Os resíduos vegetais deixados na superfície do solo no Sistema Plantio Direto podem alterar a acidez e influenciar o comportamento do herbicida
Antonio Sergio do Amaral1, Vítor Spader2, Ibanor Anghinoni2, Egon José Meurer2.
1UFRGS, Av. Bento Gonçalves, 7712, C.P. 776,CEP 90001-970 – Porto Alegre (RS),E-mail: asamaral@vortex.ufrgs.br, 2UFRGS
Cobertura de aveia altera o pH do solo
No sistema plantio direto, ocorre anualmente, uma produção considerável de diferentes resíduos vegetais, os quais permanecem na superfície do solo sem que o efeito destes materiais seja adequadamente quantificado na química do solo e na atuação de herbicidas. Com o objetivo de avaliar o potencial de resíduos de duas espécies vegetais: aveia-preta (Avena strigosa) e ervilhaca comum (Vicia sativa) na alteração da acidez do solo e na atividade do herbicida flumetsulam, foi conduzido um experimento em casa de vegetação do Departamento de Solos na UFRGS em Porto Alegre, RS, com duração de 28 dias, no mês de novembro de 1998. As unidades experimentais consistiram de vasos plásticos contendo 1 kg de solo seco pertencente à classe cambissolo húmico distrófico álico sobre o qual aplicou-se os seguintes tratamentos: 0, 5 e 10 t ha-1 de resíduos de aveia preta e de ervilhaca superficialmente, com e sem aplicação de herbicida. Cultivou-se como cultura reagente, quatro plantas de aveia branca (Avena sativa) por vaso. Determinou-se o pH (H2O, 1:1) e alumínio em amostras de solo coletadas em camadas de 0-3 cm. O pH foi determinado aos 7, 21 e 28 dias após a aplicação dos tratamentos e o alumínio extraído com KCl e CuCl2 somente aos 28 dias. Esses dados permitiram determinar a contribuição de dois mecanismos que controlam a solubilidade do alumínio trocável no solo, segundo procedimento descrito por Miyazawa et al (1993). No final do experimento determinou-se o rendimento de matéria seca de raíz e parte aérea da aveia branca. O delineamento experimental utilizado foi o completamente casualizado, com três repetições. Os resíduos vegetais utilizados causaram aumentos rápidos no pH do solo atingindo valores máximos aos 7 dias após a sua adição. Após, houve diminuição gradativa, e ao final do experimento, o pH do solo com as maiores doses de ervilhaca ainda estava com valores acima da testemunha. A dose de 10 t ha-1 de resíduos de ervilhaca causou maior elevação no pH do solo e a dose de 5 t ha-1 de resíduos de aveia preta a menor (Figura 1). Os resíduos de aveia-preta, embora tenham causado menor alteração no pH, proporcionaram diminuições superiores a 80% no teor de alumínio trocável. A neutralização do alumínio foi explicada por dois mecanismos: complexação orgânica e aumento de pH. A diminuição na adsorção da molécula do flumetsulam aos colóides do solo com o aumento do pH, promove maior disponibilidade do herbicida na solução do solo, possibilitando maior absorção pelo sistema radicular das plantas, causando maior injúria nas espécies sensíveis (Kleschick et al., 1992). Neste trabalho, observou-se que a elevação do pH do solo, promovida pela aplicação dos resíduos vegetais, aumentou a eficiência do herbicida, provocando a diminuição da matéria seca de raizes e da parte aérea da planta reagente.