CORREÇÃO DA ACIDEZ DE SOLO NO SISTEMA PLANTIO DIRETO
Delmar Pottker — Pesquisador da Embrapa-CNPT, Passo Fundo-RS.
Os solos com acidez corrigida, após alguns anos de cultivo, são reacidificados, necessitando de novas aplicações de calcário. No sistema plantio direto (SPD), quando se deseja preservar a estrutura dos solos alcançada pelo uso desse sistema, não é desejável a aração do solo para a incorporação de calcário. Em consequência, surgiram questionamentos sobre formas alternativas para a prática de calagem no SPD.
O Rio Grande do Sul possui cerca de 12 a 15 milhões de hectares ocupados por pastagem nativa (campos nativos), nos quais uma das grandes limitações em certas regiões é a acidez do solo. Com o objetivo de estudar o efeito de doses e de métodos de aplicação de calcário, tanto em lavouras sob SPD como em áreas sob campo nativo, foram estabelecidos a partir de 1993 quatro experimentos no Planalto Médio do RS. Os tratamentos foram aplicados em junho de 1993, cultivando-se logo após aveia (Avena sativa L. nas áreas sob lavoura, Avena strigosa Schieb nas áreas sob campo nativo). Sequência de culturas: trigo-soja-milho em áreas sob lavoura; soja-trigo-soja em áreas sob campo nativo.
SOLOS SOB LAVOURA
Nos experimentos em áreas sob lavoura, verificou-se no 1º cultivo (soja) pequena resposta à aplicação de calcário, com acréscimos máximos de 19,5% e 12,0% no rendimento de grãos de soja, nos solos com 38% e 58% de argila respectivamente. Apenas os tratamentos com 1/16 SMP (670 kg/ha de calcário) e 1/8 SMP (900 kg/ha) foram diferentes do tratamento sem calcário. Na avaliação do efeito residual, não se observaram diferenças estatisticamente significativas. Observaram-se rendimentos altos no tratamento sem calcário, apesar de os solos apresentarem baixo pH em água e Al³⁺ alto. Estudo recente (SALET, 1994) demonstrou que o pH da solução do solo, em plantio direto, é maior que o pH do solo (relação água:solo de 1:1).
SOLOS SOB CAMPO NATIVO
No primeiro cultivo sobre campo nativo, observou-se resposta positiva à aplicação de calcário incorporado, na superfície e em linha (calcário filler). No solo com 30% de argila, 1/4 SMP (2,0 t/ha) na superfície apresentou o mesmo rendimento que doses maiores. No solo com 63% de argila, soja teve maior rendimento com calcário incorporado; 450 kg/ha de calcário filler nas linhas proporcionou rendimento semelhante a 1 SMP (8,8 t/ha) na superfície. Trabalhos da Fundacep com soja em campo nativo: aumento de 10,2% em rendimento com 2,0 t/ha de calcário (1/3 SMP) na superfície.
FORRAGEIRAS
Estudo no CNPT envolvendo métodos de aplicação de calcário revelou que, 18 meses após a aplicação, o trevo apresentou maior produção de matéria seca com 1/4 SMP (3,0 t/ha), enquanto o cornichão teve produção máxima com 1 SMP.
Conclusão: existem pequenas respostas à aplicação de calcário em lavouras já cultivadas sob SPD há vários anos. Em campo nativo, tanto a aplicação na superfície como em linha de plantio são métodos adequados para aumento de rendimento de soja. Para trigo, calagem em superfície não produz os mesmos efeitos da soja. Os resultados devem ser considerados preliminares.
Pesquisa. Delmar Pottker (Embrapa-CNPT Passo Fundo-RS). 4 experimentos Planalto Médio RS a partir 1993. SPD vs campo nativo. Doses 1/16, 1/8, 1/4, 1 SMP, aplicação superfície vs incorporado vs filler em linhas. Cultivos sob lavoura: trigo-soja-milho. Campo nativo: soja-trigo-soja. RS tem 12-15 mi ha pastagem nativa. Solos lavoura: 1º cultivo soja respostas máximas 19,5% (38% argila) e 12% (58% argila), depois sem diferenças. SALET 1994: pH solução em PD > pH solo. Campo nativo: 1/4 SMP (2 t/ha) na superfície = doses maiores. Calcário filler 450 kg/ha em linhas = 1 SMP (8,8 t/ha) na superfície. Fundacep: +10,2% soja com 2 t/ha. Forrageiras: trevo melhor 1/4 SMP, cornichão 1 SMP. Conclusão: resultados preliminares.