Implicações sócio-econômicas do plantio direto em pequenas propriedades (EMATER-PR)


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Publicado em: 29/02/1996

IMPLICAÇÕES SÓCIO-ECONÔMICAS DO PLANTIO DIRETO EM PEQUENAS PROPRIEDADES

Eng. Agr. José Carlos Caldasso da Silva — Coordenador Estadual da EMATER-Paraná.

Estão sendo estudadas pela EMATER-PR, IAPAR e agricultores das 32 unidades de teste e validação (UTVs), as implicações sócio-econômicas do plantio direto com tração animal em pequenas propriedades. O objetivo destas unidades é verificar como a tecnologia se comporta e quais as modificações necessárias para que ela se torne viável técnica e economicamente ao pequeno agricultor.

A) USO DE MÃO-DE-OBRA

No sistema tradicional, o agricultor precisa fazer o preparo do solo através de uma aração e até duas gradagens, bem como fazer o controle de ervas daninhas através de carpideira e/ou enxada. O agricultor caminha cerca de 40 km/hectare para fazer a aração do solo, geralmente em terrenos com alto grau de declividade. Estas operações consomem 36 horas/homem/ha, com grande esforço físico do agricultor e dos animais.

No Sistema de Plantio Direto não se faz preparo do solo, o esforço exigido é pequeno, realizando-se somente o plantio que consome quatro vezes menos tempo (9 horas/homem/ha). Isso possibilita uma melhor distribuição de mão-de-obra durante o ano, podendo o agricultor utilizar as horas restantes em outras atividades na propriedade ou aumentar a área de plantio.

B) RENDIMENTOS

Os rendimentos das culturas no plantio direto têm se mostrado superiores ao plantio convencional. Quando comparados os resultados médios obtidos nas 32 UTVs de plantio direto (safra 93/94) com as produtividades médias do Paraná (1986-92), verifica-se que a cultura do feijão em plantio direto a tração animal obteve um aumento de 142% em relação à média paranaense, ou seja, 1.712 kg/ha nas UTVs para 700 kg/ha da média do Estado. Já no milho houve um aumento de 63%: 4.420 kg/ha nas UTVs para 2.700 kg/ha na média do Estado.

Resultados econômicos: na safra 93/94, o feijão obteve rendimento de 28 sacas/ha e custo de 14 sacas de 60 kg, com receita líquida de 14 sacas/ha. O milho teve rendimento médio de 74 sacas/ha e custo de 57 sacas/ha, com renda líquida de 17 sacas/ha. Na safra 94/95, mesmo com a ocorrência de estiagem na época de plantio e excesso de chuvas na colheita, as receitas também foram positivas: feijão 26 sc/ha com custo 15 sc/ha (receita líquida 11 sc/ha); milho 87 sc/ha com custo 78 sc/ha (renda líquida 9 sc/ha).

Pequena Propriedade. Eng. Agr. José Carlos Caldasso da Silva (Coordenador Estadual EMATER-Paraná). Estudo 32 UTVs (Unidades Teste Validação) EMATER-PR+IAPAR+agricultores. A) Mão-de-obra: convencional 36 h/h/ha (caminhar 40 km/ha aração) vs PD 9 h/h/ha (4x menos). B) Rendimentos vs média PR 1986-92: feijão +142% (1.712 vs 700 kg/ha), milho +63% (4.420 vs 2.700). Receitas líquidas safra 93/94: feijão 14 sc/ha (rendimento 28, custo 14), milho 17 sc/ha (rendimento 74, custo 57). Safra 94/95: feijão 11 sc/ha (26-15), milho 9 sc/ha (87-78) mesmo com estiagem+chuvas.