SISTEMA PLANTIO DIRETO CONQUISTA 35% DAS TERRAS DO PLANALTO GAÚCHO
O primeiro levantamento com caráter estatístico realizado na região do Planalto acaba de confirmar o que os técnicos já haviam pressentido: o plantio direto está a um passo de se tornar a prática mais utilizada pelos agricultores da região no manejo do solo. Os dados de uma pesquisa elaborada pela Emater mostram que o sistema já está sendo utilizado em 35% da área cultivada na região. A área ocupada com o plantio direto foi de 325.029 hectares, dentro de um universo total pesquisado de 936.320 hectares plantados pelos produtores rurais no verão 94/95. A amostragem estatística abrangeu 70% do território sob a jurisdição da Gerência Regional da Emater no Planalto Gaúcho, atingindo 45 municípios.
O manejo preferido pelos agricultores continua sendo o plantio convencional, com escarificação do solo e palha semi-incorporada, que vem ocupando 44% da área total, equivalente a 407.962 hectares. Em segundo lugar está o Sistema Plantio Direto. Em terceira posição, em 20% da área, está o plantio convencional com aração ou grade e palha incorporada (191.679 hectares). Nos últimos lugares vêm a aração ou gradagem com palha queimada (9.120 hectares) e a escarificação também com palha queimada (2.530 hectares).
RAPIDEZ DOS GRANDES
Pela leitura dos sinais emitidos pelo levantamento, a predominância do sistema plantio direto até o momento está entre os médios e grandes produtores. As causas apontadas para este fato são a maior facilidade de acesso às tecnologias e assistência técnica por estes agricultores, além da sua vantagem em termos de disponibilidade de recursos. As pequenas propriedades rurais estão sendo lentas no processo, principalmente as localizadas em regiões de encostas basálticas, topografia comum na região norte do Estado.
PREVISÃO OTIMISTA
Apesar de alguns empecilhos, o coordenador do levantamento da Emater, eng. agr. Antoninho Berton, especialista na área de solos, estima que dentro de três anos um total de 80% da área da região estará coberta com o sistema plantio direto. "Todo este avanço vai ajudar a estancar o processo de degradação e erosão do solo, reduzir os custos e o tempo de trabalho dos agricultores e, principalmente, possibilitar o aumento da produtividade das lavouras."
PERDAS DE SOLO
Uma das grandes conquistas obtidas está sendo o controle da perda de solos. Pelo plantio convencional sem palha, as perdas podem chegar a 13 toneladas por hectare/ano, enquanto que no sistema direto a perda não passa de uma tonelada. Outro dado significativo é a quase extinção da queima da palha: enquanto em 1975 oitenta por cento dos agricultores tinham o hábito de queimar a palha, hoje esta prática é realizada em apenas 1% da área. O levantamento mostra que municipios como Chapada, Santa Bárbara do Sul, Ibiaçá, Tapera e Tapejara já ultrapassaram a marca dos 60% do território com o sistema.
Cobertura. 1º levantamento estatístico Emater-RS coord. Antoninho Berton (especialista solos). Ocupação PD na região Planalto: 325.029 ha de 936.320 ha pesquisado (35%). Convencional escarif.+palha semi-incorporada: 44% (407.962 ha). Convencional aração/grade+palha incorporada: 20% (191.679 ha). Aração+palha queimada: 9.120 ha. Escarificação+palha queimada: 2.530 ha. Previsão 80% em 3 anos. Perda solo convencional sem palha 13 t/ha/ano vs 1 t/ha PD. Queima palha: 80% em 1975 → 1% hoje. Municípios líderes >60% PD: Chapada, Sta. Bárbara do Sul, Ibiaçá, Tapera, Tapejara.