PROFESSOR DA UNB DIZ QUE CRISE NA AGRICULTURA É UM MAL NECESSÁRIO
As declarações mais polêmicas dadas durante o I Seminário Internacional do Plantio Direto partiram do professor da Universidade de Brasília (UnB), Luiz Vicente Gentil. Encarregado de palestrar sobre os "Aspectos Econômicos do Sistema Plantio Direto", o educador foi além e se permitiu criticar os produtores rurais e taxar a crise da agricultura como um mal necessário para o país. "O governo tem que apertar o pescoço da turma até o limite do razoável", defendeu ele em entrevistas para emissoras de rádio, televisão e jornal.
Através de uma análise particular sobre a situação econômica do Brasil e da agricultura, Gentil disse acreditar que a crise no setor agrícola é apenas passageira. "Essas dificuldades atuais são apenas transitórias. É crise de preço, de produto agrícola, de juro alto para reduzir a demanda. Mas, Ministro do Planejamento José Serra falou que vai descomprimir os créditos para oxigenar a economia. Ele vai começar a abrir as torneiras."
Para Gentil, o agricultor brasileiro precisa se conscientizar que ele deve se transformar em um verdadeiro empresário rural e encarar a sua propriedade como um "negócio". "A mensagem que eu levo ao agricultor é que ele deve virar um empresário e deixar de ser um simples tocador de fazenda. Quem não souber administrar a sua propriedade deve ir cuidar dos netos e parar de chatear", raciocinou ele.
LIVRO PLANTIO DIRETO EMPRESARIAL
O professor da UnB lançou durante o Seminário o seu livro "Plantio Direto Empresarial", uma coletânea de informações sobre aspectos econômicos, financeiros e administrativos do plantio direto envolvidos com a sobrevivência e a viabilidade econômica da propriedade rural. O livro serve como guia sintético ideal para executivos, revendedores, produtores rurais, indústrias, empresas de planejamento e técnicos.
Gentil afirma que o principal mérito do plantio direto é o alívio de custeio e investimentos gerados para o agricultor. "Ao invés do agricultor ir no banco pegar 100 reais, ele acaba pegando apenas 30 reais ou nada. O custeio gasto pelo agricultor é só para comprar peças de reposição, óleo diesel, mão de obra e serviços em geral. O resto é economia", justifica ele. Gentil acha que o plantio direto se tornou hoje uma necessidade imperativa dos produtores rurais. "O plantio direto começou como conservação do solo, continuou como moda e agora é uma necessidade imperativa. Quem não fizer plantio direto vai ter que vender a fazenda para pagar as contas."
Cobertura/entrevista. Prof. UnB Luiz Vicente Gentil palestrou Aspectos Econômicos do PD. Defende 'governo tem que apertar pescoço da turma até limite do razoável'. Ministro Planejamento José Serra anunciou descomprimir créditos. Agricultor deve virar empresário. Lançamento livro 'Plantio Direto Empresarial' (coletânea econômico-administrativa). PD começou conservação solo, depois moda, agora necessidade imperativa.