Como aumentar a eficiência na dessecação
Maurício Dias CunhaEng.-Agr. - COMAM - Fone: (31)3275 2118 - E-mail:comam@comam.com.br
A safra de verão está caminhando para o final, em algumas regiões a colheita já começou, e a exploração de uma segunda safra, safrinha, aproveitando o final da estação chuvosa, é de vital importância para manter o solo coberto e, ainda, gerar divisas para o produtor rural. A palhada da cultura anterior proporcionará um alto retorno de matéria orgânica ao solo, ocasionando a proteção do terreno durante todo o ano, suprimindo ervas daninhas e, ainda, contribuindo para manter a umidade do solo. Geralmente, em plantio direto, há uma diminuição na infestação de plantas daninhas graças aos efeitos alelopáticos da decomposição da matéria orgânica e, principalmente, de competição que essas tiveram com a cultura principal (verão). Com uma menor população de invasoras há possibilidade de se usar um menor volume de calda (l/ha) na dessecação, sem que isso traga prejuízos ou diminuição na eficiência do produto, visando dessa forma aumentar o rendimento operacional da máquina. Hoje no mercado temos a nossa disposição pontas de pulverização que permitem a aplicação de volumes de calda de 100l/ha, ou menos, sem afetar a distribuição, produzindo gotas grossas com o interior cheio de ar que, consequentemente, serão mais pesadas, reduzindo dessa forma o potencial de deriva. Para entendermos como a diminuição do volume de calda poderá aumentar a eficiência da pulverização e diminuir os custos operacionais, devemos recordar de alguns conceitos básicos.
Capacidade de campo
A capacidade de campo indica a área tratada por unidade de tempo, comumente expressa em hectares por hora (ha/h) Dentre as diferentes capacidades de campo a mais importante para nós é a capacidade de campo operacional, que é definida como sendo a capacidade da máquina observada em condições reais de operação, onde se levam em conta todos os efeitos dos fatores operacionais.
CCo =
área tratada
tempo da máquina
O tempo da máquina (TM) é constituído de: tempo de preparo (TPe) + tempo de interrupção (TI) + tempo de produção (TPr). Para o nosso caso, pulverizadores tratorizados, o tempo de preparo (Tpe) é representado pelas operações de acoplar o pulverizador ao trator, regulagem da máquina e calibração no início da jornada diária e as operações de limpeza e descontaminação do pulverizador, manutenção diária do trator e pulverizador e desacoplamento ao final de cada jornada de trabalho. O tempo de interrupção (TI) significa o tempo de reabastecimento do pulverizador (tempo de enchimento e preparo da nove calda), translado do pulverizador até o local onde será feito o abastecimento e o tempo gasto em manobras na cabeceira de cada faixa de aplicação. Recordado estes conceitos, vamos verificar na prática quais fatores estaremos otimizando com a redução do volume de calda por hectare e, assim, aumentando nossa eficiência de campo. Verificamos que, quando aplicamos um menor volume de calda por hectare, automaticamente aumentamos a autonomia de nosso pulverizador, diminuindo o número de reabastecimento. Da mesma forma, diminuímos o número de translados até o local de enchimento do tanque. Isso ocasiona um menor tempo de interrupção, gerando um menor tempo da máquina, aumentando dessa forma a capacidade de campo operacional. Quando aumentamos o comprimento da barra também conseguimos aumentar a capacidade de campo operacional, devido ao incremento na faixa tratada, mas para isso é preciso ter tanques de maiores capacidade (veja no gráfico como a capacidade do tanque e o volume de calda afetam a capacidade de campo operacional). No final do dia verificamos que a área pulverizada será mais significativa do que se tivéssemos pulverizando com um volume de calda maior. Isso significa uma economia de energia, menos dias serão necessário para terminar a dessecação e um menor desgaste da máquina, ocasionando um custo mais baixo que é de suma importância pois sabemos que a safrinha é uma cultura de risco e que quanto mais eficiente o processo de implantação menor será o capital de risco. Além da diminuição do volume de calda, existem outros fatores importantes a serem considerados para obter aumento da eficiência de campo, são eles: Trabalhar com calda pronta: Quando se trabalha com calda pronta há possibilidade de reenchimento do tanque do pulverizador a qualquer momento, evitando frequentes translados, pelo esgotamento no meio do talhão ou no carreador oposto ao veículo reabastecedor. Na aquisição de um novo pulverizador dar preferência para o que tiver maior capacidade de tanque, para que a autonomia (ha/tanque) seja maior. Quando aumentamos o comprimento da barra proporcionamos uma melhor eficiência. É importante observar que o aumento do comprimento da barra deve ser seguido pelo aumento do tanque, para nos proporcionar uma boa autonomia. Sempre que possível pulverizar no sentido do maior comprimento para diminuir o tempo gasto com manobras ao final de cada talhão. Organizações de equipes: Minimizar o tempo despendido na organização das equipes, com um fluxo adequado de atribuições/tarefas aos operadores e preparação antecipada dos equipamentos de aplicação.
Além desses cuidados devemos estar sempre atentos para algumas recomendações a serem seguidas antes de começar a dessecação e ao longo da jornada de trabalho, são eles: 1) Constatar que a máquina está em bom estado de conservação. 2) Retirar as capas de engate, os filtros de bico e as pontas e pulverizar com água para eliminar possíveis sujeiras. 3) Verificar se todos os bicos estão com mesmo espaçamento. 4) Verificar se as pontas estão desgastadas.
Importante
A vazão de cada bico não deve variar mais ou menos que 5% da média
A vazão da média não de variar mais ou menos que 5% da vazão calculada na regulagem.
A vazão de cada ponta não deve ser maior que 10% da vazão indicada na tabelo do fabricante, para aquela pressão.
Se duas ou mais pontas estiverem ruins todas as pontas e filtros de bico deverão ser substituídos. 5) Utilizar ponta que lhe proporcione gotas grandes para menor deriva. 6) Fazer a correta regulagem e calibração do equipamento. 7) Adequar a pressão e a vazão da ponta para obter o volume de calda desejado. 8) Observar se a sobreposição dos jatos estão uniformes, proporcionando uma boa uniformidade de distribuição. 9) Pulverizar somente com condições adequadas de vento, umidade relativa e temperatura, evitando as horas mais críticas do dia. 10) Conferir regularmente a pressão com o auxílio de um manômetro de mão. 11) Limpar ao final de cada jornada de trabalho os filtros de linha e de bico. 12) Conferir regularmente a vazão das pontas para constatação de possíveis desgastes. Tomando esses cuidados fica a certeza de uma dessecação bem feita e uma boa eficiência do produto aplicado. Num mundo globalizado e de subsídios, onde está cada vez mais difícil competir no mercado, é preciso o máximo de eficiência no processo produtivo, evitando desperdício, priorizando a qualidade e respeitando o meio ambiente.
Literatura consultada
COLETO, R.; TASSÁRA, D.A.; AZENHA, A.C. Guia de pulverização de fungicidas na cultura do cafeeiro. São Paulo: BASF, 1999.40p.
CHRISTOFOLETTI, J.C. Considerações sobre deriva nas pulverizações e seu controle. 38º Congresso Bras. de Olericultura. Petrolina-PE,1998.19p.
MATUO,T. Técnicas de aplicação de defensivos agrícolas. Jaboticabal, FUNEP, 1990. 139p