Dinâmica de semeadoras-adubadoras de plantio direto
Ruy Casão Junior; Rubens Siqueira;Augusto Guilherme de Araújo Pesquisadores do IAPAR - Londrina-PR E-mail: ruycasao@pr.gov.br
Dia cinco de abril, no município de Marechal Cândido Rondon, Estado do Paraná foi realizada uma exposição dinâmica de máquinas semeadoras para plantio direto. Trata-se do segundo evento conduzido pela equipe da Área de Engenharia Agrícola do IAPAR (Instituto Agronômico do Paraná), diferenciando-se do anterior por inserir-se no contexto do projeto para o Desenvolvimento do Plantio Direto com Qualidade para os municípios lindeiros à represa de Itaipu, patrocinado pela ITAIPU BINACIONAL, tendo como objetivo principal viabilizar a rotação de culturas no sistema de plantio direto, com uso de adubos verdes, mantendo a cobertura morta vegetal sobre o solo. Foram registrados a presença de 550 pessoas, estimando-se um total de 700 participantes, predominando produtores dos municípios vizinhos à Marechal Cândido Rondon e os lindeiros à represa. Contou com o apoio da Prefeitura Municipal de M. C. Rondon, da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio ”FAPEAGRO” e a colaboração da EMATER-PR escritório de M. C. Rondon, COPAGRIL, AGRICOLA HORIZONTE e UNIOESTE – Agronomia. O evento foi realizado na propriedade do produtor Paulo Rohr, um dos quatorze produtores de referência do projeto promovido pela parceria entre o IAPAR e a ITAIPU. Foram dez modelos de semeadoras-adubadoras de sete importantes indústrias nacionais e uma adaptada pelo produtor Paulo Rohr, os quais participaram dos testes de avaliação durante os dias 13 a 16 de março, cujos resultados foram expostos aos visitantes na Dinâmica do dia 5/4/2001. A relação das máquinas avaliadas está mostrada na Tabela 1. Os destaques do evento foram as participações das máquinas múltiplas, ou seja, as que semeiam em fluxo contínuo (popularmente denominadas de ”semeadeiras”) e também, em precisão (”plantadeiras”), além da participação de uma semeadora de fluxo contínuo. São estas as que viabilizarão a implantação das coberturas vegetais como a aveia, ervilha, ervilhaca, nabo, tremoço, crotalária, moha, milheto, sorgo e o próprio trigo, além de outras culturas de inverno com grãos miúdos. Essas máquinas semearam aos mesmo tempo, nos testes realizados, sementes de aveia preta IAPAR 61, nabo pivotante e ervilhaca comum. Quanto às semeadoras de precisão, as ”plantadeiras”, foram avaliadas e demonstradas 10 modelos, sendo 4 delas na versão em precisão das multissemeadoras. O desempenho de todas as máquinas foi analisado com rigor técnico pela equipe do IAPAR, avaliando-as sob os aspectos agronômico, energético e morfológico.
Os participantes no evento, do IAPAR e ITAIPU são descritos na Tabela 2, ressaltando-se o apoio do Prefeito Edson Wasen e a contribuição do Secretário da Agricultura de M. C. Rondon, Iomar Bauermann. Face a grande quantidade de informações a serem repassadas aos produtores e interessados, este trabalho será dividido em 4 capítulos. Este artigo tratará sobre os fatores para a boa emergência das plantas das semeadoras, analisando as causas para se obter uma boa emergência das plantas; o segundo da demanda de força e potência para adequação trator com a semeadora; o terceiro sobre a distribuição de sementes e fertilizante e por último as características de custo, uso, regulagem e manutenção de cada máquina. Considerando o fato das empresas exporem o potencial de seu produto, avaliado de modo independente, queremos parabenizar aos que participaram dos testes e convidá-los, juntamente com outros fabricantes que não estiveram presentes nessa oportunidade, para participarem de outros eventos semelhantes, a serem realizados em outros municípios do Paraná, como o de Entre Rios do Oeste previsto para o dia 30 de agosto de 2001. Foram 60 parâmetros técnicos utilizados para a avaliação do desempenho das semeadoras-adubadoras tratando-se, portanto, de um trabalho detalhado e de interesse direto do produtor. Ao disponibilizar esses resultados, os pesquisadores esperam que o produtor se torne mais demandante e exigente, pois poderá analisar os fatores mais importantes e restritivos de uma máquina para suas condições de trabalho. As empresas, por sua vez, de posse desses resultados, poderão caracterizar o estado da arte de seu produto e, com maior rapidez, adequá-los às necessidades do produtor nesta região. Queremos lembrar que este trabalho, embora detalhado, ainda não é considerado completo, pois, não analisa parâmetros de confiabilidade que determinam a vida útil e a qualidade de fabricação da semeadora, além de não considerar aspectos relativos à assistência técnica pós-venda. A avaliação foi realizada sobre um solo muito argiloso onde, na profundidade de 0 a 15 cm, determinou-se 70% de teor de argila, densidade global de 1,21 g/cm3, apresentando elevada resistência à penetração, com média de 2383 kPascal na umidade do solo a 30,1%, que corresponde a uma consistência friável com pouca plasticidade. Havia, portanto, uma grande resistência ao trabalho mecânico das máquinas, o que constitui uma situação típica da região de abrangência do evento. As máquinas trabalharam sobre 13.167 kg/ha de cobertura morta de milho + mucuna anã, semeados em outubro de 2000.
Tabela 1:Marca, modelo, número e espaçamento entre linhas das semeadoras-adubadoras que participaram dos testes em M. C. Rondon.
Nº Marca Modelo
Número de linhas
Espaçamento (cm)
1 Fankhauser 5030 ”plantadeira”
7
45
2 Imasa MPS 1600 ”multissemeadora”
16
3 Imasa MPS 1600 ”multissemeadora”
7
40
4 Imasa PLANTUM ” plantadeira”
9
45
5 Jumil Protótipo JM 1406 ”multissemeadora”
14
20
6 Jumil Protótipo JM 1406 ”multissemeadora”
6
45
7 Jumil Protótipo JM 1774 ”multissemeadora”
9
20
8 Jumil Protótipo JM 1774 ”multissemeadora”
5
45
9 Marchesan COP TRA ”plantadeira”
7
45
10 Marchesan SDAE especial ”semeadeira”
19
15,8
11 Morgenstern PHM Morgenstern ”plantadeira”
7
45
12 Planti Center PC 7/4 New Line ”plantadeira”
7
45
13 Vence Tudo SMT 6414 ”multissemeadora”
14
17
14 Vence Tudo SMT 6414 ”multissemeadora”
6
45
15 Paulo Rohr Magnum 2800 adaptada ”plantadeira”
8
42,5
1. Avaliação das semeadoras-adubadoras quanto aos fatores que afetam a emergência das plantas
Serão apresentados a análise dos desempenhos das semeadoras-adubadoras em precisão e das em fluxo contínuo separadamente neste capítulo, para melhor clareza das discussões. As multissemeadoras, também serão analisadas separadamente nas versões em precisão e fluxo contínuo.
Tabela 2:Técnicos do IAPAR e ITAIPU BINACIONAL responsáveis pela execução e articulação da Dinâmica de Marechal Cândido Rondon.
Equipe técnica do IAPAR
Equipe técnica da ITAIPU
1. Ruy Casão Junior
1. João Carlos Zehnpfennig
2. Rubens Siqueira
2. Newton Luiz Kaminski
3. Augusto G. de Araújo
3. Adair Antonio Berté
4. Rodolfo G. Monice Filho
4. Elstor Weiss
5. Alexandre Leôncio da Silva
5. Marcos A. Baumgartner
6. Audilei de Souza Ladeira
6. Milton Dutra Campos
7. José Carlos da Silva
7. Sérgio L. Scherer
8. Pedro Machado
9. Ronaldo Rosseto
10. Milton Pereira da Silva
Semeadoras-adubadoras em precisão
As semeadoras de precisão e as multissemeadoras na versão em precisão, trabalharam na sua maioria com hastes sulcadoras para abertura do sulco para deposição de fertilizante. Somente a MPS 1600 trabalhou com discos duplos desencontrados, não atingindo assim, a profundidade combinada para os teste, que deveria ser entre 9 a 11 cm. Esse fato, é comum ocorrer com todas as máquinas que trabalham com discos neste tipo de solo, onde há muita resistência à penetração para os componentes de ataque ao solo, a não ser que, o mesmo tenha sido descompactado biologicamente, pelo uso de adubos verdes, como se tem conseguido com a utilização de nabo pivotante e aveia, entre outras coberturas vegetais. Na safra do ano 1999/2000, onde ocorreu um período de estiagem no mês de novembro, observou-se que nas pesquisas realizadas pelo IAPAR , na região dos municípios lindeiros à represa de Itaipu, onde os produtores utilizaram hastes sulcadoras, a emergência das plantas de soja foi em média de 64,4% e, quando utilizaram discos duplos desencontrados foi de 48,4%. Desta forma, quando são utilizados discos duplos, além do fertilizante ficar mais próximo às sementes, ocorre o risco de não se criar um ambiente mais apropriado para a implantação das culturas. As semeadoras Protótipo JM 1406 e COP TRA, por sua vez, trabalharam a uma profundidade maior. Este fato, que pode ser algumas vezes agronomicamente recomendável, no entanto, exigirá mais potência do trator para tracionar a semeadora, além de mobilizar mais o solo no sulco. A maioria das semeadoras ainda não possuem um sistema de controle da uniformidade da profundidade do sulcador de fertilizante. Na dinâmica de Rondon, somente a COP TRA dispunha de tal dispositivo, com uma roda vinculada a haste, além de utilizar o sistema pantográfico no sulcador de fertilizante, o qual mantém o seu ângulo de ataque ao solo sempre constante.
Tabela 3: Marca, modelo, tipo de sulcador para fertiliante, número de linhas, espaçamento entre linhas e profundidade do sulco fertilizante das semeadoras-adubadoras na versão em precisão que participam dos testes em M. C. Rondon.
Nº
MARCA
MODELO
Tipo de sulcador
Nº de linhas
Espaçamento (cm)
Profund. Sulco(cm)
1
Fankhauser
5030
Haste
7
45
10,4
2
Imasa
MPS 1600
D. Duplo
7
40
7,2
3
Imasa
Plantum
Haste
9
45
9,8
4
Jumil
Protótipo JM 1406
Haste
6
45
12,9
5
Jumil
Protótipo JM 1774
Haste
5
45
10,5
6
Marchesan
COPTRA
Haste
7
45
13,2
7
Morgenstern
PHM Morgenstern
Haste
7
45
9,6
8
Planti Center
PC 7/4 New Line
Haste
7
45
10,4
9
Vence Tudo
SMT 6414
Haste
6
45
10,5
10
Paulo Rohr
Magnum 2800 adaptada
Haste
8
42,5
11,0
O resultado foi satisfatório mas ainda houveram duas semeadoras (5030 e SMT 6414) que não possuíam esse dispositivo, apresentando uma variação ligeiramente inferior (figura 1), mostrando que a COP TRA ainda pode melhorar seu desempenho com o aperfeiçoamento deste componente. O problema encontrado com as rodas de controle de profundidade da hastes da COP TRA, foi que ela impossibilitou a regulagem da profundidade a 10 cm, podendo ser corrigido facilmente pelo fabricante. A MPS 1600 que trabalhou com discos duplos desencontrados, foi a que apresentou a maior variação na profundidade do sulco, com 24,2%, seguida pela PLANTUM com 18,4% (Figura 1).
Figura 1. Profundidade e variação da profundidade (coeficiente de variação) do sulco de fertilidade das semeadoras em teste na Dinâmica de M. C. Rondon.
Outro parâmetro essencial para uma boa implantação das culturas é a profundidade de semeadura. No teste realizado, foi solicitado que as sementes estivessem de 4 a 5 cm de profundidade. Somente a semeadora do produtor Paulo Rohr foi regulada para este intervalo. As demais ficaram mais rasas, variando de 2,8 a 3,7 cm em média. O que preocupou, foi a grande variação na profundidade de semeadura, considerando que cinco máquinas possuem um sistema especializado para esta função (PLANTUM, MPS 1600, 5030, Prototipo JM 1406 e COP TRA), com rodas controladoras de profundidade e ainda com atuação individualizada pela existência de balancim. Deve-se considerar que a semeadura foi realizada cruzando as linhas da resteva de milho + mucuna anã, sendo isso um dificultador para todas as máquinas. No entanto, observou-se diferenças entre as mesmas, como é apresentado na Figura 2.
Figura 2. Profundidade e variação da profundidade (coeficiente de variação) das sementes de soja, das semeadoras em teste na Dinâmica de M. C. Rondon.
Somente a MPS 1600 apresentou problemas com embuchamento, observando-se que no final da parcela com 30 m de comprimento havia um pequeno acúmulo de palha entre as linhas, indicando que a máquina poderia ter que parar se prosseguisse em seu trajeto. Este fato ocorreu pela dificuldade da palhada fluir entre as linhas, que estavam reguladas com espaçamento de 40 cm, apesar da semeadora não ter utilizado hastes e sim discos duplos como abridores de sulco. Destaca-se que somente duas máquinas (PHM Morgenstern e COP TRA) possuíam suas linhas em zig zag, para facilitar o fluxo da palhada. Sendo que a semeadora do produtor Paulo Rohr possui, por sua vez, um dispositivo desembuchador, constituído de uma disco dentado de grande diâmetro junto a haste sulcadora, que visa limpar este componente da palha acumulada. Somente quatro máquinas possuíam componentes especializados para o aterramento e cobertura do sulco com palha. A SMT 6414 utilizou discos aterradores, a PC 7/4 New Line e a PHM Morgenstern utilizaram rodas aterradoras, com função também de controle de profundidade e compactação do solo ao lado das sementes, e o produtor Paulo Rohr tem esses dois sistemas em linhas alternadas em sua máquina. As demais possuem rodas compactadoras de pequeno diâmetro, não consideradas pela equipe técnica do IAPAR como apropriadas para exercer esta função. O aterramento é essencial para dar condições de germinação às sementes e, a cobertura do sulco com palha contribui com um ambiente adequado, mantendo o teor de água e a temperatura para a melhor emergência das plantas. Assim, o que se procura é um ”plantio direto invisível”, ou seja, após a semeadura, não se observe indícios de revolvimento do solo, pela manutenção da cobertura vegetal sobre o terreno. A Figura 3 mostra que com exceção da PLANTUM, que obteve bom desempenho, somente as semeadoras com sistema de discos ou rodas aterradoras conseguiram uma melhor cobertura de palha sobre o terreno. As demais tiveram redução da cobertura original com palha de 26,5% a 36,5% após a semeadura, fazendo com que a maioria dos sulcos permanecessem com pouca palha recobrindo-os. As semeadoras Protótipo JM 1406 e COP TRA apresentaram os maiores valores de redução de palha, principalmente por trabalharem com as hastes a uma profundidade maior do que as demais. Quanto ao aterramento do sulco, a MPS 1600 e o Protótipo JM 1774 foram as únicas que apresentaram problemas, observando-se que somente 71,4% e 77% respectivamente dos sulcos permaneceram adequadamente aterrados (Figura 3).
Figura 3. Porcentagem de redução da quantidade original de palha sobre o terreno e porcentagem dos sulcos adequadamente aterrados das semeadoras em teste na Dinâmica de M. C. Rondon.
No caso específico da semeadora do produtor Paulo Rohr, ficou evidente que durante a semeadura, as 4 linhas com discos aterradores retornaram melhor a palha anteriormente mobilizada pelos componentes de ataque ao solo, do que as 4 linhas com rodas aterradoras. Pode-se dizer que hoje se possuem algumas alternativas eficazes para aterramento e retorno da palhada ao sulco, podendo ainda esses componentes serem aperfeiçoados. No entanto, o importante, é que os demais fabricantes introduzam esse importante dispositivo em suas máquinas. A plantabilidade pode ser bem avaliada pela porcentagem de emergência de plantas. Neste estudo considerou-se a dosagem de sementes viáveis no solo. A dosagem solicitada foi de 15 sementes de soja por metro linear. A maioria das máquinas distribuíram em torno disso, algumas mais outras menos, que será alvo de discussão posterior. Assim, o estande inicial de plantas depende da dosagem e da emergência das plantas. A MPS 1600 apresentou estande mais elevado que as demais, pois na média lançou mais sementes ao solo, apesar da baixa % de emergência das plantas de soja. O produtor Paulo Rohr, por sua vez, já apresentou um estande menor, apesar da boa emergência das plantas, devido a baixa dosagem de sementes. A Figura 4 mostra uma grande variação na porcentagem de emergência das plantas de soja entre as semeadoras em teste. Observa-se, em primeiro lugar, que das máquinas que obtiveram uma melhor cobertura de palha sobre o terreno (figura 3), somente a PHM Morgenstern não obteve uma melhor emergência, possivelmente pela grande variação na profundidade de semeadura e pelo fato das rodas compactadoras/aterradoras/controladoras de profundidade não terem efetuado a função de compactação de forma adequada, podendo ter ocorrido um pouco mais de bolsões de ar na região das sementes. As demais apresentaram de 82% a 95% de emergência de soja. Quanto as demais, a emergência foi inferior, variando de 70% a 76%, podendo-se dizer que além dos sulcos terem pouca cobertura com palha, a qual protegeria os mesmos da ação do sol forte de março, também tiveram uma grande variação na profundidade das sementes no sulco (figura 2). Fazendo com que as sementes que permaneceram mais rasas, iniciassem seu processo de germinação sem poderem completá-lo.
Figura 4. Porcentagem de emergência de soja e estande inicial em plantas por metro linear das semeadoras em teste na dinâmica de M. C. Rondon.
Dessa forma, acredita-se que somente a introdução de componentes de aterramento, nessas máquinas poderia melhorar sensivelmente seu desempenho para se obter emergência adequada das plantas. Devendo-se também levar em consideração as demais recomendações realizadas no texto, como a utilização de um sistema de controle de profundidade do sulcador de fertilizante, uma reavaliação dos sistemas de controle de profundidade de sementes, não se despreocupar com os problemas de embuchamento e dos dispositivos de compactação lateral do solo sobre as sementes. Uma dúvida que poderia ocorrer, seria o fato de que a semeadura das máquinas em teste não terem sido realizadas no mesmo dia. Mas a equipe do IAPAR considera que, houve desempenho superior e inferior praticamente em todos os dias. A PHM Morgensteren, semeou as 17:40 horas do dia 13/3 recebendo uma chuva de 10 mm nesta noite, no entanto a emergência de soja foi de 69,5% (Figura 4). A PC 7/4 New Line, 5030 e COP TRA semearam na tarde do dia 14/3 e obtiveram emergência de 83,7%, 75,5% e 75,4% respectivamente. O Protótipo JM 1406, o Protótipo JM 1774 e a SMT 6414 semearam na tarde do dia 15/3 obtendo emergência de 71,9%, 71% e 82% respectivamente. No dia 16/4 semearam a MPS 1600, a PLANTUM e a semeadora do produtor Paulo Rohr, com 74,5%, 94,9% e 92,9% respectivamente, com uma chuva ocorrida na noite do dia 16/3 e também nos dias posteriores.
Tabela 4:Marca, modelo, número de linhas, espaçamento entre linhas e velocidade de trabalho das semeadoras-adubadoras na versão em precisão que participam dos testes em M. C. Rondon.
Nº
Marca
Modelo
Nº de linhas
Espaçamento (cm)
Veloc. de trabalho (Km/h)
2
Imasa
MPS 1600
14
16
6,0
4
Jumil
Protótipo JM 1774
9
20
8,8
6
Marchesan
SDA 2 especial
19
15,8
8,1
9
Vence Tudo
SMT 6414
14
17
8,8
Observou-se que o solo estava friável com pouca plasticidade em todos os dias, pois a quantidade de palha sobre o solo era de 13 toneladas de matéria seca, com cobertura de 100%.
Figura 5. Profundidade de semeadura das sementes de aveia preta, nabo pivotante e ervilhaca comum das semeadoras em fluxo contínuo em teste na Dinâmica de M. C. Rondon.
O que pode ser considerado, é que as máquinas que semearam no dia 16/3, levaram certa vantagem por receber uma chuva na noite do mesmo dia.
Semeadoras-adubadoras em fluxo contínuo
A semeadora em fluxo contínuo e as multissemeadoras na versão em fluxo contínuo também trabalharam sobre resteva de milho + mucuna anã, cruzando as linhas de plantio dessas coberturas. Esse fator foi um agravante para o desempenho das mesmas, pois a velocidade foi em torno de 8 a 9 km/h, com exceção da MPS 1600 que trabalhou a 6 km/h. Os dois protótipos estudados utilizaram discos de corte à frente dos discos duplos desencontrados. Observa-se que esse componente deve ser dispensável para essa versão de semeadora, pois pode agravar problemas de embuchamento como o ocorrido no protótipo JM 1406. Considera-se que o fabricante não somente já retirou os discos de corte da máquina como também, substituiu os discos duplos desencontrados por outros de maior diâmetro. O espaçamento entre as linhas de todas as máquinas encontrava-se dentro do aceito para a implantação de culturas de inverno, ou seja, igual ou inferior a 20 cm.
Figura 6. Variação (Coef. de Variação) da profundidade de semeadura das sementes de aveia preta, nabo pivotante e ervilhaca comum das semeadoras em fluxo contínuo em teste na Dinâmica de M. C. Rondon.
Somente a MPS 1600 conseguiu depositar as sementes de aveia preta, nabo pivotante e ervilhaca comum, na profundidade combinada de 2 a 4 cm. As demais ficaram entre 1,4 a 1,9 cm de profundidade (figura 5), com exceção do protótipo JM 1406 que semeou nabo a profundidade adequada de 2,2 cm. A profundidade de aveia na semeadora Protótipo JM 1774 não foi determinada, pois a emergência foi tão baixa que não foram encontradas as plantas nos locais de amostragem para sua determinação. A profundidade de semeadura não é fácil de ser atingida, pois a pressão dos componentes de ataque ao solo é baixa, devido ao grande número de linhas de cada máquina na versão de inverno. Algumas alternativas podem ser utilizadas para se obter isso. O protótipo JM 1406 traz um sistema de transferência de peso do trator para a semeadora, podendo pressionar os discos contra o solo, conseguindo uma melhor ação dos mesmos. O resultado não foi tão eficaz, pois a máquina possuía também os discos de corte, que repartiram com os discos duplos a força de atuação sobre o solo, reduzindo a pressão sobre os mesmos. Todas essas máquinas posicionaram seus discos duplos próximo do centro de gravidade da máquina, o que é um fator favorável. A SMT 6414, por sua vez, possui discos desencontrados com diâmetros diferentes ( 15” e 13”), fazendo com que o maior funcione quase que isoladamente penetrando no solo e cortando a palhada. Isto fez com que a profundidade média das três sementes ficassem em torno de 1,8 cm (figura 5).
Figura 7. Porcentagem de redução da quantidade original de palha sobre o terreno das semeadoras de fluxo contínuo em teste na Dinâmica de M. C. Rondon.
Além da profundidade de semeadura ter sido inferior a 2 cm, com exceção da MPS 1600, houve uma grande variação da profundidade de semeadura. A figura 6 mostra que todas as máquinas apresentaram uma variação em relação ao valor médio (Coeficiente de Variação) superior a 20%, sendo que em algumas situações foi superior a 40%. Significando que muitas sementes poderiam estar a uma profundidade muito rasa. A MPS 1600 foi a que apresentou as menores variações da profundidade. Considera-se que este fato é típico entre as semeadoras em fluxo contínuo. Sendo que ainda não estão disponíveis componentes de ataque ao solo que ofereçam condições ideais para a implantação das culturas de grãos miúdos. Este fato está associado ao espaçamento estreito que essas plantas exigem para serem semeadas e muitas vezes ao trabalho em altas velocidades. O que se pode concluir que a MPS 1600, trabalhando a 6 km/h, obteve um melhor desempenho sobre este aspecto, mesmo porque o terreno possuía uma grande rugosidade devido a trabalho cruzando as linhas de resteva de milho + mucuna anã. Apesar da MPS 1600 trabalhar a menor velocidade em relação as demais, foi a que mais reduziu a quantidade de palha sobre a superfície do terreno, por não possuir um componente de aterramento. A figura 7 mostra que a SDA 2 especial com duas rodas aterradoras e compactadoras obteve um bom resultado, reduzindo somente 10,5% da cobertura morta original. Por sua vez, a SMT 6414 com suas argolas de metal para efetuar o aterramento e o Protótipo JM 1406 com suas rodas compactadoras reduziram 13,5%. Observa-se pela figura 8 que a porcentagem de emergência de aveia, nabo e ervilhaca não atenderam as exigências do teste, que tinha o critério que, acima de 70% de emergência seria aceitável e acima de 85% um bom resultado. Somente a ervilhaca, com as semeadoras MPS 1600, SDA 2 especial e SMT 6414 atingiram o valor aceitável.
Considera-se que as 4 máquinas semearam no dia 14/3 e somente a SMT 6414 semeou no dia 15/3 as 12:50 horas. O Protótipo JM 1774 obteve somente 4,8% de emergência da aveia, possivelmente pelo fato das sementes não terem sido bem recobertas com uma camada de solo, considerando também que foi uma das máquinas que mais reduziu a quantidade de palha após a semeadura. Assim, com as sementes expostas ao sol forte, mesmo com umidade no solo, não conseguiram completar sua emergência. Recomenda-se ao fabricante que melhore o sistema de aterramento e verifique porque a semeadora está depositando as sementes muito raso e com grande variação dessa profundidade. A MPS 1600 apesar de posicionar as sementes a uma profundidade média apropriada, não conseguiu um bom desempenho na emergência de aveia e nabo. Possivelmente por não possuir componentes de aterramento atrás de seu discos duplos desencontrados, sendo também recomendado que os introduzam, para melhorar seu desempenho. A SDA 2 especial e a SMT 6414 obtiveram resultado muito parecido com a MPS 1600, sendo que a SDA 2 especial obteve melhor desempenho na emergência de aveia e nabo que as demais. No caso da SMT 6414, pode-se obter um melhor resultado aprofundando um pouco mais o sulco de semeadura, conduzindo as sementes de nabo para o interior dos discos duplos, não permitindo que as mesmas caiam sobre a superfície do terreno. Quanto a SDA 2 especial a sua profundidade de trabalho poderia ser maior, sugerindo-se que se aperfeiçoe-se o sistema de anéis de controle de profundidade, pois os mesmos são de regulagem desconfortável e passíveis de acúmulo de solo úmido. Para o Protótipo JM 1406, sugere-se retirar os discos de corte, e aprofundar mais os discos na regulagem, como é a proposta de transferência de peso que a máquina possui.
Considerações finais sobre o capítulo
Pode-se concluir parcialmente, que foram identificados muitas diferenças entre o desempenho das semeadoras em teste, considerando-se que haverão outros parâmetros a serem debatidos nos capítulos posteriores. Tanto para as que semeiam em precisão, quanto para as que semeiam em fluxo contínuo, houveram importantes recomendações para o seu aperfeiçoamento. Considerando que temos como parceiros, principalmente os fabricantes que participaram das avaliações, o IAPAR e a ITAIPU BINACIONAL disponibilizam para os mesmos, esses resultados e discussões, assim como aos produtores, para que tenham mais informações para escolher e até adaptar suas máquinas, que é uma prática muito comum na nossa agricultura.