradação. Tais alterações são ocasionadas, entre outros fatores, pelo tipo de cultura, condições ambientais, interações entre organismos e, principalmente, pelo sistema de cultivo adotado. Neste sentido, a manutenção da produtividade dos ecossistemas agrícolas e pecuários depende, em grande parte, do processo de transformação da matéria orgânica e, conseqüentemente, da biomassa microbiana do solo. Do mesmo modo, a fauna do solo tem importante papel na sustentabilidade dos sistemas produtivos através de seus efeitos nos processos do solo como decomposição, mineralização e humificação de resíduos orgânicos, imobilização e mobilização de macro e micronutrientes, estruturação e agregação do solo e, conseqüentemente, conservação do solo e regulação de pragas e doenças (auto-regulação). Assim, a abundância e diversidade da comunidade da fauna do solo são decorrentes do clima, da intensidade do manejo do solo e da qualidade e quantidade de matéria orgânica e serapilheira. Estudos conduzidos em diferentes solos e regiões brasileiras têm mostrado que a biomassa microbiana e a diversidade da macrofauna do solo são mais expressivas sob o sistema plantio direto, quando comparados com o sistema convencional de cultivo, envolvendo arações e gradagens. Comparações entre diferentes sistemas de manejo do solo e o sistema natural sob mata nativa indicam que as práticas de manejo que visam minimizar o impacto ambiental, como ocorre no sistema plantio direto, apresentam alterações menos significativas na diversidade e composição na biota do solo, atuando como indicadores eficientes da qualidade do solo.
Fitotecnia:
Sorgo no Sistema Plantio Direto no Mato Grosso do Sul: opção para rotação de culturas
João Carlos Heckler
Na região sul de Mato Grosso do Sul, a cultura do milho é a principal opção para os chamados cultivos de ”safrinha”, o qual tem sua semeadura possível até meados de março. Para períodos posteriores (abril a maio) os cultivos de outono-inverno, restringem-se quase que exclusivamente ao trigo e à aveia preta. No entanto, outras culturas podem adaptar-se a estes sistemas, como é o caso da cultura do sorgo, cujos resultados são apresentados a seguir: O experimento de sorgo foi conduzido na Embrapa Agropecuária Oeste, num Latossolo vermelho distroférrico típico, no SPD após a colheita da soja. O rendimento médio de grãos obtido pelos genótipos de sorgo foi de 7.861 kg ha-1 (Tabela1). Apesar das médias de rendimento dos primeiros quinze tratamentos não diferirem entre si, os genótipos BR 304, M 51 e AG 2005E apresentaram produtividades de 9.865, 9.771 e 9.055 kg ha-1, respectivamente. Com relação à doenças constatou-se que o genótipo SHS 400 apresentou a ”doença açucarada”. causada pelo fungo Claviceps africana. A média das alturas de planta foi de 1,2m, e não houve acamamento ou plantas tombadas. A maioria dos tratamentos apresentou o florescimento médio em torno de 62 dias, com exceção do AG 1017, AG 1018, 822, DK 57 e DK 865, que floresceram mais tardiamente. Com as geadas ocorridas no mês de julho houve colheita antecipada, devido ao secamento da massa verde, nivelando o ciclo (da emergência à maturação) para todos os genótipos(Tabela1).
Tabela 1. Rendimento de grãos, peso de 1000 grãos e de panículas, altura média de plantas e ciclo até o florecimento de genótipos de sorgo no Ensaio Nacional de Sorgo/2000. Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados, MS, 2000.
Semeadura: 13.3.2000
Emergência: 20.3.2000
Ciclo (dias):123
Genótipos
Rendimento de grãos (Kg ha-1)
Peso de 1000 grãos (g)
Peso de panículas (Kg)
Altura da planta (m)
Florecimento médio (dias)
BR 304
9.865 a
32,3
9,681
1,20
62
M 51
9.771 a
31,6
9,812
1,25
62
AG 2005E
9.055 ab
28,4
7,838
1,47
62
745
8.735 ab
28,0
8,659
1,04
62
AG 1017
8.534 abc
27,7
8,572
1,27
79
732
8.376 abc
26,3
8,623
1,11
62
AG 1018
8.215 abc
26,1
8,607
1,25
79
SHS 400
8.209 abc
28,1
8,506
1,24
62
BR 305
7,983 abc
29,5
8,019
1,39
62
822
7.898 abc
27,9
7,329
1,04
79
DK 57
7.638 abc
26,4
7,230
1,22
79
741
7.583 abc
27,3
7,315
1,19
62
MASSA 03
7.516 abc
28,1
6,968
1,66
62
BR 306
7.513 abc
25,8
7,304
1,31
62
74 EO
7.277 abc
25,7
7,446
0,95
62
DK 865
8.738 bcd
27,0
6,676
1,16
79
DAS 01G
5.852 cd
23,5
6,038
1,00
62
DAS 02G
4.736 d
23,4
5,066
1,03
62
Média
7.861
27,4
7,761
1,20
66
C.V(%)=17,4Umidade de grãos corrigidos para 13%.Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente entre si (Duncan,5%)
Integração Lavoura-Pecuária
Luis Armando Zago Machado
A pecuária, quando intensiva, pode ser uma atividade tão, ou mais, lucrativa quanto a agricultura. A integração destas atividades proporciona inúmeras vantagens ao produtor rural, principalmente a estabilidade de renda.
Figura 1. Curva de produção de aveias brancas para forragem das cultivares UFGRS (precoce), FAPA 1 (intermediário) e FAPA 2 (tardia). Embrapa Agropecuária Oeste, 2000.
Na Embrapa Agropecuária Oeste são desenvolvidas pesquisas envolvendo a integração agropecuária. Realizam-se trabalhos de seleção de plantas anuais destinadas ao pastejo e a cobertura do solo para a safrinha visando a sucessão à cultura da soja ou milho, cultivados na primeira safra. Foram identificados alguns genótipos com ciclo de crescimento tardio que são importantes por produzirem forragem e por manterem a supressão às plantas indesejáveis até o final da estação seca. Para esta finalidade tem se destacado milheto, sorgo forrageiro e aveias preta e branca (Figura 1). Além destas, são avaliadas inúmeras espécies e linhagens de plantas anuais de Avena spp., Medicago spp., Setária sp., Arachis hypogea, Brassica sp. e outras, com o objetivo de observar sua adaptação a região. Além deste trabalho, são desenvolvidos estudos comparativos de sistemas envolvendo agricultura, pecuária e a integração destas duas atividades, a rotação lavoura/pastagem. Após seis anos de avaliação o sistema integrado tem demonstrado inúmeras vantagens em relação aos demais sistemas, destacando-se o aumento do teor de matéria orgânica na camada superficial do solo (Fig 2).
Figura 2. Teor de matéria orgânica no solo após 3 anos sob diferentes sistemas de produção na Embrapa Agropecuária Oeste, 1999.
Um outro projeto envolvendo a integração agropecuária está na fase inicial de estabelecimento. Neste, tem-se como objetivo avaliar a produção animal em pastagem de Bracharia brizantha submetida a diferentes intensidade de utilização, e suas relação com a cultura anual que o suceder (soja).
Economia Agrícola:
Menor uso de máquinas no Sistema Plantio Direto (SPD): Consequências ambientais e econômicas
Geraldo Augusto de Melo Filho e Alceu Richetti
A ausência de preparo ou o não revolvimento do solo é uma das premissas básicas do Sistema Plantio Direto (SPD). No caso da cultura da soja, operações que são obrigatórias quando se pratica o Sistema Plantio Convencional (SC), como conservação de terraços, escarificação, gradagem aradora, gradagem niveladora, aplicação e posterior incorporação do herbicida pré-plantio incorporado (ppi), são dispensáveis quando o produtor utiliza o SPD. Enquanto no SC são gastas 4,6 horas máquina/ha com custo de R$ 102,16, no SPD utilizam-se apenas 2,2 horas/máquina ao custo de R$ 47,03, ou seja, menos da metade (Tabela 1). Com a cultura do milho acontece praticamente o mesmo, pois são necessárias 4,5 horas/máquina por hectare, com custo de R$ 93,00, no SC e 2,6 hora/máquina com custo de R$ 54,72, no SPD (Tabela 2). O menor número de operações agrícolas do SPD apresenta, portanto, duas importantes conseqüências. A primeira, de caráter ambiental, pois o revolvimento desagrega o solo, degrada a matéria orgânica e aumenta a perda de solo e nutrientes pela erosão, e de água por escorrimento superficial. A segunda é de caráter econômico pois o menor consumo de horas/máquina do SPD o torna mais econômico que o convencional. A redução das despesas provenientes do menor número de horas máquina do SPD compensa o menor gasto com herbicidas do SC. Outras vantagens adicionais do SPD são a reduzida perda de nutrientes por erosão, que resulta em economia de fertilizantes, e a produtividade maior.
Tabela 1. Número de horas/máquina e custo das operações agrícolas, por hectare no Sistema de Plantio Direto (SPD) e Sistema Convencional (SC) na cultura da soja. Embrapa Agropecuária Oeste,Dourados, MS.
Operações agrícolas
CONVENCIONAL
SPD
Un
Quant/ha
Custo (R$/ha)
Quant/ha
Custo (R$/ha)
Conservação de terraços
h/tr
0,4
9,72
-----
Aplicação de calcário
h/tr
0,2
4,44
0,2
4,44
Escarificação
h/tr
0,6
14,13
-----
Gradagem aradora
h/tr
0,8
18,74
-----
Gradagem niveladora
h/tr
0,4
8,88
-----
Aplicação de herbicidas - ppi
h/tr
0,1
1,97
-----
Aplic. De herbicidas - dessecação
h/tr
---
-----
0,1
1,97
Aplicação de herbicidas - pós
h/tr
0,1
1,97
0,1
1,97
Incorporação herbicida - ppi
h/tr
0,4
8,88
-----
Aplicação de fungicida
h/tr
0,1
1,87
0,1
1,87
Semeadura/adubação
h/tr
0,5
12,05
0,7
17,26
Aplicação de inseticida (4 aplic.)
h/tr
0,4
7,86
0,4
7,86
Transporte interno de insumos
h/tr
0,1
1,64
0,1
1,64
Colheita
h/c
0,5
10,01
0,5
10,01
Total
4,6
102,16
2,2
47,02
Tabela 2. Número de horas/máquina e custo das operações agrícolas, por hectare no Sistema de Plantio Direto (SPD) e Sistema Convencional (SC) na cultura do milho. Embrapa Agropecuária Oeste,Dourados, MS.
Operações agrícolas
CONVENCIONAL
SPD
Un
Quant/ha
Custo (R$/ha)
Quant/ha
Custo (R$/ha)
Conservação de terraços
h/tr
0,4
9,72
-----
Aplicação de calcário
h/tr
0,2
4,44
0,2
4,44
Escarificação
h/tr
0,6
14,13
-----
Gradagem aradora
h/tr
0,8
18,74
-----
Gradagem niveladora
h/tr
0,4
8,88
-----
Aplicação de herbicidas - ppi
h/tr
0,1
1,97
-----
Aplic. De herbicidas - dessecação
h/tr
---
-----
0,1
1,97
Semeadura/adubação
h/tr
0,5
12,05
0,7
17,26
Transporte interno de insumos
h/tr
0,1
1,64
0,1
1,64
Aplicação de herbicidas - pós
h/tr
0,1
1,97
0,1
1,97
Adubação de cobertura
h/tr
0,3
5,52
0,3
5,52
Aplicação de inceticida
3 aplic.
h/tr
0,3
5,90
0,3
5,90
Colheita
h/c
0,8
10,01
0,8
16,02
Total
4,5
93,00
2,6
54,72
Fitossanidade:
As doenças de plantas e o Sistema Plantio Direto
Fernando de Assis Paiva e Augusto César Pereira Goulart
Para que o ”Sistema Plantio Direto” (SPD) seja adotado plenamente, três premissas básicas devem ser atendidas: não revolvimento do solo, formação de palha e a rotação de culturas. Assim, a Embrapa Agropecuária Oeste tem insistido nos últimos anos no conceito de que só pratica o SPD quem adota criteriosamente a rotação de culturas. Um dos motivos para essa insistência está no perigo de aumentar a ocorrência e a gravidade das doenças ao se fazer a semeadura sobre a palha da mesma cultura. Esse perigo ocorre porque os organismos que causam as doenças permanecem nos restos culturais e atacam as plantas do novo plantio logo na emergência. Por isso, caso alguém tente fazer o plantio direto em cultivos sucessivos, todas as doenças causadas por parasitas necrotróficos (que se alimentam de tecidos mortos) aumentam de intensidade, o que, em geral, não ocorre com a rotação de culturas com espécies não hospedeiras. É importante notar que a prática de cultivar milho ”safrinha”, após a cultura da soja, não se constitui em rotação de culturas, a qual consiste em não cultivar a mesma espécie vegetal na mesma estação do ano e na mesma área. Só se considera rotação de culturas, quando a mesma espécie só volta ao campo mais de um ano após a colheita. Exemplificando: se a soja é colhida em março, não se pode semear soja antes de março do próximo ano. Em conseqüência, no exemplo citado, a soja só volta ao campo no final do ano seguinte. Fazendo a rotação de culturas com espécies vegetais diferentes, a palha é eliminada biologicamente (decomposição e mineralização da matéria orgânica), erradicando os patógenos necrotróficos da área de cultivo. Outra prática recomendada em todas as situações e, é o uso de sementes de boa qualidade, isto é, sementes com alto poder germinativo e alto vigor. As sementes devem ainda ser tratadas com fungicidas para protegê-las dos patógenos (fungos) presentes nas sementes ou no solo. Quando falamos de sementes com fungos, devemos ressaltar que a quantidade de fungos em sementes de boa qualidade deve ser baixa, não sendo possível a obtenção de sementes isentas de fungos e outros microrganismos. Por isso, é recomendado o tratamento com fungicidas. Considerando o que foi afirmado anteriormente (que a rotação de culturas causa a eliminação dos patógenos dos restos culturais), se forem utilizadas sementes infectadas nestas áreas, o efeito de controle dos patógenos já obtido será anulado, uma vez que a única possibilidade desses patógenos reencontrarem a planta hospedeira nestas situações é a sua associação com as sementes. Assim, do ponto de vista prático, o uso de sementes sadias só faz sentido quando se considera a semeadura em áreas novas ou naquelas em que se pratica a rotação de culturas ou o pousio, de onde os patógenos necrotróficos foram suprimidos. Partindo do princípio que a rotação de culturas está sendo adotada, o tratamento de sementes com fungicidas deve ser encarado como estratégico para o sucesso do SPD. Esta prática funciona no sentido de evitar que as sementes introduzam os patógenos necrotróficos em áreas novas ou os reintroduzam em áreas cultivadas nas quais a doença ocorreu, mas, em função da adoção de práticas eficientes de manejo, como, por exemplo, a rotação de culturas, ficou livre da mesma, pela eliminação dos restos culturais infectados. Na prática, muitos agricultores estão usando o plantio direto, isto é, estão plantando sem preparar o solo, mas não estão adotando o SPD, pois não estão fazendo a rotação de culturas. Com isso, muitas doenças estão ocorrendo de uma maneira muito agressiva e causando prejuízos aos produtores. O exemplo mais dramático é a ocorrência da cercosporiose do milho. Essa doença é conhecida há muito tempo, sem causar maiores problemas. Nas duas últimas safras, principalmente em Goiás, os resultados do plantio continuado do milho, sem preparo do solo, causou o agravamento da situação. O uso de cultivares mais resistentes e, principalmente, a rotação de culturas, podem resolver o problema. É preciso tomar cuidados também com a chamada ”ponte verde”, que é a presença de plantas verdes da cultura no campo por um período muito longo. É o que estamos vendo com a cultura do milho no cerrado. Antigamente, o milho só era plantado na época normal, isto é, no período da chuva, no segundo semestre de cada ano. Hoje, temos agricultores semeando o cereal de setembro até mesmo em abril. Com isso, temos milho no campo durante praticamente o ano todo. Se somarmos a isso a ocorrência de plantas guachas, isto é, as que nascem dos grãos que se perdem por ocasião da colheita, temos que não se passa um dia sem que haja plantas de milho no campo. O resultado disso é que os microrganismos que causam as doenças encontram alimento no campo o ano todo, podendo, então, reproduzir e continuar a causar problemas nas lavouras futuras. A ”ponte verde” é especialmente importante para doenças como o ”enfezamento” do milho. O microrganismo que causa essa doença é um patógeno biotrófico, isto é, só se reproduz em plantas vivas de milho (não nos restos culturais), e a cigarrinha que o transmite também só se reproduz em milho. Desse modo, a presença de plantas de milho no campo a maior parte do ano é o principal fator do aumento da ocorrência da doença nos últimos anos. Tudo que foi dito sobre a influência do plantio na palha, sem rotação, na ocorrência de doenças do milho, vale também para a soja e qualquer outra cultura.