Como Será o Plantio Direto no Cerrado? (Helvecio Mattana Saturnino, APDC)


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Publicado em: 01/06/2001

Como será o plantio direto no Cerrado?

Helvecio Mattana Saturnino Presidente da APDC

A agenda do Plantio Direto tem sido muito positiva, pautada por significativas conquistas. Os pioneiros, que agendaram os primeiros passos, estão aí a nos dar exemplos, inclusive com mostruários históricos dos equipamentos, coleções de reportagens e lembranças muito ricas, com detalhes de como forjaram-se importantes avanços em tecnologias mecânicas, biológicas e de transferência de conhecimentos, no indispensável trabalho de integração tecnológica, comercial e social, formando-se importantes núcleos de apoio, que sintetizamos no âmbito do Conselho de Administração da APDC, nos Clubes Amigos da Terra e similares. Com a virada do século e do milênio, com cerca de 5 milhões de hectares em Plantio Direto com culturas anuais nos cerrados, olhando a fantástica saga desse movimento, somos levados a refletir sobre a agenda do amanhã, do nosso futuro:

Como será o sistema PD nos cerrados?

1. A praticidade e as economias em operações mecânicas, aliadas às tecnologias químicas e biológicas, incluindo-se aí os fantásticos avanços na biotecnologia, como na microbiologia do solo e nutrição de plantas, nos controles biológicos e na promissora produção de plantas transgênicas, têm todos os ingredientes para pavimentar um amplo caminho para acelerar o crescimento quantitativo e qualitativo do sistema Plantio Direto, aplicando-o em todo o universo de explorações, com benefícios para toda a sociedade. 2. A rotação entre pastagens e culturas anuais, principalmente a soja, vai evidenciar inúmeros benefícios, salientando-se aí o maior conhecimento sobre a microbiologia do solo, principalmente nas condições, explorando-se com sabedoria as complementariedades e os sinergismos existentes, proporcionando-se um salto qualitativo no aproveitamento dos recursos naturais e na utilização de insumos, favorecendo a produção de proteínas de alta qualidade e a maior competitividade do Brasil no mercado internacional, na melhoria do abastecimento interno e na segurança alimentar. 3. A ampliação do entendimento da essência do sistema Plantio Direto, que é o da menor intervenção possível no solo, mantendo-o protegido ao longo do ano, ganhará cada vez mais força e amplitude. O crescente reconhecimento desse potencial para todas as formas de explorações vai e constituindo em importante pauta para as políticas de desenvolvimento científico, tecnológico e de preservação do meio ambiente. Nessa gradação, entende-se que já existe a intervenção zero, como dos plantios a lanço de pastagens; intervenções mínimas, como uma série de espécies que se multiplicam por sementes, como a soja, o milho, o sorgo, etc.; o sistema PD de mudas, com intervenções mínimas, associado ao PD de plantas de cobertura, condicionadoras do solo e recicladoras de nutrientes, que já se pratica em grande escala e avança cada vez mais em direção a todos cultivos perenes, de forma muito acelerada; o PD na olericultura, com mudas ou sementes; o PD na cana-de-açúcar; e, desafios maiores, decorrentes do processo de colheita, como o caso da mandioca ou da batata. Todos já são motivos de desenvolvimento de máquinas, de experiências as mais diversas e de atenção de produtores e pesquisadores, vislumbrando-se um futuro com cada vez menos intervenções no solo.

Quais as expectativas de avanços nas políticas em favor dessa agricultura sustentável?

1. Que essa mudança alavancada pelos produtores brasileiros, do Sul para o Norte, tenha o merecido reconhecimento, alçando novos patamares. Um setor com características sócio-econômicas tão diversas, como o da agricultura, precisa ser devidamente amparado e estimulado a praticar essa agricultura sustentável, com maior capacidade técnica, com apoio de crédito, com a requerida segurança, para que se vislumbre sua capitalização, fazendo-a cada vez mais competitiva e próspera. 2. A ampliação do reconhecimento da importância do sistema Plantio Direto no que preconiza o capítulo 18 da AGENDA 21, o PROTOCOLO VERDE, a Convenção do Clima e a Convenção da Diversidade Biológica, com forte mobilização de esforços em favor do mesmo. Assim, é prioritário que se considere a necessidade do constante aprimoramento do sistema PD, com o homem trabalhando em crescente harmonia com a natureza, controlando-se a erosão e a degradação, revertendo-se ciclos de pobreza em alternativas para os de prosperidade. 3. Viabilizar um seguro agrícola profissional que ampare o setor, conferindo-lhe estabilidade, protegendo-o contra o enorme risco que recai sobre os produtores, é uma expectativa e uma legítima necessidade em um mercado competitivo e globalizado. O Plantio Direto, ao lado de todos os benefícios que trás para a sociedade, permite o adequado cumprimento dos cronogramas de plantios recomendados pela pesquisa agropecuária, favorecendo assim o cálculo atuarial, com melhores perspectivas de cálculos de prêmios dos seguros. Disso há de resultar maiores atenções para decisões macro, equacionando-se o destino do IRB e colocando-se em prática os fundos de catástrofes e de equalização de prêmios, viabilizando-se esse importante instrumento. Essa é uma agenda que interessa a toda a sociedade. É uma agenda implícita em todos os eventos em Plantio Direto, a exemplo dos que estaremos tendo em Rio Verde e Dourados. Assim, é bom negócio freqüenta-los, como também é bom negócio ler e colecionar a Revista Plantio Direto, o jornal Direto no Cerrado, afinal: é bom participar, vivenciando essas mudanças. Assim, concitamos a todos a vislumbrarem uma agenda para dias mais promissores, lutando arduamente por ela, aglutinando-se, somando esforços para lograr as melhores soluções.