PEQUENA PROPRIEDADE
PLANTIO DIRETO EM SANTA CATARINA
Claudino Monegat — Eng. Agr. EPAGRI - SC.
Os pequenos agricultores produtores de grãos são verdadeiros heróis, visto que as operações agrícolas que os mesmos executam exigem enorme esforço humano, quase sempre sob sol escaldante para, na maioria das vezes, obter baixos rendimentos. Para se ter uma idéia sobre esta situação, o agricultor que usa a tração animal caminha de 80 a 150 km/ha na condução de 1 ha de milho, desde o preparo do solo até a colheita. Isto significa que cultivando 10 ha/ano de milho "solteiro", muitos agricultores já deram uma volta ou mais ao redor do globo terrestre (a pé), no período de 40 anos. Isto seria motivo suficiente para mudar de sistema de produção com densidade econômica maior, ou pelo menos diminuir a área cultivada, explorando as classes de solo com melhor aptidão para culturas anuais.
Mas, por que o sistema de plantio direto não avançou como era de se esperar, a exemplo das áreas motomecanizadas? Entre outras, seis são as principais razões: 1) relevo acidentado e pedregosidade; 2) infestação de ervas; 3) uso de sistemas consorciados de culturas; 4) produção de sementes; 5) manejo na semeadura; 6) equipamentos. Nesta matéria, serão abordados apenas aspectos inerentes ao relevo e equipamentos.
RELEVO ACIDENTADO E PEDREGOSIDADE
As áreas enquadradas na classe 3 (aptidão com restrições para culturas anuais, segundo a Metodologia para classificação da aptidão de uso das terras do Estado de Santa Catarina, 1991), podem ter relevo forte ondulado, sendo também a maioria das vezes pedregosas e muito pedregosas. A alternativa para viabilizar o plantio direto nestas condições é usar o pulverizador costal para dessecação da cobertura vegetal e para aplicação de pós-emergentes; e uma plantadeira manual ou tracionada para o plantio. Explorando áreas que são fina para fazer o plantio, o trabalho pode tornar-se muito humano.
As áreas da classe 2 e 3 (segundo a Metodologia citada anteriormente) tem espaçamento é muito viável fazer o cultivo mínimo, no caso de plantio direto, num cultivo contínuo. Outros tipos são mais espaçadas (milho, fumo e mandioca), com restrição de muitas mudas, manejos pelo acaramento na dessecação. O cultivo mínimo é altamente eficiente no controle de erosão, por deixar o terreno muito rugoso e não 70% da cobertura vegetal, sendo a desestruturalidade do solo pouco evidente.
É claro que estes dois sistemas se aplicam melhor em áreas mais favoráveis do que aquelas caracterizadas anteriormente.
EQUIPAMENTOS
Em áreas das classes 1 e 2 (segundo a Metodologia citada anteriormente) as plantadoras-adubadoras de tração animal tem sido utilizadas. Estas plantadoras conseguem boa performance das culturas de milho e feijão, comparado à melhores lavouras de áreas motomecanizadas. Na safra 94/95, uma lavoura de milho plantada no sistema plantio direto, com plantadora-adubadora de tração animal rendeu mais de 16% de declividade, sobre palha de ervilhaca peluda e adubação com 61-77-28 de NPK, rendeu 7.966 kg/ha, com uma população de 55.185 plantas/ha.
Em comparação ao preparo convencional (lavração e sulcamento com tração animal, aplicação e incorporação de adubo e plantio com saraquazes), houve uma redução de 70% em comparação ao costal. De acordo com os testes realizados o consumo hómido de 0,18 a 0,30 DH/ha.
Em 1995, as áreas demonstrativas em algumas regiões desta na publicação cultivadas com plantadeiras-adubadoras, em solo aberto na cobertura vegetal, em planta forte, foram alvo do consumo máximo de 0,18 a 0,30 DH/ha. No período de 1985/1995, 12.036 agricultores e 3.006 técnicos conheceram o trabalho desenvolvido pelo CETRECE, em 555 eventos. Também foram visitas de técnicos e agricultores em diversos países, e participaram 141 técnicos de 26 países dos cinco continentes.
Fig. 1 do artigo original: Plantadora-adubadora de tração animal para plantio direto (01 linha, 51 kg). Fig. 2: Plantadora-adubadora de tração animal para plantio direto (02 linhas, 255 kg). Fig. 3: Consumo de mão-de-obra (DH/ha) em diferentes sistemas de preparo do solo e plantio do milho com matraca e plantadora-adubadora de tração animal — CETRECE/EPAGRI, 1995.
Artigo técnico. Claudino Monegat (Eng.Agr. EPAGRI-SC). Pequenos agricultores SC tração animal: 80-150 km/ha p/ 1 ha milho (40 anos = volta ao mundo a pé). 6 razões PD não avançar: relevo acidentado/pedregosidade, ervas, consórcios, sementes, manejo semeadura, equipamentos. Classes aptidão SC 1-5. Plantadora-adubadora tração animal: Fig.1 01 linha 51kg + Fig.2 02 linhas 255kg + Fig.3 consumo DH/ha CETRECEPAGRI 1995 (28% redução mão-de-obra: 21h→10h em 1ha milho). 1985-1995: 12.036 agricultores+3.006 técnicos em 555 eventos; 141 técnicos de 26 países.