Faculdade de Ponta Grossa Forma Agrônomos em Plantio Direto


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Publicado em: 01/11/1996

Empresas procuram cada vez mais os novos profissionais com algumas formação nesta tecnologia para suprir as carências do mercado de trabalho em expansão.

partir de 1998 o curso de agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa - UEPG - centro-sul do Paraná, passou a ser o primeiro do país com a cadeira de Plantio Direto em seu currículo obrigatório. Mas para dizer a verdade, quase nem precisaria ser obrigatório. Hoje, como optativa, mais de 80% dos alunos da faculdade fazem está matéria em algum ano do curso. O resultado disto é ó .

ala IE) = Jornalista - Ponta Grossa- PR Emerson Urizi Cervi fácil de perceber. Segundo a coordenação do curso, cerca de 50% dos novos agrônomos formados anualmente na UEPG estão empregados antes da formatura, grande parte em função dos conhecimentos, adquiridos na técnica de cultivo sem revolver o solo. Segundo a coordenadora do curso, Vera Lúcia Agottani Cury, “as empresas já estão percebendo que o Plantio Direto é a melhor técnica para uma agricultura sustentável e Alunos do Curso de Agronomia da UEPG durante aula em laboratório João Carlos de Moraes Sá, professor da área de Fertilidade do Solo na UEPG procuram profissionais com experiência nela”. Quase todos os meses o curso de agronomia recebe visitas de representantes de multinacionais ou correspondências solicitando a indicação de engenheiros agrônomos formados em Ponta Grossa para trabalhar em Plantio Direto nas mais diversas regiões do País.

Com a implantação da cadeira obrigatória na grade curricular, os responsáveis pelo curso de agronomia da UEPG fazem novos projetos. A intenção é criar um curso de pós-graduação, como especialização ou mestrado, em Plantio Direto. No Brasil apenas a Universidade de Santa Maria-RS oferece pós-graduação em Plantio Direto atualmente. Como a região centro-sul do Paraná é um pólo de desenvolvimento e difusão de novas tecnologias em Plantio Direto, os professores querem aproveitar a localização privilegiada do curso de agronomia em Ponta Grossa para instalar a segunda pós-graduação específica para o Plantio Direto Brasil.

A coordenadora Vera Lúcia Cury explica que não é apenas devido à formação em Plantio Direto que os agrônomos formados em Ponta Grossa têm um bom conceito no mercado de trabalho, ”Aqui nós dividimos as atividades do curso em ensino, pesquisa e extensão; o que dá uma formulação completa aos acadêmicos”, explica. Além das aulas teóricas, o curso tem um amplo sistema de estágio para os formandos, inclusive com alguns fora do país e organiza o maior número de atividades extra-classe possível. Um exemplo é a Quarta Agronômica que está em seu terceiro ano de existência. Desde 1994, na maior parte das quartas-feiras dentro do período letivo os alunos não têm aulas teóricas das 16h às 18h. Neste horário, eles participam de palestra ministradas por técnicos, pesquisadores e produtores a respeito dos mais diversos temas. Foram mais de 35 temas tratados às quartas-feiras com os acadêmicos de agronomia. Vera Lúcia cita as palestras ministradas por Nonô Pereira - Presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto - a respeito de sistemas de produção com Plantio Direto em campos nativos e de agrônomos da Souza Cruz a respeito de Plantio Direto na cultura do Fumo como algumas das principais promovidas este ano. Além das Quartas Agronômicas, professores e acadêmicos organizam regularmente seminários, encontros e simpósios a respeito de temas técnicos.

Plantio Direto A cadeira optativa de Plantio Direto surgiu em 1983, e durante todos estes 13 anos vem sendo ministrada pelo professor Américo Conrado Meinicke. Entre as dezenas de matérias optativas oferecidas pelo curso, a mais procurada é a de Plantio Direto, com suas 30 vagas praticamente preenchidas todos os anos. Normalmente indicada para alunos do quarto ano, fazem a optativa acadêmicos de qualquer série. Emerson Antonio de Oliveira, que cursa agora o quarto ano, já tem Plantio Direto. Ele fez ano passado, apesar de não ser muito indicado. Emerson explica que “no terceiro ano nós ainda não estudamos herbicidas e isto dificulta um pouco no caso de Plantio Direto mas eu queria dar um passo à frente e procurei estudar herbicidas em casa para não me perder nas aulas do Américo”. Também para o acadêmico, o aprendizado em Plantio Direto é um “trunfo” do curso de agronomia da UEPG, pois à técnica apresenta um campo de trabalho potencial muito grande. Agora, existem 22 alunos cursando a optativa de Plantio Direto da UEPG, todos do quarto ano. É que os alunos do terceiro ano não estão fazendo a optativa porque o seu currículo prevê a matéria obrigatória no quinto ano.

— Aregião agropecuária também ajuda no aprendizado do Plantio Direto na faculdade. Em Ponta Grossa e nos campos gerais, atualmente, quase 90% das propriedades rurais fazem plantio direto e sempre há dias de campo ou outros eventos ligados a esta técnica promovidos pelos institutos de pesquisas, cooperativas ou secretarias municipais de agricultura da região. Mas o melhor para os acadêmicos é que já não existem limites regionais para O uso desta técnica. Hoje, em todas as zonas agricolas do brasil há alguém fazendo Plantio Direto em maior ou menor escala, Um exemplo desta explosiva expansão é o cerrado brasileiro. Nesta região, em 1982, haviam apenas 500 hectares cultivaotal de área com Plantio Direto nº país. Levantamentos realizados ano passado mosaa F a área de Plantio Direto no cerrado subiu Pordica milhões de hectares. E os pesquisadores que este número está ultrapassando, aposs——. em um crescimento ainda maior do Plantio reto nos próximos anos.

Ao contrário da maioria dos cursos, a faculdade de agronomia da UEPG dá muita importância ara o estágio de conclusão acadêmica. É comum e faculdades limitarem o campo de ação para os estagiários fazendo-os cumprir todas as horas exigidas em poucas funções. À coordenadora Vera Lúcia Cury diz que em Ponta Grossa os acadêmicos podem fazer O estágio na área que tiverem mais afinidade. Este semestre há três formandos estagiando no exterior pela UEPG. Um na Argentina, outra nos Estados Unidos e o terceiro na Nova 7elândia. Os professores concordam que o estágio é a melhor forma do acadêmico testar o ensino na prática. : o Além do estágio obrigatório a participação em eventos técnicos fora das salas e laboratórios da UEPG é outra obrigação que os acadêmicos têm que cumprir. E eles não participam apenas. Muitas vezes são os próprios alunos que organizam os eventos. O Encontro anual de Pesquisas Agronômicas, que teve sua segunda edição no último mês de junho, é um exemplo. Nestes encontros acadêmicos do quarto ano apresentam seus trabalhos de pesquisa em diversas áreas para os colegas e professores. Foram mostrados 22 trabalhos este ano. No mês de outubro aconteceu a Tarde de Campo, organizada por acadêmicos do terceiro ano, onde serão apresentados oito trabalhos de pesquisa feitos pelos alunos a respeito de manejo da fertilidade do solo no sistema Plantio Direto na cultura do tri- LABORATÓRIO DE ANÁLISES DE SEMENTES LTDA.

é Prestação de serviços em análises de sementes é Determinação da qualidade física, fisiológica e sanitária de sementes Rua Diogo de Oliveira, 640 - Fone: (054) 314 1585 Passo Fundo-RS Revista Plantio Direto - Ediçã go. A Tarde da da Onça, dirigi NICOS agricolas tio Direto no Br oferecem form prir a carênci mercado de t Campo foi na fazenda escola Capão da a acadêmicos, professores e téc- ' Com O crescimento do uso de Planasil as faculdades de agronomia que ação nesta área não conseguem sua de profissionais especializados no rabalho. O investimento em atividades Pesquisa e Ensino devem estar Juntos para fazer a difusão da técnica do Plantio Direto A entrada do pesquisador João Carlos Moraes Sá, O Juca, no corpo discente da faculdade de agronomia da Faculdade Estadual de Ponta Grossa, em março deste ano, teve a finalidade de aproximar o ensino da pesquisa na formação dos acadêmicos. Para Juca, o Plantio Direto entrou em um estágio de difusão “a passos largos” que não tem mais volta. Hoje há plantio direto na maioria dos estados do país, porque nos trópicos esta técnica é a base de sustentação dos sistemas de produção agrícola a longo prazo”, explica o pesquisador. O desafio agora é treinar profissionais para difundir a técnica corretamente. O grande evento técnico em Plantio Direto promovido pelo curso de agronomia este ano foi o primeiro Ciclo de Palestras em Manejo de Solo no Plantio Direto, entre 26 e 30 de agosto. Segundo Juca, este simpósio teve a finalidade de proporcionar a discussão de resultados de pesquisas atualizadas sobre o Plantio Direto, com a participação de agrônomos da assistência técnica oficial, de departamentos de assistência técnica de empresas do setor, de cooperativas e de grupos de produtores, além de professores e produtores. Por ser um evento de alto nível a participação de 50 pessoas nas palestras e discussões esteve acima das expectativas iniciais. Nas avaliações feitas pelos participantes, o ciclo de palestras foi considerado por quase todos como excelente. Segundo o pesquisador, simpósios de alto nível como este formam líderes para a difusão da técnica. Além da apresentação de pesquisas, é feita a troca de experiências dos profissionais de campo e produtores com os professores e pesquisadores.

Para Juca, o que está atraindo novos adeptos ao Plantio Direto éa percepção de que preservando a natureza se ganha dinherro. A pequena propriedade, que era uma fronteira para a adoção do Plantio Direto será superada em uma questão de tempo, diz o pesquisador e professor. “O curso de agronomia da UEPG tem que assumir a pesquisa do Plantio Direto nos Campos Gerais e este é O Nosso objetivo”, afirma Juca. — o nº 36 - Novembro/Dezembro de 1996 - 31