produção de leite, na pequena propriedade, no sistema plantio direto * produção de leite no RS vem crescendo em escala e produtividade nos ultimos anos, principalmente nas bacias leiteiras com integração entre a produção de grãos e produção animal. Porém, este avanço é obrigatório para todas as propriedades, sejam pequenas, médias ou grandes, pois a permanência do produtor na atividade irá ocorrer em função da escala, produtividade e menor custo de produção.
À intensificação da atividade na pequena propriedade está ocorrendo principalmente através do uso de forrageiras anuais de alto potencial de produção, como aveia, azevém, trevos, ervilhaca, no inverno e milheto e sorgo forrageiro no verão.
Jair da Silva Mello ? Quanto às espécies perenes, as bermudas, o capim elefante e a alfafa merecem destaque e devem ser explorados adequadamente. Porém, o uso de forragens conservadas, como a silagem e o feno, devem estar presentes, manejados com muito critério, dentro do sistema plantio direto.
Na área de atuação da COTRIJUI, a produção de leite está baseada principalmente na pequena propriedade, (10-30 ha), em aproximadamente 90 % dos produtores. São atualmente em torno de 3.800 produtores, que respondem por mais de 60 milhões de litros/ano. Apesar de pequenas propriedades, o leite representa uma das principais atividades econômicas, onde a intro- Tabela 01 Espécies Produtividade Utilizição — | tmShar1) | Luieiteha(2) Aveia Preta + Azevém + Trevo vesic. Junho-outubro 05-08 4.000 - 6.000 Milheto/Sorgo Forrag, 08-10 5.000 - 8.000 Bermuda Coast Cross - 1 outubro - ma 06-08 8.000 - 12.000 AA O masa 10.000 - 15.000 apresentada Poe o ênofodo fo no 00 22.000 (E) nos Treina- Sagemtnficata AR anotcão un No paps TI mentos de 2:000(E) Plantio Direto, Silagem pré-secada Projeto Metas, FA 1996. cereais Inverno ano todo 04-05 7.000 2 Eng ABr, ano todo : 2Eng-Agr, 08-10 20.000 em Produção (E) = Energia suficiente para à produção citada ; Poré ] sêmen (2 Const ranao E abre rias de avaliação de orago ra de diversos autores, Ui nRS Elaboração: Mello é E Ào À O de anergia e proteína por ha e a necessidade/litro de leite dução de tecnologias, como o sistema plantio direto, contempla a integração lavoura-pecuária, como uma proposta rentável de diversificação, introduzida na região nos anos 70, aproveitando as informações técnicas e econômicas disponíveis e criando novas demandas para a pesquisa.
1.0 Potencial Forrageiro para a Produção de Leite A produção de leite em sistemas integrados, ou seja, utilizando o pastejo direto em determinadas épocas do ano, aproveitando a qualidade e o potencial das forrageiras, aliado a suplementação com silagem e/ou feno e ração, tem sido mostrado por vários trabalhos e observações a campo, como o sistema mais econômico e sustentável ao longo dos anos.
Dentro do sistema plantio direto, a produção de leite exige um criterioso acompanhamento técnico e esclarecimento do produtor, pois estamos manejando em um sistema solo-planta-animal, devendo-se conciliar produção de leite/ívaca x plantio direto.
tico das vacas em lactação, além de mantermos uma matéria seca residual mínima de 2.500 a 3 000 Kg de MS por hectare, para a seqa ar direta da cultura seguine.
Na tabela 01 pode-se verificar o potencial de produção de leite de algumas espécies forrageiras na forma de pastagens, silagem e feno, considerando adubação adequada e um bom manejo forrageiro.
2.0 Manejo de Forrageiras Anuais em Plantio Direto 2.1 Aveia Preta + Azevém + Trevo Vesiculoso Esta consorciação apresenta excelente potencial de produção, chegando de 4.000 a 6.000 litros de leite/ha, num período de 140 a 150 dias. A densidade de sementes recomendada é de 50 Kg/ha de aveia preta, 12-15 kg/ha de azevém e de 10-12 kg/ha de trevo vesiculoso, cv. yuchi.
Quanto ao manejo, para o Início do pastejo deve-se considerar a aveia preta, uma vez que é a é trabalhar com pastejo rotativo, usando-se cerca elétrica, mantendo uma altura de resteva de 7- 10 cm, o que deve coincidir com um intervalo entre pastejos de 30- 395 dias, dependendo da fertilidade do solo e condições climáticas.
A nível de campo, recomenda-se como parâmetro para iniciar o sistema de pastejo rotativo, 80 a 100 m2/vaca/dia, ajustandose o tamanho do piquete a disponibilidade de forragem. O ideal é oferecer um novo piquete a cada 24 horas, fazendo com que as vacas em lactação tenham diariamente uma pastagem nova e de alta qualidade Para a consorciação descrita, o ideal é fazer o diferimento da área (retirada dos animais), até final de outubro, possibilitando a recuperação do trevo e a formação e colheita de sementes, na primeira quinzena de Janeiro.
Uma área utilizada com aveia + azevém + trevo, possibil!- ta a produção de leite no Iinvernoprimavera, colheita de sementes no verão e produção de grãos de milho no verão-outono, aproveitando o nitrogênio deixado no solo pelo trevo vesiculoso, conforme pode-se verificar na tabela 02.
Tabela 02. Renda bruta anual de uma 01 hectare com aveia + azevém + trevo vesiculoso.
Espéciis | Período | kgyha | R$Mha av+az+Ty — junho/outubro (eite) | ————=5.000)] 1.000,00 av+az+Ty | outubro/janeiro(semente) | === 600 600,00 milho 420,00 Total Ro o sa A o o caem. ane 2:020,00 Elaboração; MELLO, J. (1996).
MARASCHIN (1994) , discorrendo sobre manejo de pastagens, afirma que deve-se maximinizar a produção por animal, principalmente quando o objetivo final é um produto animal comercializável. No caso da produção de leite, quando o manejo da pastagem visa a produção por animal, significa explorarmos adequadamente o potencial genéespécie mais precoce da consorciação. O momento ideal para a entrada das vacas nos piquetes, segundo FLOSS (1988) e FONTANEL! (1994) é quando a aveia apresenta em torno de 1.500 kg de matéria seca por hectare. A nível de campo isso significa entre 0,7 a 1,0 kg/m2 de matéria verde, o que deve coincidir com uma altura de 30 a 395 cm.
Para vacas leiteiras o ideal 2.2 Aveia Preta + Azevém A utilização de aveia preta + azevém para a produção de lerte, em pastejo rotativo, por um periodo de 100-120 dias, oportuniza a produção de 2.500 a 3.000 |rtros de leite/ha. Pode-se utilizar junto o centeio, o que permite antecipar o pastejo em 15-20 dias, devido a precocidade do centeio. Já a consorciação destas espécies com ervilhaca ou ervilha forrageira possibilita a semeadura do milho em plantio direto, no mês de setembro.
Abrahão (1981), citado por FONTANELI & BASSO (1995), avaliando a produção de leite em pastagem de aveia preta, obteve 3.834 kg de leite/ha, durante 126 dias de avaliação, em 2,5 ha com pastejo rotativo, observando uma relação de 0,56 kg MS/kg de leite produzido, com uma lotação média de 1,9 UA/ha. A produção média individual atingiu 16 Kg/vaca/ dia.
Já SOUZA et.al. (1990) avaliaram o desempenho de vacas leiteiras em pastagens de aveia preta, por um período de 62 dias, com uma lotação média de 2,0 vacas/ ha, obtendo 1.445 kg de leite/ha no período, com uma média de 11,65 Kkg/vaca/dia.
2.3 Milheto e Sorgo Forrageiro À utilização destas espécies anuais de estação quente, dentro do sistema plantio direto, poderá oportunizar a produção de leite por 120-130 dias, obtendo de 5.000 a 8.000 litros de leite/ha.
São espécies de rápido crescimento que possuem alta resposta a N e que devem ser bem manejadas, quanto a altura e horários de pastejo, para permitir bons ganhos por animal e por área.
Quanto ao pastejo rotativo, deve-se Iniciar quando as plantas atingirem de 60 a 80 cm de altura, deixando uma altura de resteva de 20-30 cm. Quanto a programação do número de piquetes, deve-se Iniciar com uma área de 50-60 m2/ vaca/dia, oferecendo um novo piquete a cada dia, para as vacas em lactação. O intervalo entre pastejos varia de 25 a 30 dias, dependendo da fertilidade do solo, adubação nitrogenada e umidade do solo.
3.0 Manejo de Forrageiras Perenes de Estação Quente A utilização de forrageiras perenes, como as gramas do gênero Cynodon (bermudas e estrelas) e o capim-elefante, apresentam um excelente potencial para a produção de leite, desde que bem manejados e adubados. PRA Dentro do sistema plantio direto, em pequenas propriedades, estas forrageiras possibilitam O ajuste de carga animal nas pastagens anuais, principalmente no período de outubro a abril, além da manutenção de novilhas e vacas Secas e da produção de leite dentro de um manejo racional. (ALVIM (1995), relata trabalhos da EMBRA- PA-CNPGL, em Coronel Pacheco- MG, com bermuda (Cynodon dactylon cv. coast cross 1) em pastejo rotativo, comparado ao sistema confinado (freestall). No pastejo rotativo, com lotação de 3,5 a 7,0 vacas/ha, obteve 21.000 e 26.000 kg de leite/ha; 15,1 e 19,6 Kg/vaca/dia para o uso de 3 e 6 Kg de raçáo/vaca/dia, respectivamente, num período de 315 dias de avalia- Ção.
Nas regiões do Planalto Médio e Missões do RS, a espécie descrita acima tem possibilitado produções de 6.000 a 8.000 kg MS/ ha, no período de outubro a abril. Trabalhando-se no pastejo rotativo, com o Início do pastejo a 30-35 cm, é possível obter de 9 a 15% de PB na MS e DIVMS de 55-60%:; portanto, com excelente potencial para a produção de leite, desde que se- Jam adotadas práticas adequadas de manejo e adubação.
Outra espécie perene, com alto potencial de produção de leite, é o capim-elefante. Com um ciclo de produção de outubro a março/abril, deve-se iniciar o pastejo com as vacas em lactação, quando as plantas atingirem 1,30 a 1,50 metros de altura, deixando uma altura de resteva de 30-40 cm. Com o pastejo rotativo, deve-se programar um novo piquete a cada 24 horas, tendo como referência de campo, 40 a 60 mí/vaca/ dia. Nesta situação é possível obter uma qualidade que varia de 8 a 14%, de PB na MS.
Hillesheim (1988). ci CARVALHO,.M ÁS AEVIIA, M.: XAVIER,D.; CARVALHO,L.(1994), . afirma que o capim-elefante é capaz de proporcionar altas produções por area, próximas a 15.000 kg de leite/ ha/ano. Outros trabalhos desenvolvidos pela ESALQ e pela EMBRAPA- CNGL, tem demonstrado esse potencial, onde tem se conseguido de 16 - Revista Plantio Direto - Edição nº 36 - Novembro/Dezembro de 1 996 10.000 a 15.000 kg/ha/ano, baseado num correto manejo, com pastejo rotativo e adubações adequadas.
4.0 Plantio Direto em Áreas Pastejadas Para realizar o plantio direto da soja e/ou milho em áreas de forrageiras anuais de estação fria, manejadas com vacas leiteiras em pastejo, alguns aspectos devem ser observados:
1º) Manejar com pastejo rotativo, visando maior produção de leite por vaca e por área, mantendo uma maior oferta de forragem residual, visando minimizar o efeito do pisoteio sobre o solo; 2º) Diferir a área de 45 a 50 dias antes da semeadura da cultura de verão, permitindo o rebrote da pastagem, acumulando matéria seca na superfície e recuperando gradualmente a densidade do solo; 3º) Deixar no mínimo de 2 a 3 toneladas de MS, após àa dessecação da área; 4º) Trabalhar com suplementação de forragens conservadas, visando ajustar a carga animal, principalmente no primeiro pastejo e dias chuvosos e com excesso de umidade; 9) Realizar a semeadura com máquinas equipadas com disco do corte e sulcador, permitindo o rompimento da camada compactada superficial que se forma.
6º) Trabalhos em andamento e observações a nível de campo, vem demonstrando o aumento de produtividade da soja e milho, sobre áreas pastejadas. Possivelmente isso se deva a maior atividade biológica, através da reciclagem de nutrientes que ocorre, pelo esterco e a urina dos bovinos nas pastagens. Segundo Petersen et.al (1976), ci- *ados por MONTEIRO & WERNER (1989), um bovino adulto esterca a cada 2 horas e urina a cada 3 horas. Quanto ao N contido na forragem, SCOTT (s.d.) cita que em torno de 70% é excretado na urina e o restante nas fezes. Já o trabalho de Wilkinson & Lowrey (1973), citado por MALAVOLTA et.al. (1986), mostra que mais de 95% do fósforo ingerido pelo animal é excretado no esterco e que de 70% a 90% do potássio é excretado na urina.
5.0 Produção de Silagem x Plantio Direto A produção de leite, de forma estável ao longo do ano, depende, além da genética, sanidade e manejo animal, do fornecimento de alimentos em quantidade e qualidade. Paraisso, além do uso de pastagens anuais e perenes, a propriedade precisa trabalhar com forragens conservadas, como o feno e/ou as silagens.
Portanto, teremos que manejar adequadamente o sistema de forma a contemplar a necessidade anual de silagem e a manutenção e o aumento da palha na superfície. Para isso, necessitamos de mais trabalhos nesta área, pois, pelo fato de termos a produção de leite em pequenas e médias propriedades, com a necessidade de uso de silagem, não significa que estamos impossibilitados de adotar o sistema plantio direto nas mesmas.
Então, como poderemos conciliar a produção de silagem e o sistema de plantio direto? Abaixo apresentamos algumas recomendações práticas, que estão sendo desenvolvidas a nível de propriedade:
1º) Utilizar uma espécie de cobertura do solo, antes da cultura a ser ensilada, que deixe pelo menos 4.000 a 6.000 kg de MS/ha; 2º) Realizar uma adubação adequada, considerando a recomendação para a cultura a ser ensilada, principalmente em potássio. A reposição de nutrientes e matéria orgânica através do esterco coletado, deve ser considerado.
3º) Utilizar espécies de cobertura do solo, imediatamente após a ensilagem, visando repor MS e ajustar a adubação em função da retirada de nutrientes na silagem.
4º) Observar rigorosamente um esquema de rotação e Ssucessão de culturas, onde a mesma área não seja utilizada para silagem, sem um intervalo mínimo de 2 a 3 anos.
5º) Ajustar a altura de corte das plantas, possibilitando recolher uma forragem de maior qualidade, além de deixar uma MS residual maior. No caso do milho, deve-se realizar O Corte logo abaixo da espPiga, deixando em média de 2.000 a 3.000 Kg MS/ha, dependendo da cultivar, adubação, umidade, etc..
6º) Sugestões de espécies para à sucessão de culturas para áreas de milho a serem ensiladas:
CULTURA ANTECESSORA - ACRÉSCIMO MS (INVERNO) -> Aveia + Ervilhaca = 5.000 - 6.000 kg MS/ha -> Nabo Forrageiro =4.000 -6.000 kg MS/ha -> Aveia + Azevém =5.000 -7.000 kg MS/ha Retirada MS (primavera/verão) MILHO = 8.000 - 14.000 kg MS/ha Cultura Sucessora - Acréscimo MS (veráo/outono) Milheto/Sorgo Forrageiro + Feijão- Miúdo/Crotalária/Guandú/Mucuna 6.000 - 8.000 kg MS/ha 7º) Não realizar a ensilagem em dias com o solo úmido, para reduzir a compactação pelo trator.
Além da silagem de milho no verão e de triticale no Inverno, que devem observar as sugestões acima, a silagem pré-secada de cereais de inverno, vem crescendo na região, oportunizando uma silagem de alta qualidade para rebanhos mais exigentes. Trabalhos realizados na COTRIJUI, por POLI & DOBLER (1994) (não publicado), avaliando gramíneas de inverno, consorciados com ervilhaca e trevo vesiculoso, mostraram rendimento médio de 2.163 kg/MS/ha, por corte, com uma qualidade na MS da silagem de 15,4% de PB e 61,0% de NDT. Para a silagem pré-secada de gramíneas e leguminosas de inverno, pode-se realizar de 02 a 03 cortes, com um bom rendimento de forragem, desde que observadas as práticas de manejo quanto a época de corte e adubação. Com isso, após o último corte, deverá ocorrer um rebote suficiente para a cobertura do solo, visando sempre deixar um resíduo minimo de 2.500 a 3.000 kg MS/ha. Outra alternativa é a silagem de grão de milho úmido. Este tipo de silagem deixa toda a palha sobre o solo. Porém, trata-se de um alimento concentrado, com alta energia e baixa fibra, sendo um ótimo alimento para suínos. A sua utilização para gado de leite limita-se a uma pequena quantidade diária, pois não substitui a silagem de milho de planta inteira, que é um alimento volumo- 6.0 Considerações Finais A intensificação do sistema de plantio direto em pequenas e médias propriedades e a integração com a produção do leite é uma prática viável, que merece um acompanhamento técnico criterioso e apoio da pesquisa.
A implantação do sistema, passa pela formação de grupos de produtores para a aquisição de semeadoras de plantio direto, a exemplo do que ocorre com os grupos de mecanização para ensiladeiras, enfardadeiras, etc.
Deve-se ajustar um sistema de produção que contemple a produção de leite a partir de pastagens anuais e perenes e com a utilização de forragem conservada, como as silagens e/ou fenos. Para isso, é fundamental o conhecimento e a aplrcação de técnicas de manejo de pastagens, manejo de solo e manejo animal, visando aumentar a escala e produtividade da pecuária de leite, manter a palha na superficie, melhorar as características fis!tcas e biológicas do solo, aumentar a matéria orgânica e a fertilidade do solo, dando sustentabilidade técnica e econômica para essas propriedades, com diversificação de atividades e conservação dos recursos naturais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVIM, M.J. Produção de Leite em Pastagem de Coast Cross 1. Jornal do Leite, EMBRAPA-CNPGL, Coronel Pacheco, MG, Junho/1995, p.3.