LAGARTAS ATACAM LAVOURAS + GRILOS EM LAVOURAS SOB PLANTIO DIRETO
LAGARTAS ATACAM LAVOURAS
Nesta safra, as culturas de verão têm sido alvo de ataques inusitados de insetos-pragas. A soja é o melhor exemplo: sofreu ataques extemporâneos de lagarta Anticarsia gemmatalis no início do seu desenvolvimento vegetativo, com poucas folhas. Esta situação obrigou os agricultores a realizarem pulverizações de inseticidas para controlar a praga durante o mês de novembro e início de dezembro, quando o normal seria a ocorrência do surto a partir da segunda quinzena de dezembro.
De acordo com o pesquisador Sérgio Arce Gomez (Centro de Pesquisa Agropecuária do Oeste-CPAO/Embrapa, em Dourados), o produtor deve usar preferencialmente inseticidas seletivos aos inimigos naturais. Caso não faça esta opção, os inimigos naturais serão eliminados muito cedo das lavouras. Muitos agricultores foram obrigados a fazer três aplicações de inseticida.
PRAGA DE MILHO ATACA A SOJA
Outra novidade nesta safra foi o ataque da lagarta do cartucho Spodoptera frugiperda nas lavouras de soja. Normalmente, a praga prefere gramíneas (milho, trigo, aveia, arroz), mas este ano está atacando as hastes das plantas de soja em estádios iniciais, causando sua morte e reduzindo drasticamente o stand da cultura. Em alguns casos houve necessidade de replantio. As razóes: ausência de temperaturas baixas no inverno, que propiciou sobrevivência da praga nas restevas de trigo e aveia "guachos". Quando o agricultor dessecou essas plantas com herbicida, as larvas passaram a atacar a soja.
GRILOS EM LAVOURAS SOB PLANTIO DIRETO
Dirceu N. Gassen — Secretaria da Agricultura e Abastecimento do RS.
Os grilos são habitantes dos agroecossistemas que não eram considerados praga de importância em lavouras extensivas. O grilo-preto (Gryllus assimilis) é a espécie mais citada na bibliografia brasileira. Nos últimos anos tem-se observado a presença do grilo-marrom (Anurogryllus muticus) em gramados e em lavouras sob plantio direto (PD) no sul do Brasil, causando apreensão. Estudos preliminares evidenciam que este grilo cava galerias até 30 cm de profundidade. A contagem dos montículos de terra permite determinar a população e a distribuição do inseto na lavoura.
Estudos sobre o grilo Teleogryllus commodus indicam que cada inseto consome 30 a 130 mg de matéria seca por dia em pastagens. Populações de um grilo/m² podem consumir entre 0,3 a 1,3 kg de matéria seca por dia em um hectare. Os grilos causam danos mais severos em períodos de seca e temperaturas noturnas elevadas. Durante a noite, os grilos cortam as plântulas, transportando-as para dentro das galerias. Populações de um grilo/m² podem causar danos consideráveis em milho e em soja, na fase de germinação, especialmente durante períodos de seca.
O controle de grilos é considerado difícil. A aplicação de inseticidas na parte aérea das plantas resulta em controle insatisfatório. Pode-se usar iscas contendo 50 g i.a. de clorpirifós em 125 ml de óleo de girassol (bruto) misturado com 2,5 kg de farelo de sorgo/ha, ou iscas contendo 2 kg de farelo de trigo, 100 g i.a. de inseticida (triclorfom, carbaril, clorpirifós ou malatiom), 100 g de açúcar ou de melaço e 500 ml de água.
2 artigos pragas. Sérgio Arce Gomez (CPAO-Embrapa Dourados): lagarta Anticarsia gemmatalis surto extemporâneo na soja safra 95/96 (nov/dez vs normal segunda quinzena dezembro), 3 aplicações forçadas inseticida. Lagarta do cartucho Spodoptera frugiperda ataca soja (normalmente gramíneas), causa morte plantas iniciais. Recomenda inseticidas seletivos para preservar inimigos naturais. Dirceu N. Gassen (Sec.Agric.RS): grilo-preto Gryllus assimilis vs grilo-marrom Anurogryllus muticus (PD Sul Brasil, galerias 30cm). Grilo Teleogryllus commodus consome 30-130 mg matéria seca/dia. 1 grilo/m² = 0,3-1,3 kg/ha/dia. Controle difícil: iscas envenenadas (50g i.a. clorpirifós + 125ml óleo girassol + 2,5kg farelo sorgo/ha; ou 2kg farelo trigo + 100g i.a. triclorfom/carbaril/clorpirifós/malatiom + 100g açúcar/melaço + 500ml água).