A CRISE DE CONTROLE DAS FORMIGAS
Dirceu N. Gassen — Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa-Trigo e SAA-RS.
Os primeiros estudiosos da fauna e da flora brasileira já definiam a ameaça destas pragas desconhecidas em países do hemisfério norte, através da afirmativa "o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil". No Rio Grande do Sul, as formigas foram consideradas a "praga número um da lavoura" na década de 50, resultando em campanhas intensas de controle.
As espécies de importância econômica pertencem aos gêneros Atta e Acromyrmex (Hym., Formicidae). São insetos sociais organizados em castas. A rainha, ou içá, é responsável pela oviposição e pode viver até 15 anos. Quando ela morre, o formigueiro também desaparece. As operárias vivem em torno de quatro meses e são organizadas em três grupos: jardineiras, cortadoras e soldados.
As saúvas, Atta spp., são as principais formigas causadoras de danos às plantas cultivadas no Brasil. Apresentam três pares de espinhos no dorso do tórax, comprimento inferior a 1,0 cm e coloração pardo-escura. Os ninhos são os maiores que conhecemos, podendo conter vários olheiros e milhares de panelas subterrâneas.
As quenquéns, "quenquém-de-monte", Acromyrmex spp., apresentam quatro ou cinco pares de espinhos no dorso do tórax, comprimento inferior a 1,0 cm e coloração pardo-escura. Os ninhos são feitos com galhos secos menores que os das saúvas, formados, normalmente, por uma só panela. São construídos em forma de monte na superfície, cobertos por material vegetal, ou a pouca profundidade no solo.
As formigas não consomem as folhas transportadas para os seus ninhos. Elas usam as plantas como substrato para o cultivo de fungos dos quais se alimentam. São especializadas em identificar substâncias tóxicas e, por isso, o seu controle torna-se difícil com o uso de inseticidas vias eólicas com soluções envenenadas e com microorganismos.
O controle é feito com inseticidas, nas formulações de isca granulada, de pó seco e gasosa. As iscas granuladas são transportadas pelas formigas, como se fosse alimento para os fungos. Por isso, a qualidade da isca e o tipo de ingrediente ativo são fundamentais para a eficiência no controle. Deve-se tomar cuidado no manuseio, aplicando-se produtos bem conservados e nos dias em que solos estão sequem em atividade interna. As iscas granuladas com inseticidas clorados eram utilizadas com sucesso, mas elas foram proibidas no controle de formigas a partir de 1989.
A formiga é um dos insetos sociais mais evoluídos e desenvolveu estratégias sofisticadas de defesa. Quando consegue se libertar com mais facilidade dos predadores e patogenicidade, na maioria, este patogênico pode formar uma redenção de uma tentativa de controle no contato direto e com efetividade.
A evolução do conhecimento sobre os comídeos clorados levou a uso de inseticidas clorados como subprodutos de doenças. Entre os mais formados qualidades de contêm, não sustentado padrões de produção, não justificam alimentar com a saúde. Estes produtos, no caso de formiga, não encontraram maiores resultados em sua eficiência, na necessidade de desenvolver alternativas. Atualmente, as formicidas granulados disponíveis contém o ingrediente sulfluramida, na concentração de 0,3%, como princípio ativo.
SOLUÇÕES EM PESQUISA
A pesquisa busca alternativas: feromônios para confundir o sistema de comunicação entre formigas, controle biológico via fungos como Trichoderma, inseticidas mais seletivos e de menor impacto ambiental. Com a redução cada vez mais rígida de restrições ambientais aos compostos químicos tradicionais, a solução passa pelo desenvolvimento+pesquisa contemporanea e por IBAMA viabilizar registros para novas moléculas, em busca de redução do uso de produtos químicos sintéticos.
Artigo. Dirceu N. Gassen (Eng.Agr. Embrapa-Trigo/SAA-RS). Formigas Atta (saúvas) e Acromyrmex (Hym., Formicidae). Castas: rainha (vive até 15 anos), operárias (jardineiras+cortadoras+soldados). Crescentes em PD. Crise controle: organoclorados proibidos; sulfluramida disponível (0,3%) mas eficácia variável. Pesquisa: feromônios+controle biológico (Trichoderma)+inseticidas seletivos.