Análise da Produção Brasileira de Milho


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Publicado em: 01/08/2000

Análise da produção brasileira de milho

Luiz Ataides JacobsenEngº Agrº. EMATER/RS. Passo Fundo - RSE-mail: ataides@cnpma.embrapa.br

1. Introdução

As pesquisas arqueológicas indicam que a origem do milho é americana, provavelmente da região onde hoje se situa o México, e que foi domesticado entre 7.000 e 10.000 anos atrás. A primeira referencia ao milho foi feita em novembro de 1492, quando Colombo explorava a costa norte da ilha de Cuba. Quando da descoberta das Américas, o milho era cultivado desde o sul do Canadá até o centro do Chile, constituindo-se em alimento básico para civilizações indígenas como a dos Aztecas no México, Incas no Peru e Mayas na América Central. Atualmente a cultura do milho é a terceira em área de plantio no mundo, superada apenas pelo trigo e arroz. Ocupou no quinquênio 1995/99, segundo as informações disponibilizadas pela FAO, uma área média anual de 139.586.973 ha, com rendimento de 4.164 kg/ha. No Brasil, do total de grãos produzidos na safra 98/99, o milho representou 39,32%, seguido pela soja (37,32%) e arroz (14,05%). A produção de milho, importante para todos estados brasileiros, envolvendo 2.539.892 agricultores, se dá em uma primeira safra que abrange todas as regiões do país e numa segunda safra ou ”safrinha”, concentrada na região Centro-Sul. Como elemento básico na formulação de rações, desempenha papel estratégico na produção de proteínas animais, além de apresentar a marcante característica de ter cotações, normalmente muito abaixo dos seus eventuais substitutos e complementos. Outro aspecto relevante é de que os preços do mercado interno refletem muito pouco, ou apenas em situações excepcionais, as cotações do mercado internacional.

Figura 1. Distribuição geográfica da produção brasileira de milho (%). Safras 1995/99.

2. Produção mundial

A produção mundial de milho no quinquênio 1995/00, foi na média dos anos, igual a 578,70 milhões de toneladas, enquanto as exportações somaram 75,75 milhões. Em 1998/99 superou os 600 milhões de toneladas e as projeções para a safra 2000/01 indicam uma produção de 614,93 milhões de toneladas, para um consumo estimado em 608,86 milhões. No contexto internacional, a produção de milho dos Estados Unidos ocupa lugar de destaque. No quinquênio referido, o milho americano representou 39,51% da produção mundial e 62,73% das exportações. A China, também grande produtora desse cereal, respondeu por 20,89% da produção, mas a participação chinesa é pouco expressiva no mercado internacional, além de ofertar volumes muito variáveis de um ano para outro. Por outro lado, a Argentina, produtora de modestos 2,59% do milho colhido no mundo, responde por 12,44% das exportações mundiais. A União Européia, produtora de 6,04% e consumindo 6,38% do total mundial, se constitui em importadora líquida de milho. O Japão é um dos principais importadores de milho, adquirindo nos últimos tempos volumes um pouco superiores a 16 milhões de toneladas anualmente. O México e a Coréia do Sul são também tradicionais importadores de milho.

3. Produção no Mercosul

Segundo dados da FAO, os quatro países que constituem o Mercosul, no período 1995/99 (5 safras), cultivaram em média 15.897.067 ha de milho anualmente, obtendo 47,99 milhões de toneladas (3.019 kg/ha). A média de produção paraguaia foi de 876.761 toneladas anuais, com rendimento de 2.428 kg/ha. O Uruguai colheu 170.600 toneladas anuais e o rendimento médio alcançou 2.966kg/ha. A Argentina, segundo maior produtor do bloco e segundo maior exportador mundial, nas 5 safras mencionadas, colheu em média 14,11 milhões de toneladas anuais, consumindo 5,31 milhões e exportando 8,88 milhões. Na safra 1997/98, esse país colheu 19,36 milhões de toneladas, produção recorde que possibilitou a exportação de 12,22 milhões de toneladas. Com rendimentos crescentes, os argentinos se consolidam no mercado internacional e reforçam sua posição de principais fornecedores para o mercado brasileiro.

4. Produção nacional

O volume total de milho produzido no Brasil, evoluiu de 26.520.100 toneladas anuais na média do quinquênio 1989/93, para 33.633.500 toneladas anuais no período 1995/99 (26,8%). No mesmo período a área cresceu de 12.996.000 ha, para 13.147.200 ha (1,2%). O rendimento médio passou de 2.041 kg/ha para 2.558 kg/ha (25,3%). A produção da primeira safra passou de 25.298.600 toneladas (2.095 kg/ha) para 29.192.300 toneladas (2.647 kg/ha). Por outro lado a área caiu de 12.144.900 ha para 11.027.400 no referido período. O crescimento de 15,4% na produção da primeira safra, portanto inferior ao aumento total, demonstra ser a ”safrinha” responsável pelo maior percentual do volume disponibilizado internamente (Tabela 1). No caso da segunda safra, a área passou de uma média anual de 851.600 ha no quinquênio 89/93, para 2.119.800 ha em 95/99. A produção evoluiu de 1.221.600 toneladas (1.435 kg/ha) para 4.441.200 toneladas (2.095 kg/ha). Essa segunda safra que representava em 89/93 apenas 4,61% da produção nacional, aumentou sua participação para 13,2%. Observa-se um crescimento acentuado da ”safrinha” a partir de 1990/91, quando a área foi de 799.600 ha, evoluindo para 2.690.600 ha no ano agrícola 98/99, alcançando 5.651.400 toneladas, ou 17,4% da produção nacional. A produção nacional de milho está distribuída em todo o território (Figura 1), predominando em volume produzido, a região Sul, seguida da região Sudeste. A região Centro-Oeste, responsável por 17% da produção brasileira no período 1986/90, cresceu para 19,5% em 1995/99. Esse espaço foi cedido pela região Sudeste que reduziu a sua participação de 28,6% para 24,1% no mesmo período. Apesar da região Centro-Oeste vir aumentando a participação no abastecimento brasileiro, observa-se que a área média anual cultivada no período 1989/93 na primeira safra (1.463.840 ha) era superior a média de 95/99 (1.190.920 ha). A produção entretanto cresceu, com os ganhos de rendimento evoluindo 43%. Outro aspecto relevante na produção de milho dessa região é a expansão da ”safrinha” que de apenas 6.500 ha cultivados em 1989/90, cresceu para uma média anual de 728.100 ha no quinquênio 1995/99. A produção passou de 12.300 toneladas para 1.632.840 toneladas no período. Destaca-se que o estado de Mato Grosso nos últimos 4 anos, vem plantando na ”safrinha” área superior à primeira safra. No cenário nacional, o estado do Paraná, onde o milho está presente em 229.397 estabelecimentos rurais, é o maior produtor, quer seja na safra ou ”safrinha”. Nas últimas cinco safras (1995/99), a área média anual cultivada na primeira safra foi de 1.774.500 ha, produzindo 6.549.700 toneladas (3.691 kg/ha). A ”safrinha” teve área de 729.300 ha e produção de 1.675.100 toneladas. O estado foi responsável por 16,1% da área na primeira safra e 34,4% da segunda. No volume total de produção do país lhe coube 24,5% no período analisado. Nos últimos anos, o Paraná que no início dos anos 1990 cultivou mais de 2 milhões de ha na safra, vem apresentando tendência de redução do plantio dessa época, e acréscimo na ”safrinha”. O Nordeste brasileiro conta com 1.235.735 estabelecimentos agropecuários que cultivam milho, representando 48,7% do total nacional. A área média cultivada por estabelecimento é de apenas 1,9 ha. A região Nordeste, no período 1995/99 teve uma área média anual cultivada de 2.597.420 ha e uma produção de 2.162.460 toneladas (833 kg/ha). Além dessa área, no estado da Bahia, foram plantados em média 253.120 ha anuais na ”safrinha” no período referido, alcançando 207.180 toneladas (818 kg/ha). A maior produção nordestina de milho, nos últimos 12 anos, aconteceu na safra 1995/96 quando foram colhidas 2.708.700 toneladas (869 kg/ha), podendo ser superada pela safra 99/00, cujas estimativas indicam 2.822.500 toneladas (1.238 kg/ha).

5. Oferta e demanda nacional

Quantificar o consumo de milho no Brasil é uma tarefa que exige grande esforço, visto ser um produto com elevado nível de auto abastecimento nos estabelecimentos agrícolas. Os dados do Censo Agropecuário 1995/96, indicam que 34% da produção nacional não é vendida. A região Centro-Oeste é aquela que mais comercializa, retendo para consumo nos estabelecimentos rurais, apenas 18,2% do volume produzido. O estado do Paraná, comercializando 78,4% das suas safras, também se caracteriza como um estado cuja produção de milho está voltada ao mercado, conforme indica o último Censo Agropecuário. De modo geral no Brasil, o estado do Paraná e o Centro-Oeste, com destaque para Goiás são os exportadores internos. O Paraná abastece sistematicamente Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. As estimativas da CONAB para 1999/00 indicam que o consumo de milho no estado de Santa Catarina será de 4,7 milhões de toneladas, enquanto o Rio Grande do Sul e São Paulo consumirão 6,4 e 6,8 milhões de toneladas, respectivamente. O estado do Paraná deve consumir 5,9 milhões de toneladas de milho. O estado de Goiás, mesmo com elevado incremento no consumo interno, deve disponibilizar 1,9 milhões de toneladas para outros estados brasileiros. Por outro lado, a região Nordeste, tradicional importadora, terá um déficit de 1,61 milhões de toneladas. Nos últimos anos a produção brasileira de milho não tem sido suficiente para atender a demanda (Tabela 2) e sistematicamente o país recorre às importações. A principal fonte externa de abastecimento é a Argentina, responsável por 74,38% do milho importado na média dos anos 1995 até 1999, seguida pelo Paraguai (16,14%) e Estados Unidos (7,73%). O consumo anual médio de milho cresceu de 20,93 milhões de toneladas no quinquênio 1982/86 para 25,58 milhões no período seguinte (1987/91). A demanda continuou crescendo ano após ano sem ser sistematicamente acompanhada pela produção, derrubando os estoques que chegaram a 25,80% do consumo em 1994/95 para apenas 3,45% projetados para o ano 1999/00. A indústria de rações, onde o milho representa 61% da matéria-prima utilizada na elaboração de alimentos para animais, evoluiu de 14.214.000 toneladas em 1988 para 32.500.000 toneladas em 1999, faturando aproximadamente US$ 7 bilhões e se colocando em lugar de destaque no cenário do agronegócio. Fazendo parte do complexo de proteínas de origem animal, a produção de aves de corte e postura consomem 57% da ração produzida, e a suinocultura 33%. A Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais (Anfal), espera para 2000 um crescimento de 7% na produção total de rações, em relação ao obtido em 1999, o que pode representar um consumo de milho da ordem de 21 milhões de toneladas pelo setor, gerando insegurança junto aos produtores de frango e suínos, mantida a tendência de estagnação na oferta.

Tabela 1. Área, produção e rendimento de milho no Brasil. 1988/89 - 99/00.

1ª safra

2ª safra

Total

Ano/Safra

Área(mil ha)

Produção(mil t)

Área(mil ha)

Produção(mil t)

Área(mil ha)

Produção(mil t)

Kg/ha

1988/89

12.308,4

25.647,0

665,8

620,6

12.974,2

26.267,6

2.025

1989/90

11.574,3

21.757,0

518,4

500,8

12.092,7

22.257,8

1.841

1990/91

12.652,1

23.040,8

799,6

1.055,5

13.451,7

24.096,3

1.791

1991/92

13.037,0

29.242,0

990,3

1.529,4

14.027,3

30.771,4

2.164

1992/93

11.152,9

26.806,1

1.283,7

2.401,5

12.436,6

29.207,6

2.349

1993/94

12.398,0

30.923,8

1.753,9

2.249,8

14.151,9

33.173,6

2.344

1994/95

12.615,0

33.991,0

1.667,8

3.451,2

14.282,8

37.442,2

2.621

1995/96

12.035,6

28.895,1

1.721,1

3.509,6

13.756,7

32.404,7

2.356

1996/97

11.600,4

31.704,4

2.198,5

4.011,2

13.798,9

35.715`,6

2.588

1997/98

9.070,1

24.605,1

2.321,0

5.582,7

11.391,1

30.187,8

2.650

1998/99

9.815,8

26.765,8

2.690,6

5.641,4

12.506,4

32.417,2

2.592

1999/00*

9.806,9

27.149,5

2.872,3

6.644,3

12.679,2

33.793,8

2.665

* PrevisãoFonte: CONAB (abr/00).

Tabela 2. Oferta e demanda de milho no Brasil (mil toneladas).

Safra

Produção

Importação

Consumo

Exportação

Estoque Final

1992/93

29.207,4

1.497,9

30.775,0

0,0

3.419,3

1993/94

33.173,5

1.568,6

32.732,0

0,0

5.429,4

1994/95

37.441,9

984,1

34.860,0

0,0

8.995,4

1995/96

32.404,7

376,7

35.208,0

607,6

5.961,7

1996/97

35.702,7

500,0

35.912,3

82,3

6.169,0

1997/98

30.188,0

1.785,0

35.000,00

0,0

3.122,0

1998/99

32.417,0

1.100,0

35.000,0

0,0

1.639,0

1999/00*

33.794,0

1.500,0

35.700,0

0,0

1.233,0

* PrevisãoFonte: CONAB (abr/00).

6. Produção gaúcha

O Censo Agropecuário de 1985, informava serem 385. 656 produtores de milho no RS e que 64,67% do cereal era consumido nos estabelecimentos. A área média cultivada em cada estabelecimento foi de 3,7 ha. O último Censo Agropecuário (1995/96), mostra que os estabelecimentos produtores de milho reduziram-se para 310.797 e a área média cresceu para 4,3 ha. Da produção colhida, o consumo nas unidades de produção representou 56,3%. No quinquênio 1976/80 a área média colhida foi de 1.715.040 ha por ano e a produção de 2.457.727 toneladas (1.433 kg/ha). Depois de uma leve crescimento na área cultivada até meados dos anos 1980, esta decresce nos cinco anos seguintes para recuperar-se no período 1991/95, quando a média anual chegou a 1.829.825 ha, com produção de 4.574.495 toneladas (2.500 kg/ha). Nestes cinco anos o Rio Grande do Sul obteve o melhor rendimento da sua história, a maior produção e também o pior rendimento dos últimos 20 anos (1.139 kg/ha na safra 1990/91). Da safra 1995/96 até as estimativas de 1999/00, a área média colhida anualmente fica em 1.471.094 ha e a produção alcança 3.735.673 toneladas, com rendimentos variando entre 2.171 kg/ha até 2.961 kg/ha (Tabela 3). Grandes oscilações nos rendimentos em razão de estiagens ocorridas durante o ciclo da cultura, associadas às variações na área cultivada, tem tornado altamente irregular a oferta do grão no mercado gaúcho. Além da irregularidade, a oferta nos últimos anos não atende as necessidades de consumo no estado, refletindo negativamente nas cadeias de aves e suínos especialmente. O consumo estimado para o Rio Grande do Sul em 1998/99 foi da ordem de 5.390.000 toneladas, das quais 30,6% destinadas a suinocultura e 36,2% para a avicultura. A CONAB por sua vez, estima volumes maiores consumidos no estado, projetando para 1999/00 algo em torno de 6.400.000 toneladas, fato que significaria um déficit igual a 2,6 milhões de toneladas.

Tabela 3. Área, produção e rendimento de milho no Rio Grande do Sul.

Safras

Área colhida - ha

Produção - t

Rendimento - kg/ha

1990/91

1.795.379

2.046.555

1.139

1991/92

2.007.320

5.533.543

2.756

1992/93

1.741.492

4.605.268

2.644

1993.94

1.721.487

4.751.443

2.760

1994/95

1.883.445

5.935.667

3.151

1995/96

1.363.877

2.960.973

2.171

1996/97

1.654.325

4.202.354

2.540

1997/98

1.503.001

4.450.856

2.961

1998/99

1.356.317

3.317.324

2.446

1999/00*

1.477.949

3.747.397

2.536

* PrevisãoFonte: IBGE/GCEA.

7. Cadeia do milho

A cadeia do milho interage com diversas outras cadeias de produção, além dos seus produtos finais apresentarem grande diversidade de usos. O milho é insumo em mercados tão diversos como o de alimentação humana e o farmacêutico. A cadeia do milho se constitui pelos setores responsáveis pelos insumos necessários à produção agrícola, a produção em si, os segmentos relacionados ao processos de estocagem e comercialização, indústrias de primeiro processamento, envolvendo a indústria de rações e a indústria moageira além daquelas de segundo processamento e os agentes de distribuição até o consumidor final. No segmento de insumos, o mercado de sementes e fertilizantes destacam-se pelos impactos no rendimento e pela elevada participação nos custos de produção. As sementes, ainda com pequena utilização da tecnologia nacional, tiveram seu desenvolvimento ligado às empresas de capital estrangeiro e se inserem num mercado altamente oligopolizado, onde nos últimos tempos, tem ocorrido processos de fusões e aquisições por grupos do setor de agro-químicos. No setor industrial de produtos derivados do milho, há uma lista de mais de 500 produtos. O processo de industrialização do milho para alimentação humana envolve basicamente o de moagem a seco e moagem úmida que absorvem aproximadamente 15% do consumo nacional. A moagem a seco tem longa tradição no Brasil, desde o processamento caseiro para obtenção da farinha, passando pelos moinhos coloniais até chegar as indústrias de alta tecnologia, distribuídas por todo o país com capital predominantemente nacional. No processamento via úmida, responsável por produtos de maior valor agregado, onde destacam-se o amido e amilopectina, a indústria é altamente concentrada, predominando empresas estrangeiras.

8. Considerações finais

Pela evolução do consumo de rações e pela menor parcela da produção retida para consumo nos estabelecimentos rurais, a produção brasileira de milho está perdendo o caráter predominantemente de subsistência, passando a apresentar sistemas de produção com características comerciais. Observando-se a evolução das regiões geográficas do país no abastecimento interno, nota-se a região Sul com linha de tendência constante, enquanto há clara inclinação da região Centro-Oeste substituir a produção do Sudeste. As produções estáveis, rendimentos mais elevados e menores preços, se constituem num dos principais atrativos para a migração de empresas voltadas à produção de aves e suínos para a região Centro-Oeste. Os estados da região Centro-Oeste consumiam em 1991/92 o equivalente a 29,7% do volume de milho que produziam e estarão consumindo 44,8% da produção, se confirmadas as projeções da CONAB para 1999/00. O estado de Goiás por exemplo, consumia em 1991/92 apenas 800.000 toneladas de milho, para em 1999/00 consumir 1.380.000 toneladas, de acordo com as estimativas da CONAB, significando um crescimento de 72,5%, muito acima dos 25,3% da demanda nacional no período. Outra tendência importante é o expressivo aumento da ”safrinha” ou segunda safra, alongando o perfil da oferta ao longo do ano, contribuindo para a menor dispersão dos preços e custos menores no carregamento dos estoques. O significativo incremento da segunda safra brasileira pode, pelo menos em parte, ser creditada às mudanças no ambiente institucional, com a abertura comercial brasileira, o Mercosul e a desregulamentação da cadeia do trigo, promovendo acentuada redução na área de cultivo desse cereal, abrindo espaço para o milho. Além disso, também as mudanças no ambiente técnico, com a rápida difusão do plantio direto, reduzindo substancialmente o espaço temporal entre a operação de colheita da cultura antecessora e o plantio do milho, parece se constituir em fator impulsor da expansão da safrinha.

Figura 2. Fluxograma resumido da cadeia do milho