EDITORIAL 1996 + CARTA DO LEITOR
Com o passar do tempo, os produtores e o complexo de assistência técnica, que fazem parte do agribusiness, precisam estar mais atentos a tudo o que diz respeito ao mundo da produção de grãos, principalmente aqui no Brasil, onde, através da história, tivemos dificuldades em estabelecer mecanismos sociais e políticos que redundassem numa forma organizada e viável de se conduzir a produção de grãos e fibras. No momento, uma rápida visão do quadro agrícola nacional mostra aspectos ainda não bem definidos de uma política agrícola governamental, mas que se poderia chamar de luz no final do túnel (mesmo que, ironicamente, possa ser um trem), e uma grande parcela de produtores, de norte a sul do país, angustiados por dívidas e incertezas, buscando soluções, muitas vezes inusitadas, como o sorteio da própria fazenda, para poder saldar os débitos.
Mas o mercado mundial e o clima não querem saber da nossa incapacidade interna. A voragem do consumo e a relação de preços evoluem do dia para a noite, sem nos perguntar se estamos de bem com o governo ou com a vida. E, acima de tudo, o clima mundial está alterado. No final da primeira quinzena de janeiro, quando, finalmente, uma boa chuva varou a noite sobre o Planalto Gaúcho, terminando uma seca de 3 meses, que afetará sensivelmente a produção do Estado, os noticiários mostram o nordeste dos Estados Unidos coberto de neve e os cientistas debatendo o porquê das contradições cada vez mais acentuadas do clima mundial. Esta edição do Jornal traz alguns indicadores para os produtores e técnicos: ao desgaste pessoal e ao gasto energético que nos faz mergulhar em questões menores, mas importantes, do dia a dia, é necessário cada vez mais estar com a cabeça erguida e ter uma noção do todo.
Gilberto Borges
CARTA DO LEITOR
"Caro amigo editor, venho, por meio desta, solicitar a renovação da assinatura do Jornal do Plantio Direto. Gostaria de cumprimentá-lo pelo sucesso dos cinco anos de excelente trabalho à frente do Jornal, na divulgação do plantio direto. Aproveito a oportunidade para deixar duas perguntas a respeito do sistema, sobre o que eu tenho dúvida: 1) A que profundidade devo extrair amostra de solo para análise química em áreas nas quais será introduzido o plantio direto? Existe variação para solo do Cerrado? 2) Qual o pH ideal para se cultivar soja e milho, no sistema plantio direto? Quando devo adicionar calcário?" — Fernando Werlang da Silveira (Porto Alegre e Tapera, RS).
Resposta de Delmar Pötker (Embrapa-CNPT, área de fertilidade do solo): Para introduzir plantio direto em áreas de preparo convencional, basta amostrar o solo na profundidade de 20 cm. Depois de vários anos de PD, ocorrem alterações na distribuição de nutrientes, com maior concentração de P e K na camada de 0-10 cm e aumento no teor de matéria orgânica nos primeiros centímetros. Seria oportuno coletar amostras em duas profundidades, de 0-10 e 10-20 cm. A faixa ideal de pH para cultivo de soja e milho é de 5,5 a 6,0. Para áreas que já receberam calcário, é pouco provável obter respostas a calcário quando a saturação de bases é maior que 60%. Nunca usar calcário em excesso (saturação > 80%).
Editorial Gilberto Borges (Editor). Quadro agrícola BR 1996: política agrícola indefinida, produtores endividados, mercado mundial volátil, clima alterado. La Niña sobre América do Sul. Carta de Fernando Werlang da Silveira (PA/Tapera-RS) com 2 perguntas técnicas: profundidade amostragem solo p/ PD (resposta Delmar Pötker CNPT: 20cm inicial, 0-10+10-20 depois) e pH ideal soja/milho (5,5-6,0; não aplicar calcário se saturação >60% bases, nunca >80%).