QUAL A ÁREA DE PLANTIO DIRETO NO BRASIL?
Todas as inquietações sócio-econômicas que a agricultura brasileira passou, e ainda está enfrentando nesta nova etapa da batalha-safra de todos os anos, e da qual os produtores e assistentes técnicos que vivenciam o plantio direto não estão excluídos, tiraram-nos a atenção sobre o quadro da evolução de preparo convencional das lavouras para plantio direto. O País é muito grande e não temos uma avaliação de todas as regiões, mas existem alguns indicadores que mostram um aumento altamente significativo do percentual de lavouras plantadas com semeadura direta, principalmente na Região Sul.
Um indicador positivo, e que dá uma ideia mais real do avanço do sistema, é o aumento da venda dos herbicidas dessecantes, usados para manejo pré-plantio. De forma contraditória, em relação à crise que envolveu o setor primário no período, a venda de defensivos aumentou nos 10 primeiros meses de 1995, segundo informou a ANDEF (Associação Nacional dos Fabricantes de Defensivos Agrícolas). O total de herbicidas vendidos aumentou 5% e os dessecantes estavam esgotados em meados de novembro.
Entre a segunda quinzena de outubro e a primeira de novembro, viajamos por regiões produtoras significativas como Tapera-Ibirubá-Cruz Alta, Passo Fundo-Erechim, no Rio Grande do Sul; Chapecó-União da Vitória, em Santa Catarina; e Pato Branco-Guarapuava-Ponta Grossa, no Paraná e, sem temor, é possível afirmar que o percentual de 20-30% que sempre citávamos para plantio direto, em relação ao total das áreas agrícolas, hoje se inverteu. Para nossa satisfação, nesses eixos citados, num período significativo de plantio, as únicas áreas lavradas e expostas de forma mais notável eram aquelas destinadas à cultura da batata, na região de Guarapuava.
Apesar disso, levando em conta o que se vê nas lavouras e o consumo de produtos específicos para plantio direto, considerando-se uma área total aproximada de 30 milhões de hectares plantados na safra de verão em todo o território nacional, com a inversão observada na Região Sul, é possível afirmar que a atual área de plantio direto está com um mínimo de 6 milhões de hectares, não se constituindo surpresa se ela beirar os 9 milhões de hectares.
O Jornal do Plantio Direto, que alcança o status de revista a partir de janeiro de 1996, saúda esse crescimento, porque ele significa a adoção de uma agricultura mais lógica, uma verdadeira questão de sobrevivência para este final de século e começo de um novo milênio, em que a sustentabilidade da exploração agropecuária é a palavra de ordem.
Gilberto Borges — Editor
Gilberto Borges (Editor). Estima 6-9 mi ha PD no Brasil baseado em consumo herbicidas dessecantes (ANDEF — venda dessecantes +5%, esgotados meados nov/95). Eixos visitados out-nov/1995: Tapera-Ibirubá-Cruz Alta, PF-Erechim no RS; Chapecó-União Vitória em SC; Pato Branco-Guarapuava-PG no PR. Inversão dos 20-30% históricos. ANUNCIA que JPD vira REVISTA a partir de janeiro de 1996.