Uso e preservação da água no tempo da crise previstas pela própria FAO, se já não aconteceram. As guerras do futuro serão por água e não por petróleo. Segundo a Revista Super Interessante (Julho/2000), metade da população mundial ficará sem água em 2025. As atuais gerações se impressionavam com a mística do ano 2000, há 30 anos atrás, como algo distante. Hoje, sabemos que o ano fatídico chegou e passou numa rapi- À imagem, já captada e exibida inúmeras Vezes, mostrando águas limpas saindo de lavouras sob plantio direto, e de águas escuras escorrendo de lavouras preparadas, é um ícone muito caro aos aficionados do sistema plantio direto. No entanto, embora existam estudos e pro- Jetos que trabalham os resultados positivos da semeadura direta sobre os corpos dágua, em várias situações, a sociedade, como um todo, longe está de reconhecer o impacto transformador que O sistema significou para a hidrosfera, principalmente no Continente Americano, onde se encontra a imensa maioria de lavouras, cerca de 45 milhões de ha, que passaram a utilizar o plantio direto, nas últimas três décadas.
Isto é importante salientar, no momento em que o 7º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha é realizado, em Foz do Iguaçu/PR, tendo como pano de fundo os projetos em desenvolvimento para a proteção do lago de Itaipu, através do incremento e difusão do uso do plantio direto entre os produtores lindeiros, e também num angustiante momento da história mundial em que, entre tantos outros assuntos cruciais, a questão da disponibilidade, uso e proteção das reservas de água doce dirige-se para uma encruzilhada, um caminho aparentemente sem rumo para uma parcela significativa da espécie humana.
A forma como a humanidade utilizou a água, e continua fazendo, é uma das grandes ironias que a história do Planeta Terra registra, a partir do momento recente, e quase inexistente, em que a espécie humana começou a circular, a partir do Leste da África. A sua trilha é devastadora e seca. Nas regiões mais antigas de seu habitat, nações precisam comprar água de outros países próximos (Israel vai importar água da Turquia, ZH, 9/7/2000), e guerras pela posse de mananciais estão dez indescritível, e que 2025 é depois de amanhã.
A água e o arroz À crise da água na China ensaia inflacionar a panela do mundo. O alerta é do Worldwatch Institute, de Washington. Quem assina a advertência é Lester — Brown, presidente da entidade. Os lençóis freáticos chineses estão em ritmo inesperado de exaustão. De um lado, pela demanda crescente da população, que Já passa de 1,2 bilhão de terráqueos. De outro, pelo uso e pelo abuso da irrigação.
Lester Brown informa que o governo iconoclasta de Pequim decidiu engavetar o objetivo nacional da auto-suficiência de alimentos. Primeiro, porque o “modelo exportador” cerebrado por Deng Xliaoping (1908-1997) está produzindo divisas de quase US$ 150 bilhões por ano, com saldos anuais de US$ 35 bilhões. Dá para importar proteínas vegetais e animais do capitalismo ocidental. Segundo, porque a “crise da água”, já detectada, dará prioridade de suprimento às cidades (em expansão) e às fábricas (em explosão).
A matéria é abrasiva. A China tira 75% da produção de cereais de lavouras irrigadas. Nos Estados Unidos a Irrigação não passa de 16% do espaço cultivado (no Brasil, menos de 3%). Os pesquisadores do Worldwatch Institute observaram na China um excesso de desperdício de água nas velhas técnicas de irrigação e baixos índices de produtividade nas lavouras irri gadas.
À economia chinesa, returbinada por aditivos capitalistas, cresce 7% ao ano e deve dobrar de tamanho até 2010. O setor rural em processo de reformulação estrutural cresce abaixo de 4% ao ano e amarga um corte de 27% nos subsídios estatais. À “impopularidade” do governo comunista de Pequim alastra-se pelos campos chineses e retarda, politicamente, uma “solução de mercado” para a crise da água: um choque tarifário no desperdício do precioso líquido no campo e da cidade.
Ou como escreve Lester Brown em seu último Worldwatch Issue Alert para a Internet (www.worldwatch.org.br): “Politicamente, é mais fácil duplicar os preços da gasolina nos Estados Unidos do que aumentar as tarifas da água na China.” Pelo sim, pelo não, o racionamento na zona urbana Já começou. A demanda cresce 5% ao ano para uma população que cresce apenas 19% ao ano.
Apenas? Para a cegonha amarela, 1% significa mais 12 milhões de chineses por ano. Ou mais 1 milhão por mês. Azar do campo. O governo chinês exibiu o desafio da água pela televisão e comparou: mil toneladas de água rendem uma tonelada de tri go (US$ 200). O mesmo volume de água da indústria bate ponto em mais US$ 14.000 de produto. Ou 69 vezes mais.
Joelmir Beting Extraído do Jornal O Estado de São Paulo Revista Plantio Direto E & | Julho/Agosto de 2000