Mudar custa caro
”Hoje, é indispensável abrir-se para o futuro. Hoje, com o plantio convencional, isto não é possível. Hoje, frente às resistências às mudanças, o desafio é inovar.”
A maioria dos agricultores não deverá permanecer na atividade nos próximos anos. Essa é uma tendência mundial e perversa, que vem se configurando no Brasil, de forma inexorável. Os números e a realidade são evidentes. Para a soja, nossa cultura principal, a sobrevivência indica uma escala mínima superior a 100 ha (200 ha na Argentina). Em última análise, trata-se de vender a atividade para as gerações mais novas, e sabemos que os jovens estão sendo atraídos pela vida urbana, algo que só é contrabalançado por uma folgada situação econômica e boas perspectivas para a propriedade agropecuária. Na base mais ampla da pirâmide, é notório que este quadro vem se aguçando negativamente nos últimos anos, com uma relação cruel entre a produção, os custos e o resultado final do trabalho. De outro lado, na direção do topo da pirâmide, e não obrigatoriamente dentro daquela fatalidade da escala, pois existem muitos pequenos que estão bem, existe uma parcela de produtores sólidos economicamente, que tem uma lucratividade adequada da atividade. Quem são eles? A resposta exige análise de uma soma de fatores, como as quebras por aspectos climáticos adversos, políticas macro-econômicas instáveis e de créditos (ou descréditos) bancários. Mas, entre aqueles que escaparam da seca e da areia movediça dos bancos, é possível identificar um grupo de sucesso, principalmente os que tiveram coragem e energia para mudar o paradigma da produção, envolvendo a adoção do plantio direto e todos os itens que direcionam para uma administração eficiente, de acordo com as exigências atuais. Não há como negar que vivemos tempos diferenciados, difíceis, e que somente aqueles que utilizarem o conhecimento adequado, e ele está disponível em diversas instâncias, poderão se manter na atividade agrícola e vender esse produto para seus filhos. Mudar custa caro, mas tem a sua contrapartida que é, provavelmente, a própria sobrevivência como espécie. O desafio é inovar, como diz a proposta da AAPRESID (Asociación Argentina de Productores en Siembra Directa), na frase utilizada acima, que chama para o 8º Congreso Nacional de Siembra Directa. A Revista Plantio Direto completa 10 anos em setembro e tem procurado levar aos produtores e assistentes técnicos uma parte daquilo que existe de mais atual, na busca dos objetivos de uma agricultura moderna e sustentável, em todos os sentidos. Podemos até estar trabalhando no topo mais elitizado da informação. Mas, temos a consciência de que essa é uma alimentação fundamental para aqueles que estão conseguindo ir em frente na atividade agropecuária. Precisamos propor sempre um avanço no conhecimento e não baixar ao nível da estagnação. Nossa proposta será sempre a de levar informações técnicas atualizadas e completas, servindo como um elo na cadeia entre as fontes geradoras e o consumo final. Se não for assim, outra fórmula não teria sentido.
Gilberto BorgesEditor