Como Ler a Revista Plantio Direto (Editorial)


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Publicado em: 01/06/2001

Como ler a Revista Plantio Direto — Este título pode parecer algo estranho, mas eu gostaria de chamar para o fato de que, em muitas Ocasiões, nossos assinantes e leitores, produtores ou assistentes técnicos, afirmam o seguinte: vocês publicam muita matéria do cerrado ou, inversamente, muitos assuntos do sul e Isso não interessa para a nossa região.

Esse questionamento tem se aguçado ultimamente com o avanço do plantio direto no Estado de São Paulo e arredores, onde ainda existe um bolsão de terra lavrada e os produtores enfrentam, além das dores da mudança em si, dificuldades conhecidas para o estabelecimento de Culturas de cobertura, em função do regime desfavorável de chuvas no inverno. : Na verdade, não quero tirar a razão de ninguém. O sistema plantio direto teve sucesso Justamente por que se adaptou às peculiaridades regionais, numa evolução permanente, que não acaba em cada obstáculo transposto. Mas, a prática de cada um e de todos confirma que esse sucesso é fruto de um conhecimento global, pois a limitação ao particular pode significar um estreitamento de opções e o plantio direto, nesse sentido, é o oposto da simplicidade do preparo convencional.

O nosso trabalho está baseado no geral e no específico, que entranha as informações veiculadas, dirigidas ao plantio direto ou para áreas correlatas. Creio que não podemos fugir dessa fórmula, dada à abrangência nacional (às vezes internacional) do nosso veículo. Quem entra no sistema plantio direto precisa estar atento a tudo e saber de todas as variáveis porque, no fundo, os mecanismos básicos, como cobertura de solo, rotação de culturas, manejo da fertilidade, de pra- Evolução das áreas sob plantio direto na palha (PDP) gas e de doenças são similares. Pode variar a no Estado de São Paulo gramínea ou a leguminosa, o tempo que a cober- — 600.000, 550.000,00 tura leva para degradar, pode variar o coró, mas alguns princípios são gerais e tudo o que apresen- 500.000 tamos direciona para esses aspectos importantes de sustentabilidade e produtividade, com redução SS SOGOBO” de custos e preservação ambiental. í 304.99 Este recado vale para todos, mas talvez es- Fr tejamos querendo conversar com produtores, téc- — 300.000 nicos e estudantes de São Paulo, onde está acon- : 162.572,00 tecendo a grande batalha pelo estabelecimento do 200.000 | plantio direto. As manifestações do Secretário de Agricultura João Carlos de Souza Meirelles, na 100.000] 40.000 abertura da Agrishow, foram eloqúentes. O plantio LEE direto em São Paulo cresceu de forma significativa o nos últimos três anos, passando de uma área de 97/98(*)1 98/99(*)2 99/2000 2000/2001 40 mil ha para 550 mil ha. As fronteiras do cresci- Ano agricola mento talvez sejam mais amplas em território : ; : o Fonte: Assessoria Técnica - GSAA paulista do que em outras regiões: pastagens de- CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral gradadas, cana-de-açúcar, pomares de citrus e LE.A. - Instituto de Economia Agricola café, para não falar de soja e milho. O conhecimento existe e São Paulo possui grandes baluartes da pesquisa e extensão rural. O cenário está desenhado positivamente e eventos como o 8º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, que acontecerá em São José do Rio Preto, em 2002 , serão balizadores dessa evolução. As duas maiores barreiras são as dificuldades em estabelecer coberturas adequadas e a resistência natural às mudanças, mas a necessidade de evoluir já está vencendo a batalha.

Gilberto Borges Editor