CARLOS COGO
PREÇOS DE MERCADORIAS AGRÍCOLAS SERÃO MAIORES NOS PRÓXIMOS DEZ ANOS
A Ciba Agro, como tem feito nos últimos anos, promoveu uma série de palestras do economista Carlos Cogo, da Agromercados Consultoria Agronômica, de Porto Alegre, destinadas a produtores e técnicos de várias regiões do Rio Grande do Sul, com objetivo de manter uma permanente atualização sobre as perspectivas econômicas das lavouras de trigo, soja, milho e outras. Nas apresentações deste ano, a Ciba Agro destacou os 10 anos de vendas do fungicida Tilt que, segundo o depoimento de vários produtores e engenheiros agrônomos, teve um papel importante na evolução da produtividade da cultura do trigo no Estado.
Para Carlos Oberdan Vieira, gerente Regional da Ciba no Rio Grande do Sul, "o conhecimento da tecnologia e das condições de mercado é fator fundamental no sucesso da exploração agrícola e, por isso, a Empresa procura manter uma relação de alto nível de informação tecnológica com seus clientes".
Na palestra realizada em Passo Fundo, no auditório da Embrapa-Centro Nacional de Pesquisas de Trigo, no dia 2 de maio, Carlos Cogo falou durante cerca de 4 horas, quando fez uma abordagem do cenário atual da agricultura brasileira e mundial, bem como das perspectivas para as próximas safras. Para ele, "o desequilíbrio entre produção e consumo de grãos no mundo está formado e isto não se contorna de uma hora para outra. Por isso, embora os preços possam não se manter nos atuais níveis, é certo que os dos próximos 10 anos serão maiores que os da década passada".
Segundo Cogo, em função de uma soma de fatores, principalmente da redução da área plantada, do aumento de consumo e das quebras de colheita por motivos climáticos, os estoques mundiais de grãos estão no patamar mais baixo desde a II Guerra Mundial. "Nós chegamos a ter 420 milhões de grãos em estoque, em 1988, atualmente, a projeção é de 203 milhões de toneladas. Grosseiramente, isto significa uma queda de 50%, mas, na verdade, a situação é muito mais drástica, porque houve um aumento da população e do consumo, principalmente nos países asiáticos, onde o poder aquisitivo da população tem crescido".
A proporção de reserva de grãos em relação ao consumo no ano de 1988 era de 38%. Para 1996, a projeção estimada é de 14,5% de reserva, o que corresponde a 47 dias. Para voltar a um índice mínimo de 17%, a produção teria que ser adicional de 100 milhões de toneladas de grãos, tarefa impossível no curto prazo. "É provável que os estoques mundiais nunca mais voltem aos níveis anteriores, porque, entre outros fatores, os governos estão se retirando dos mercados agrícolas e a iniciativa privada está assumindo os estoques. Historicamente, sabemos que a iniciativa privada não faz estoques grandes."
Para o especialista da Agromercados, o cenário internacional direciona para um quadro de bons preços para trigo, soja, milho e os demais produtos agropecuários, nas próximas safras. "É importante notar que os preços podem oscilar, em função das inúmeras variáveis do nosso mercado, mas aquele produtor que tem uma alternativa de planeja seus interesses ou suas não construídas, atenta a evolução destas perspectivas poderá, finalmente, obter bons lucros na sua atividade."
Gráfico do artigo original: "Produção x Consumo Mundial de Grãos" (eixos 1320-1440 milhões de toneladas; anos 85 a 95) mostrando que o consumo superou a produção nos últimos anos.
Notícia. Palestra Carlos Cogo (economista Agromercados Consultoria Porto Alegre-RS) na Ciba Agro auditório Embrapa-CNPT Passo Fundo 2/maio/1996, ~4 horas. 10 anos fungicida Tilt da Ciba Agro. Carlos Oberdan Vieira (gerente Reg. Ciba RS). Desequilíbrio produção/consumo mundial grãos formado. Estoques mais baixos desde II Guerra Mundial: 420 mi t 1988 → 203 mi t 1996 (-50%); reserva/consumo: 38% 1988 → 14,5% 1996 (47 dias). P/ voltar a 17% mínimo seriam +100 mi t adicionais (impossível CP). Preços próximos 10 anos > década passada. Gráfico Produção x Consumo Mundial Grãos (1320-1440 m t).