Horário para Aplicação de Produtos Fitossanitários + A Sustentabilidade Agrícola e o Plantio Direto


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Publicado em: 30/06/1996

HORÁRIO PARA APLICAÇÃO DE PRODUTOS FITOSSANITÁRIOS

Dirceu N. Gassen (Eng.-Agr., M. Sc. Entomologia, Embrapa/CNPT - SAA - RS); Flávio R. Gassen (Eng.-Agr., pós-graduando em Administração Rural, UNOESC-SC).

O horário de aplicação, considerando o grau de umidade relativa do ar e a temperatura, é um dos fatores de maior relevância sobre a perda ou sobre o aproveitamento de produtos fitossanitários aplicados via líquida. Como regra geral, pode-se afirmar que os momentos mais adequados ocorrem no período entre 21 h e 10 h da manhã. Os piores momentos para aplicação de produtos fitossanitários ocorrem no período entre 10 h da manhã e o final da tarde. Como regra geral, deveria se evitar a aplicação de produtos fitossanitários nas primeiras horas da tarde, pois a possibilidade de perda por evaporação é muito elevada.

Para avaliar as condições ideais de umidade relativa do ar e de temperatura para a pulverização, os aplicadores deveriam ter a mão termômetro e higrômetro, e serem capacitados para a interpretação dessas informações.

Qualidade da água — A qualidade da água é outro fator fundamental que atua sobre a eficácia de produtos fitossanitários. Ela pode influenciar de duas formas. Se a água apresentar partículas de argila em suspensão, pode reduzir a meia-vida de herbicidas como o paraquat e o glifosato, pois eles são absorvidos quando entram em contato com a argila. Muitos agricultores evitam usar a água de rios por causa da argila e da sujeira e passam a usar água de poços artesianos. As águas de poços artesianos, em geral, são profundas e ricas em sais, frequentemente alcalinas, e o pH pode atingir níveis superiores. Trabalhos recentes mostram que sulfato de amônio a 1-2% na calda, antes de colocar o defensivo, reduz a dureza, e já está sendo utilizado a campo, juntamente com surfactantes (óleo mineral), quando recomendado.

Acidez da água — Trabalhos recentes mostram que alguns herbicidas têm sua eficiência na planta elevada com a redução do pH da água a valores próximos a 4. O indicativo que define o pH em que o produto apresenta maior adsorção é o seu pKa. O pKa da ametrina é 4,0 e da atrazina é 1,6. A atrazina, por exemplo, em pH 1,6 apresenta sua máxima adsorção (inativação). Portanto, quanto mais distante de 1,6, maior disponibilidade do produto.

Gráfico do artigo original: "Efeito do pH sobre a desativação de Triclofom" (eixo Y: pH 1 a 7; eixo X: ml de ácido muriático / 100 l de água, de 0 a 36, com declínio acentuado).

A SUSTENTABILIDADE AGRÍCOLA E O PLANTIO DIRETO

Eng.-Agr. João Mielniczuk — Departamento de Solos, FA/UFRGS.

O termo sustentabilidade define uma atividade capaz de se manter viável ao longo do tempo. No caso da sustentabilidade da produção agrícola, o solo deve merecer atenção especial, pois sua degradação pelo uso inadequado pode tornar esta atividade inviável do ponto de vista econômico e ambiental.

Termodinamicamente, o solo, a partir de uma situação original, vai sendo modificado pela matéria e energia com o meio em que se encontra, sendo que essa modificação ocorre num sistema que não atinge o equilíbrio, mas que tende para uma condição estável, dependendo das taxas de adição e remoção de matéria e energia (Addiscott, 1995).

De acordo com este conceito, vários indicadores podem ser utilizados para determinar se o solo, submetido a uma atividade agrícola, encontra-se em estado estável ou está sendo melhorado ou degradado. Entre estes indicadores está a variação da quantidade das culturas ao longo do tempo (Sanchez, 1976; Loomis & Connor, 1992), a relação entre as taxas de formação e perda do solo por erosão (Hudson, 1973), o acúmulo ou perda do disco de pelo plantadeira (Reicosky et al, 1995; Bayer et al, 1995). Os fluxos da matéria orgânica (Reicosky, 1979, 1995).

A variação do teor de matéria orgânica ou de Carbono Orgânico Total (COT) do solo com o tempo é bastante utilizada e pode servir de uma boa indicação para o sistema de determinação e por este atuar na agregação, CTC, suprimento de nutrientes (N) e energia aos microrganismos. Esta variação é expressa pela seguinte igualdade:

dC/dt = A — kC

onde dC/dt é a variação do carbono do solo ao longo do tempo, A é a adição, k é a perda do carbono do solo respectivamente. Na condição estável, dC/dt é 0, donde A = kC (Bayer, 1992).

Em sistemas agrícolas com grandes adições de C via resíduos e sem revolvimento do solo, ela pode ocorrer maiores valores de A. Para o caso de uma área sob plantio direto, com altas adições de resíduos, à baixas taxas de mineralização, do cótea desempenho, observamos os tropicais, comparada com os solos dá subtropicais, fará com que A seja maior. Em ambos os casos, então, a indicação de sustentabilidade ocorrerá.

As atribuições descritas acima podem suportar explorações agrícolas sustentáveis. Porém, em regiões tropicais e em solos nos quais a matéria orgânica é o principal responsável pela CTC e a estabilidade estrutural, podem haver degradação acentuada e/ou sérios riscos para a sustentabilidade da produção agrícola.

2 artigos técnicos. (A) Horário aplicação fitossanitários — Dirceu N. Gassen (Eng.Agr. MSc Entomologia Embrapa/CNPT SAA-RS) + Flávio R. Gassen (UNOESC). Hora ideal 21h-10h manhã. Gráfico Efeito pH sobre Triclofom. Qualidade água: argila absorve paraquat/glifosato; aguas alcalinas; sulfato amônio 1-2% reduz dureza; pKa ametrina=4,0 e atrazina=1,6. (B) Sustentabilidade Agrícola e Plantio Direto — João Mielniczuk (Eng.Agr. Depto Solos FA/UFRGS). Termodinâmica do solo. Fórmula dC/dt = A - kC (Bayer 1992) com A=adição C, k=perda. Citações Sanchez 1976, Loomis&Connor 1992, Reicosky 1979/1995, Dalal&Mayer 1986. Em PD c/ altas adições de resíduos+baixa mineralização, A>kC → sustentabilidade.