Intimidade do plantio direto
No momento em que festejamos o sucesso da Expodireto Cotrijal’2001, consagrada rapidamente como uma das três grandes feiras agrodinâmicas do Brasil, a Revista Plantio Direto continua com a sua proposição de um debate mais aprofundado das tecnologias que compõe o sistema, pois isso é condição fundamental para o sucesso no empreendimento agropecuário. Neste edição, estamos apresentando o resultado de uma primeira mesa - redonda sobre alguns aspectos práticos, que vem sendo levantados por diversos produtores e assistentes técnicos, especialmente pelo engenheiro agrônomo Dirceu Gassen, assessor técnico da Cooplantio, referentes à qualidade do plantio sobre a palha que estamos praticando. “A tecnologia e o conhecimento que herdamos do plantio convencional, são praticamente as mesmas ferramentas que ainda utilizamos para o plantio direto”, afirma Dirceu Gassen, que tem flagrado inúmeras situações de lavouras em que a velocidade da semeadura, e outros aspectos importantes para o bom desenvolvimento das raízes e das plantas, são comprometidos pelo descaso na utilização das informações disponíveis. A redução de custos e o aumento da produtividade são itens fundamentais para a sobrevivência da agricultura moderna, em função da competitividade, aguçada pela globalização. O plantio direto é a base dessa agricultura, mas só dizer que faz plantio direto não basta. É preciso penetrar na intimidade do processo e conhecer os caminhos por onde tudo se desenvolve. Existem meios e o conhecimento para essa viagem, para um turismo técnico dentro do solo, no meio da palha, nos intestinos das plantas e dos organismos agregados. Na palavra de Dirceu Gassen, é preciso pensar como a semente, olhar sob o seu ponto de vista para poder oferecer-lhe o melhor substrato, pois dele depende o desempenho do indivíduo adulto e a boa produtividade da lavoura, que nos importa finalmente. Uma das constatações é que, para fazer isso, para conhecer a intimidade desse processo e ajudar a dirigi-lo na direção que queremos e necessitamos, é preciso um gasto de energia adicional e uma disponibilidade, para a qual a grande parcela de nós não está acostumada. Exige mudar, e isso custa caro. Mas, sempre é tempo, e nós estamos fazendo a nossa parte, apresentando dados para o debate e incentivando as ações. Nas próximas edições, estaremos apresentando o resultado de trabalhos e debates sobre aspectos fundamentais do plantio direto, abrangentes, como fertilidade e calagem, e específicos, como o desempenho do inoculante na cultura da soja. Neste momento, em que vários segmentos apontam para as luzes amplas do agronegócio, da internet e de tantas outras coisas grandiosas e necessárias, nós apostamos que o começo de tudo está em sujar as mãos, os pés e sentir o cheiro da terra, da vida, que se desenvolve sob a palha deixada sobre a superfície do solo, e conhecer todo esse mecanismo, para respeitá-lo e utilizá-lo em benefício do seu próprio empreendimento e da sociedade como um todo.