Manejo de pragas associadas ao milho
Dirceu N. Gassen;Pesquisador da Embrapa Trigo. Passo Fundo RS.E-mail: gassen@cnpt.embrapa.br
Introdução
Os insetos são considerados praga em milho quando atingem nível populacional capaz de causar danos e de reduzir o rendimento de grãos ou diminuir a qualidade do produto. Em milho, a estratégia de manejo de pragas pode ser elaborada de acordo com a espécie vegetal cultivada imediatamente antes (Tabela 1). Em azevém pode ocorrer a broca-do-azevém (Listronotus bonariensis), em aveia a lagarta-da-aveia (Pseudaletia spp.), em língua-de-vaca a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), em ervilhaca e em cornichão os percevejos (Dichelops spp.) e em pastagens as cigarrinhas (Deois spp.), os gafanhotos e os tripes. As pragas de estádios iniciais de desenvolvimento de milho podem ser agrupadas em causadoras de danos em sementes, na fase entre a semeadura e a emergência, e causadoras de danos em plântulas, após a emergência de plantas. Essas pragas iniciais afetam a população de plantas, o que se considera o principal fator limitante na produção de milho.
Tabela 1. Animais que se desenvolvem sobre culturas de cobertura vegetal e que podem tornar-se praga na cultura subseqüente sob plantio direto (Gassen, 1992b; 1993e; 1994).
Cultura dessecada
Praga em plântulas de milho
Aveia
Lagarta-da-aveia
Azevém
Broca-do-azevém
Crucíferas
Lesmas e lagarta-do-nabo
Gramíneas
Tripes
Leguminosas
Percevejos (Dichelops spp.) e lagartas
Milheto
Lagarta-dos-capinzais (Mocis latipes)
Pastagens
Cigarrinhas, gafanhotos, cupins e tripes
Tabela 2. Principais pragas em milho e estratégias de controle (DNGassen).
Praga
TS
Gr
LS
De
PA
DI
Larva-angorá
xx
Corós
xx
Lagarta-elasmo
x
xx
x
Lagarta-da-aveia
xx
x
xx
Broca-do-azevém
x
xx
Percevejo barriga-verde
x
xx
Cigarrinhas
x
xx
Larva-alfinete
xx
Cupim-de-monte
xx
Formigas
xx
Grilos
x
xx
Lagarta-do-cartucho
x
TS: tratamento de sementes; GR: granulado no sulco; LS: líquido no sulco; De: dessecação antecipada; PA: pulverização aérea; Di: aplicação dirigida; xx: controle satisfatório; x: controle parcial.
Larva-angorá
A larva-angorá ou lanudo, Astylus variegatus (Col., Dasytidae), apresenta ciclo biológico de um ano. As larvas desenvolvem-se no solo, a partir do verão e até o fim da primavera. Somente as larvas causam danos. Alimentam-se do endosperma de sementes de plantas daninhas ou cultivadas e evitam raízes e outras partes subterrâneas de plantas. O dano na semente impede a germinação ou debilita a plântula. Causam preocupação maior nas culturas com baixa população de plantas, como o milho. Os adultos alimentam-se de exsudatos de plantas, de néctar e de pólen, não sendo considerados praga em lavouras.
Cupins
Ocupim-de-monte, Cornitermes cumulans, é a espécie mais conhecida em pastagens e em lavouras no Brasil, onde constrói montes típicos, de contornos arredondados e textura rígida. Os cupins subterrâneos, Heterotermes sp. e Procornitermes striatus, constroem longas galerias no solo. Pouco se conhece sobre o ninho e sobre a biologia desse grupo. Os cupins alimentam-se de produtos celulósicos. A celulose é digerida por protozoários ou bactérias no interior do tubo digestivo do inseto. O controle de cupins depende da espécie e de suas características biológicas. Os cupins de monte podem ser controlados com a injeção de inseticidas na forma de pastilha gasosa, líquida ou de pó, através de uma abertura no topo do monte, nos meses de outono e inverno, antes da fase reprodutiva ou da revoada. Nos cerrados, os cupins subterrâneos Heterotermes sp. e Procornitermes atacam as sementes e a parte subterrânea de plantas cultivadas em lavouras. Eles podem ser controlados com inseticidas no tratamento de sementes.
Coró ou bicho-bolo
Os corós ou bicho-bolo (Col., Melolonthidae) são insetos de solo que atacam sementes e partes subterrâneas de plantas de milho. No sul do Brasil ocorre o coró-da-pastagem, Diloboderus abderus , onde causa danos nos meses de inverno e no início da primavera. O nível de dano em milho é inferior a uma larva/m2, pois o consumo de duas plântulas corresponde a 40 % de redução na população de plantas. O coró-do-trigo, Phyllophaga sp., ocorre independente da presença de palha ou do sistema de manejo de solo usado, causando danos no período entre fevereiro e setembro. Na região de clima tropical e nos cerrados brasileiros, os corós apresentam características de ciclo biológico e de danos adaptadas ao período de seca no inverno. No norte do Paraná ocorre o coró-da-soja, Phyllophaga cuyabana, com ciclo biológico de um ano causando danos a partir de dezembro e até abril. A ocorrência de larvas do coró-da-soja não é afetada pela presença de palha na superfície nem pelo sistema de manejo de solo. Populações maiores são observadas em áreas sob aração e gradagem de solo. No Mato Grosso do Sul ocorre a espécie Liogenys suturalis, com danos no período entre janeiro e abril e ciclo biológico de um ano, semelhante aos do coró-da-soja e de outras espécies que ocorrem em Goiás, em Minas Gerais e no Mato Grosso. Os corós causam danos na fase de larva de terceiro estádio, consumindo sementes e partes subterrâneas de plantas, com prejuízos maiores em milho safrinha. Quando inicia a estiagem de inverno, as larvas aprofundam-se no solo até 20 ou 30 cm e constroem câmaras larvais, onde permanecem em diapausa até setembro. As estratégias de controle de corós nos cerrados são diferentes das adotadas no sul do Brasil. Nos cerrados, a previsão de ocorrência e a identificação das manchas com populações maiores torna-se difícil, pois as revoadas e a oviposição ocorrem na fase de semeadura das culturas de verão (outubro). Os danos ocorrem dois meses após a semeadura e a revoada. O uso de inseticidas no tratamento de sementes ou de líquidos no sulco de semeadura, em geral, não apresenta persistência para o controle de corós. Nas manchas onde ocorrem os danos no verão (janeiro e fevereiro), recomenda-se a semeadura de uma cultura de ”safrinha” com inseticida no sulco de semeadura ou no tratamento de sementes. Ao decidir sobre o controle de corós, é necessário identificar a espécie predominante, avaliar a capacidade de danos e, se necessário, optar por alternativas com menor impacto ambiente.
Broca-do-azevém
A broca-do-azevém, Listronotus bonariensis (Col., Curculionidae), apresenta ciclo biológico de 4 a 5 semanas. O besouro adulto realiza a postura em gramíneas, com destaque para o azevém, centeio e trigo. A larva atinge 0,3 cm de comprimento e alimenta-se de plantas pequenas, de gemas e de afilhos, causando o definhamento e a morte do hospedeiro. As larvas maiores migram das plantas de azevém dessecadas para as plântulas de milho, broqueando o ponto de crescimento e causando a morte destas. O dano da broca-do-azevém em milho sempre ocorre a partir de insetos presentes na lavoura. A aplicação de inseticidas, misturados com herbicidas ou pulverizados na parte aérea de plantas de milho, não controla as larvas da broca-do-azevém, e poucos produtos são eficazes contra os adultos. O tratamento de sementes de milho com inseticidas resulta em controle parcial, não garantindo proteção efetiva de plantas contra larvas e adultos da broca-do-azevém. Para o controle de larvas sugere-se dessecar o azevém infestado, com antecedência, usando herbicidas de ação rápida. Com isso corta-se o ciclo biológico da praga, impedindo a presença de larvas na fase de germinação de milho.
Grilos
Os grilos (Ort., Gryllidae), Gryllus assimilis e Anurogryllus muticus, permanecem no interior de galerias subterrâneas durante o dia, bloqueando a entrada com terra. Após períodos de chuva, os grilos depositam montículos de terra, resultantes da escavação, que caracteriza a presença da praga na lavoura. No período entre abril e junho, a contagem dos montículos permite determinar a população e a distribuição do inseto nas lavouras. A partir do início da primavera passam à fase adulta, iniciam a reprodução e causam danos severos em plântulas. Causam, ainda, redução na população de plantas, especialmente durante períodos de estiagem. O controle de grilos em lavouras extensivas é considerado difícil em virtude do hábito de a praga proteger-se nas galerias e, aparentemente, evitar o consumo de plantas tratadas com veneno. A aplicação de inseticidas na parte aérea de plantas resulta em controle insatisfatório. Entretanto, pode proteger a cultura contra a praga por alguns dias, possivelmente por repelência. O uso de iscas com inseticidas é a alternativa de controle de grilos em lavouras.
Lagartas cortadorasde plântulas
As lagartas (Lep., Noctuidae) que ocorrem com maior freqüência atacando plântulas são a lagarta-rosca, Agrotis spp., a lagarta-da-aveia, Pseudaletia spp., e a lagarta-militar, Spodoptera frugiperda. Em geral predomina uma das espécies, que está associada à cultura anterior. A lagarta-rosca ocorre em vários ambientes associada a algumas plantas hospedeiras. Nas várzeas e em áreas infestadas com língua-de-vaca (Rumex spp.) ou caruru (Amaranthus spp.), desenvolvem populações mais elevadas. A larva corta plântulas rente ao solo e as transporta para dentro da galeria. Essa característica, diferentemente da lagarta-da-aveia, determina índices menores de controle com inseticidas no tratamento de sementes. A lagarta-da-aveia desenvolve-se a partir de postura realizada em plantas verdes. As lagartas deslocam-se dezenas de metros em busca de alimento. Consomem as folhas de plântulas a partir do ápice e até dentro do solo. A dessecação duas a três semanas antes da semeadura da cultura de milho interrompe o ciclo biológico da lagarta-da-aveia. Alguns inseticidas em tratamento de sementes são eficazes no controle da lagarta-da-aveia até duas semanas após a semeadura. A lagarta-militar ou lagarta-do-cartucho também ocorre na fase de plântula, nos cerrados, e pode ser confundida com a lagarta-rosca. A aplicação de inseticidas, via líquida, no sulco de semeadura parece ser uma alternativa eficiente de proteção contra lagartas que atacam plântulas.
Percevejo barriga-verde
O percevejo barriga-verde é conhecido como inseto secundário em soja e importante praga em plântulas de milho. A espécie mais freqüente em soja e em milho é Dichelops (Neodichelops) furcatus (Hem., Pentatomidae). Nos cerrados predomina a espécie D. melacanthus. O ciclo biológico das duas espécies completa-se em pouco mais de um mês. Os adultos voam distâncias curtas (até alguns quilômetros) em busca de plantas adequadas, como ervilhaca (Vicia spp.) e outras leguminosas. Tendem a ocorrer em milho semeado sobre leguminosas infestadas ou em cultivo de safrinha sobre áreas de soja. Na fase de germinação de milho, praticamente, não há planta verde na lavoura e o ambiente é desfavorável para o percevejo. Para emigrar, os percevejos necessitam alimentar-se e armazenar energia para viabilizar o vôo para outras áreas. Os percevejos barriga-verde sugam a base de plântulas de milho, injetando saliva para facilitar a penetração dos estiletes e para solubilizar substâncias a serem extraídas. O milho é muito sensível a essa saliva. As folhas que crescem após o dano do inseto apresentam deformações, havendo redução no crescimento e morte de plantas. Um sintoma típico do dano causado pelo percevejo é o aparecimento de folhas com orifícios dispostos em linha transversal no limbo foliar. Quanto menor o tamanho da planta atacada, maior é o potencial de dano do percevejo.
Cigarrinhas-das-pastagens
Várias espécies de cigarrinhas-das-pastagens (Deois spp., Hom., Cercopidae) ocorrem em gramíneas nativas ou cultivadas. Os adultos atingem 1,0 cm de comprimento e apresentam coloração variável, com desenhos nas asas, que caracterizam as diferentes espécies. O ciclo biológico completa-se em dois meses e a longevidade dos adultos é de duas a três semanas. Em milho, apenas as cigarrinhas-das-pastagens adultas causam danos. Durante o processo de introdução dos estiletes na planta, elas injetam saliva fitotóxica, que causa a morte de plântulas. Populações equivalentes a duas cigarrinhas podem causar a morte de uma plântula de milho. A partir da fase de quatro folhas, as plantas de milho toleram o dano da cigarrinha. As populações de cigarrinhas podem desenvolver-se em gramíneas que precedem o milho ou imigrar de pastagens das proximidades da lavoura. A infestação de fora resulta na morte de plantas nas bordas, seguidas de plantas com menor desenvolvimento vegetativo e plantas normais.Nas gramíneas que precedem o milho, deve-se decidir sobre a necessidade de controle antes da semeadura. Nas lavouras próximas à pastagens nativas ou cultivadas, infestadas com cigarrinhas, deve-se controlar a praga na borda da lavoura e na borda da pastagem, com inseticida.
Cigarrinha-do-milho
A cigarrinha-do-milho apresenta tamanho pequeno, inferior a 0,5 cm de comprimento, coloração verde-clara, com variações entre esbranquiçado e marrom-claro. As fêmeas realizam a postura em gramíneas. Os adultos movimentam-se com agilidade e são encontradas principalmente em lavouras isoladas, inseridas em regiões com gramíneas nativas e pastagens. Ocorrem em população maior no final do verão e no outono, em milho plantado tardiamente ou safrinha. As ninfas e os adultos extraem seiva das folhas e são vetores de micoplasmas, causadores do enfezamento e do nanismo-arbustivo do milho e do vírus do mosaico-de-estrias finas. A saliva tóxica, injetada nas plântulas, pode reduzir a velocidade de crescimento e provocar estrias amareladas nas folhas. Na Argentina, cigarrinhas dos gêneros Delphacodes e Toya, transmitem Fijivirus e causam a doença denominada mal-de-Rio Quarto, com sintomas semelhantes aos do enfezamento. O uso de inseticidas, antes das cigarrinhas alimentarem-se de milho, é uma alternativa de controle. Entretanto, pouco se conhece sobre plantas hospedeiras de micoplasmas e de vírus, para recomendar-se estratégias eficazes de manejo da praga. O uso de inseticidas não impede o aparecimento de plantas com enfezamento, nanismo ou mosaico, pois a cigarrinha, ao extrair seiva da planta, antes de intoxicar-se com inseticida, pode injetar saliva e com ela os microrganismos, morrendo após.
Larva-alfinete
A larva-alfinete ou larva-da-vaquinha (Diabrotica speciosa, Col., Chrisomelidae) é importante praga em lavouras de milho com rendimento elevado. Os adultos alimentam-se de folhas de feijão, de soja, de abóbora e de outras culturas. As fêmeas fazem a postura no solo, junto à plântulas de gramíneas e de batata. No milho, a postura é feita quando a planta apresenta 4 a 6 folhas, duas a quatro semanas após a semeadura. No sul do Brasil, podem ocorrer cinco a seis gerações do inseto por ano, não havendo diapausa no inverno. Em geral, a cultura que antecede o milho, não influencia sobre a ocorrência da larva-alfinete, pois, os adultos voam com facilidade e apresentam hábitos alimentares diferentes das larvas. Entretanto, a presença de culturas hospedeiras para adultos (feijão, girassol, abóbora, ervilhaca e outras), na mesma época e no mesmo ambiente, pode facilitar a postura e a ocorrência de larvas em milho. Os danos causados pela larva-alfinete, em milho, ocorrem no período que se situa entre um a dois meses de desenvolvimento da planta. Atacam as raízes adventícias, causando o tombamento de plantas. Aos 60 dias após a semeadura, após a fase de danos das larvas, as plantas emitem raízes nos nós superiores firmando-as ao solo, resultando no curvamento típico da planta de milho, denominado de ”pescoço-de-ganso”. As plantas acamadas dificultam a colheita mecanizada provocando perdas no rendimento de grãos. As larvas atacam as raízes na fase em que as plantas extraem maior quantidade de nutrientes do solo. As lavouras semeadas fora de época (safrinha) e as lavouras pequenas e isoladas tendem a ter populações maiores de larvas e danos mais severos. As lavouras infestadas com mais de 10 larvas-alfinete por planta de milho, podem apresentar sintoma de acamamento. O controle da larva-alfinete em milho é mais difícil do que o de outras pragas. O tratamento de sementes com inseticidas, protege as plantas até duas a três semanas após a semeadura, com persistência insuficiente para o controle da larva-alfinete que inicia a fase de danos em torno de 35 dias após a semeadura. A aplicação de inseticidas líquidos ou granulados no sulco de semeadura é alternativa de controle da praga. Essa forma de aplicação de inseticidas também substitui o tratamento de sementes para a proteção nas fases de germinação e de instalação das plantas.
Lagarta-do-cartucho
A lagarta-do-cartucho ou lagarta-militar (Spodoptera frugiperda, Lep., Noctuidae) é considerada, na bibliografia brasileira, a principal praga em milho. A capacidade de danos da lagarta é influenciada pelo vigor da planta e pelo clima. Na região tropical, os danos podem ser severos. No milho safrinha, em períodos de seca, a lagarta ocorre desde a germinação até a fase de maturação, causando danos semelhantes aos de outras lagartas. As larvas jovens consomem parte das folhas e mantém a epiderme intacta, sugerindo o sintoma de raspagem. As lagartas maiores perfuram as folhas e desenvolvem-se no cartucho do milho. Também podem broquear a base da planta e atacar a espiga, à semelhança de outras lagartas. A partir da fase de pendoamento, desaparece o cartucho e a lagarta penetra na espiga, onde busca proteção. Estudos realizados pela Embrapa Milho e Sorgo, evidenciam que plantas de milho infestadas com a lagarta-do-cartucho, sofrem injúrias com maior intensidade na fase de oito a dez folhas, podendo reduzir 19 % no rendimento. Na fase até seis folhas e a partir de 12 folhas, os danos da lagarta-do-cartucho são inferiores a 9 % da produção de grãos. Na fase até três semanas após a semeadura, durante períodos de seca, a lagarta-do-cartucho pode causar danos severos. Nessas situações o controle torna-se necessário nas lavouras em que o potencial de rendimento é superior a 5 t/ha. Estudos realizados no sul do Brasil desde 1993, marcando plantas com e sem danos, evidenciam que as atacadas pela lagarta-do-cartucho, na fase de oito folhas, mostraram produções equivalentes as sem danos, em períodos com chuvas normais. Esses resultados validados em lavouras de agricultores com o acompanhamento da assistência técnica indicam que não há resposta na produção de grãos de milho, com o controle da lagarta, durante períodos de chuvas regulares. No sul do Brasil, durante períodos com chuvas normais, questiona-se a necessidade de controle da lagarta-do-cartucho, em função da ausência de resposta no rendimento de grãos, pela morte natural das lagartas, pela baixa eficiência do controle químico e pela ressurgência da praga com o uso de inseticidas de amplo espectro de ação. Entre as dificuldades, para o controle químico, pode-se destacar a localização da lagarta dentro do cartucho do milho, impedindo o contato com o inseticida e a possibilidade de ressurgência da praga devido a morte de inimigos naturais.
Uso de inseticidas em milho
Os inseticidas aplicados na parte aérea, mesclados com herbicidas, causam a morte de insetos que se encontram acima da superfície do solo (lagartas, percevejos, besouros, moscas, vespas etc.) com persistência inferior a uma semana. Não tem efeito sobre pragas de solo e não substituem o tratamento de sementes. O tratamento de sementes em milho protege contra pragas que atacam sementes (corós, larva-arame, lanudo etc.) até duas semanas após a semeadura. É difícil alcançar persistência maior do que três semanas. Algumas vezes parece proteger por períodos maiores, porém, pode ser por causa da ausência da praga. O tratamento de sementes contra pragas que atacam plântulas apresenta resultados erráticos. Inseticidas contendo tiodicarbe protegem bem contra a lagarta-da-aveia. Para a lagarta-rosca (cortadora do colo), brocas, cigarrinhas, percevejos, grilos e outras pragas iniciais os resultados são instáveis e a persistência é curta. Quando ocorrem chuvas normais o controle é bom. Em períodos de seca ocorrem problemas de absorção de inseticida, maior atividade fisiológia da praga e a planta não cresce, resultando em menor eficácia de tratamentos de semente. Os inseticidas imidaclopride e tiametoxam são excelentes para o controle de homópteros (pulgões, mosca-branca etc.) e possibilidade de controle do percevejo barriga-verde. São pouco eficientes para controle de lagartas em plântulas de milho. Mais pesquisa é necessária para recomendações segura de controle de pragas iniciais, em plântulas de milho com esses inseticidas. A quimigação, ou aplicação de inseticidas na água de irrigação é adotada por alguns agricultores para o controle de lagarta-do-cartucho. Entretanto, se considerar o elevado volume de água aplicado na irrigação (5 mm= 50.000 l/ha) e a baixa capacidade da planta reter água (600 l/ha na superfície das folhas e 2000 l/ha no cartucho) o índice de aproveitamento de inseticida é inferior a 2 %. Ou seja 98 % do inseticida aplicado na irrigação cairá no solo com a água da irrigação. É uma método ineficiente e deve ser evitado pelo efeito na morte de inimigos naturais de pragas e na ressurgência das pragas cujos adultos são voadores como as mariposas e os pulgões. O uso de inseticidas no sulco de semeadura (granulados ou líquidos) apresenta a vantagem de aplicar maior quantidade de ingrediente ativo, do que permite o tratamento de sementes de milho (apenas 5 sementes/m², lisas e com pouca aderência). A aplicação de granulados é limitada pelo preço elevado da formulação e pela necessidade de adaptar uma terceira caixa para distribuir o inseticida. A aplicação de líquido no sulco apresenta a vantagem de optar por formulações mais baratas, usadas para aplicação na parte aérea de plantas, e a experiência de agricultores na regulagem de pulverizadores. As dificuldades de aplicação dependem da adaptação ou da aquisição de equipamento para a aplicação no sulco de semeadura. É importante regular a vazão para volumes baixos, em torno de 10 l/ha. Deve-se optar por manômetro de baixa pressão, para permitir melhor regulagem, e bico cone de baixa vazão e sem difusor, ou bico leque com ângulo menor, dirigindo o jato na forma de esguicho, para dentro do sulco, sem molhar o disco de semeadura e sem pulverizar o solo ou a palha que ficará exposta à radiação solar. Aplicar dentro do sulco e cobrir com a roda ou disco de fechamento (cobertura) do sulco de semeadura