CERRADO
AVALIAÇÃO DA PRODUTIVIDADE DAS GERAÇÕES F1 E F2 DE MILHO HÍBRIDO PARA A SAFRINHA
Carlos Pitol (Eng.-Agr. Pesquisador da Fundação MS); Paulo Koster Siede (Técnico Agrícola, Fundação MS e Acadêmico de Administração Rural); Elton José Erbes (Técnico Agrícola, Fundação MS).
INTRODUÇÃO
O cultivo de milho safrinha na região centro-sul do estado do Mato Grosso do Sul tomou impulso a partir do ano de 1990, como alternativa para ocupação das áreas agrícolas ociosas no período de outono/inverno, devido principalmente à redução do cultivo de trigo. Por ser considerada uma atividade de risco, o cultivo de milho safrinha expandiu-se baseado em baixo custo da lavoura, que significa baixo investimento em insumos agrícolas, entre estes, o uso de sementes F2 (semente crioula) produzida pelo próprio agricultor.
A viabilidade do uso de semente crioula, proveniente de híbridos de milho, para o plantio da safrinha, tem sido muito questionada. Se por um lado representa uma redução nos custos da lavoura, por outro lado, o uso da semente F2 (semente paiol) representa também redução de produtividade e aumento da incidência de doenças, que põe em risco a lavoura de safrinha e lavouras posteriores de milho.
OBJETIVOS
Avaliar e comparar sistemas de cultivo de milho safrinha que utilizam dois tipos de sementes: F1 (semente fiscalizada) e F2 (semente paiol) e seus efeitos nos custos de produção e na receita líquida.
METODOLOGIA
Foram conduzidos ensaios de safrinha nos anos de 1993 e 1995. Na safrinha/93, foram avaliadas as gerações F1 e F2 de sementes dos híbridos C 606, C 701, AG 122, G 85, BR 201 e XL 605. O ensaio constou de blocos ao acaso com 04 repetições, e cada parcela constou de duas linhas de 5 m de comprimento e espaçamento de 90 cm. A data foi 05/03/93, no sistema de plantio direto, na resteva da soja, sendo o manejo das invasoras com Gramoxil + Agral. O controle de pragas foi com Lorsban. Como adubação de manutenção, foi usado no plantio 250 kg/ha de adubo da fórmula 04-14-08. Em cobertura foram aplicados 70 kg/ha de uréia. Precipitação total do período: 710 mm.
Na safrinha/95, foram avaliadas as gerações F1 e F2 de sementes dos híbridos C 606, C 701, C 805, XL 604, HATÃ 2000, BR 201, G 550 e G 85. A data de plantio foi 14/03/95, plantio direto na resteva de soja. Como adubação de manutenção, foram usados 200 kg/ha de adubo da fórmula 5-20-20. Não foi realizada adubação de cobertura. Precipitação total: 220,3 mm.
Para a safrinha/93 o custo fixo foi de R$ 158,44/ha e na safrinha/95 de R$ 123,16/ha. O custo da semente varia de híbrido para híbrido. Foi considerado R$ 0,24 o custo do frete por saco de 60 kg. Para identificar o tratamento com o maior retorno econômico/rentabilidade, usou-se o índice de eficiência econômica, que é a renda bruta dividida pelo custo de produção total.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados de produtividade estão na Tabela 1 do artigo original (safrinha 93, sementes plantadas em 05/03/93, germinação 22/03/93): híbridos C606/C701/AG122/G85/BR201/XL605, todos com F1 superior a F2; média F1 3.705 kg/ha vs F2 2.645 kg/ha (redução média 29,0%); XL 605 com a maior redução (-31,0%) e G 85 com a menor (-17,0%).
A Tabela 2 do artigo original (safrinha 95, sementes plantadas 14/03/95, germinação 05/03/95): híbridos C606/C701/C805/XL604/HATÃ2000/BR201/G550/G85, com média F1 1.557 kg/ha vs F2 1.124 kg/ha (redução média 26,9%); HATÃ 2000 com maior redução (-37,2%); G 85 mais estável (-16,4%).
As Tabelas 3 e 4 do artigo original apresentam o custo de produção e receita líquida para cada híbrido (sementes fiscalizadas F1 vs crioula F2), considerando o preço de comercialização do milho de R$ 4,57/sc de 60 kg. A maior eficiência econômica na safrinha/93 foi para o híbrido C 606 com geração F2 e um retorno de 5,72; capital investido na safrinha/95 com retorno menor por causa do baixo desempenho semelhante.
CONCLUSÃO
A produtividade média das cultivares avaliadas nos dois ensaios foi de 29% a 26% inferior quando se usou a semente F2. O retorno do capital investido usando-se sementes F1 (fiscalizada) é maior em relação à F2 (paiol). A redução dos custos de milho safrinha, através da reduzida utilização de tecnologia, aumenta os riscos da atividade e reduz o lucro.
Artigo técnico. Carlos Pitol (Eng.-Agr. Pesquisador Fundação MS), Paulo Koster Siede (Téc.Agr. Fundação MS), Elton José Erbes (Téc.Agr. Fundação MS). 2 ensaios safrinha 93+95 Maracaju-MS PD na resteva soja: 6 hibridos 1993 (C606/C701/AG122/G85/BR201/XL605, 5x90cm, plantio 05/03/93, 250 kg/ha 04-14-08+70 kg/ha uréia, 710mm) e 8 híbridos 1995 (C606/C701/C805/XL604/HATÃ2000/BR201/G550/G85, plantio 14/03/95, 200 kg/ha 5-20-20 sem cob, 220,3mm). Custo fixo R$158,44 (93) vs R$123,16 (95). F2 reduz produtividade 29% (1993) e 26,9% (1995); G85 mais estável (-17%/-16,4%), XL605/HATÃ2000 piores (-31%/-37,2%). Conclusão: F2 não compensa risco.