Soja: aumento na oferta segura mercado futuro
Eng.-Agr. Flávio Renato Gassen Mestrando em Economia - UFRGS E-mail: flavio@agri.com.br
O mercado internacional de commodities agrícolas continua apontando para a recuperações de suas cotações até o final do ano, apoiado em indicadores de declínio do estoque final mundial de grãos iniciado na safra 1999/00 e resultante da estabilização na produção desde a safra 1996/97 que atingiu 1.871,8 milhões de toneladas e para 2001/2002 é projetado o total de 1.862,1 milhões de toneladas (USDA). A safra imediatamente anterior, 1995/96, produziu 1.708 milhões de toneladas, levando à drástica queda na razão estoque/demanda para 23,2%, o menor dos últimos 10 anos e conseqüente valorização das commodities agrícolas no mercado internacional. No entanto, a economia mundial apresenta indícios de crescimento inferior ao esperado e certamente será um fator negativo na velocidade da recuperação dos preços agrícolas. Os abates realizados nos países com a doença da ”vaca louca” e febre aftosa promoveram a retração no consumo de carne bovina e ovina na União Européia e sua implicação na relação oferta/demanda ainda não é visível, mas favoreceu as exportações brasileiras de farelo de soja, milho e carne de frango e suína. O relatório do Departamento de Agricultura dos EUA referente a produção/demanda mundial de grãos apresentou significativas correções em suas séries históricas envolvendo as culturas do trigo, arroz e milho. A razão destas correções deve-se à primeira divulgação oficial do censo agrícola da China, que até o momento era realizada por meio de estimativas do USDA. As correções iniciam-se na safra 1978/79 e foram responsáveis pelo aumento de 39,7% no estoque mundial de trigo para a safra 2000/01, +120% no arroz e +46,8% no milho. Do ponto de vista dos preços atuais, estas correções não apresentam influência e somente deverão alterar os modelos matemáticos responsáveis pelas projeções futuras.
TRIGO
O cenário futuro do trigo aponta para uma safra menor nos EUA, passando de 60,5 milhões de toneladas estimados para a safra 2000/01, para 53,37 milhões de toneladas projetados para 2001/02. No global, o grão também terá significativa retração na oferta, cujo declínio iniciou-se na safra 1998/99, com a produção de 588,8 milhões de toneladas, contra 609,3 milhões de toneladas da safra anterior. As estimativas do USDA para a safra 2000/01 são de 580,3 milhões de toneladas e projeção de 572,4 milhões de toneladas para 2001/02. Desde a safra de 98/99 até a projeção para 01/02, os índices do estoque final/demanda mundial foram de 29,9%, 28,2%, 26,9% e 23,7%, respectivamente, salientando-se que na média dos últimos 10 anos este índice foi de 27,88% e na safra 95/96 atingiu 25,5%, onde os preços médios pagos ao produtor norte-americano foram de US$ 10,03/60kg (US$ 4,55/bushel) contra os atuais US$ 5,73/60kg (US$ 2,5975/bushel) nos contratos para julho da Bolsa de Chicago (25/maio/01). Segundo esta significativa queda nos estoques mundiais do grão, o USDA sinaliza para a recuperação das suas cotações nos EUA e projeta para a safra 01/02 preços entre US$ 2,75 e US$ 3,35/bushel, contra US$ 2,63/bushel da safra 00/01.
SOJA
A soja continua com prognósticos nada otimistas, num período de elevados estoques e produção mundial recorde. Segundo o USDA, a produção mundial de soja estimada para 2000/01 deverá atingir cerca de 171,5 milhões de toneladas, contra 159,5 milhões de toneladas da safra anterior, representando aumento de 7,5%. O incremento anual da demanda mundial do grão não está acompanhando a oferta e causa conseqüente aumento na relação estoque final/demanda desde a safra 97/98, que atingiu 14,6%, e para a safra 00/01 está estimada em 17%. Outro fator de pressão negativa refere-se a relação estoque final/demanda dos EUA, que poderá atingir 18% na safra 2001/02, sabendo-se que nas duas safras anteriores este índice foi de 10,7%, representando maior quantidade de grãos disponível no mercado internacional. Quanto aos óleos vegetais comestíveis, devemos salientar o progressivo aumento na demanda internacional do óleo de palma, contra aumento menos significativo no óleo de soja e decréscimo no óleo de girassol. Na safra de 1989/90, o consumo per capita mundial do óleo de palma atingiu 2,02 kg e 3,54 kg em 2000/01 (+75%), e passou de 3,0 kg para 4,2 kg (+40%) no óleo de soja e de 4,21 para 4,06 (-3,6%) no óleo de girassol para o mesmo período.