Crise pode levar produtores ao plantio direto sem critérios (Flávio Faedo, CAT Rio Verde)


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Publicado em: 31/08/1995

CRISE PODE LEVAR PRODUTORES AO PLANTIO DIRETO SEM CRITÉRIOS — FLÁVIO FAEDO

Produtores rurais estão começando a adotar o sistema de plantio direto em suas propriedades apenas como uma alternativa de sobrevivência na agricultura, devido à falta de capital para custeio, e não como um estágio de conscientização para a conservação do solo. O alerta foi emitido pelo especialista em administração rural e proprietário de 2.250 hectares de terras em Rio Verde (Goiás), Flávio Faedo, um gaúcho de Passo Fundo que se embrenhou na região do Cerrado há 14 anos. Responsável pela palestra sobre "Potencialidades do Plantio Direto no Cerrado Brasileiro", Faedo, que também é presidente do Clube Amigos da Terra de Rio Verde, fez questão de chamar a atenção dos participantes do seminário para o equívoco.

Faedo condena a adoção do plantio direto apenas como uma solução para os problemas financeiros da propriedade rural. Ele defende que a adoção da técnica deva ser resultado de um processo de compreensão dos agricultores para a necessidade de proteção e conservação do solo. "Estamos muito preocupados, pois algumas pessoas estão introduzindo o plantio direto sem os mínimos conhecimentos. É um risco muito grande para o agricultor, porque se ele não adotar a técnica certa, não passar pelas etapas necessárias, não terá êxito. Dependendo de como for feita a transformação do plantio convencional para o plantio direto, este processo poderá comprometer a terra", assusta Faedo.

PREVISÃO DE CRESCIMENTO

A previsão de grande expansão do plantio direto na região do Cerrado, uma extensão de terras planas no Centro do país que engloba o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Tocantins e parte de São Paulo. Na visão de Flávio Faedo, a safra de 95/96 irá marcar uma evolução de 20% na área plantada com grãos no Cerrado, elevando o total da fatia com plantio direto para 40% na região. No Sudeste de Goiás, zona em que Faedo planta soja e milho e safrinhas de milheto, nabo, aveia, trigo, sorgo e feijão, a estimativa dele é que o estágio atual dos 50% da área com plantio direto pule para 80% já na virada do ano.

A ETAPA DA PALHADA

Segundo Faedo, a maior dificuldade para os produtores que introduziram o plantio direto foi a formação da palhada. "Esta foi nossa maior batalha. Começamos com plantio direto no mato, mas com o tempo vimos que este processo não estava correto e procuramos alternativas. Foi nas safrinhas que conseguimos ir formando a palhada, plantando milho sobre milho." Neste ritmo, os produtores do Cerrado conseguiram formar até 15 toneladas de palha por hectare, batendo o desempenho da própria região Sul. A recomendação dos clubes Amigos da Terra em Goiás é que para a formação da palhada os produtores plantem 1/3 com milho e 2/3 com soja.

BOA PRODUTIVIDADE

Na última safra, os produtores rurais do Cerrado obtiveram produtividade média de 42 sacos (2.600 quilos) de milho por hectare. Em sua propriedade, Flávio Faedo chegou a atingir a marca dos 125 sacos de milho por hectare em algumas parcelas de terra. Na soja, o desempenho oscilou entre 52 e 68 sacos. Faedo tem 100% da área cultivada com plantio direto.

Cobertura/entrevista Flávio Faedo (gaúcho passo-fundense, 14 anos Cerrado, 2.250 ha Rio Verde-GO, presidente CAT Rio Verde, palestrante 'Potencialidades PD no Cerrado'). Cerrado teve 6 anos PD. Sudeste GO: 50% área PD hoje, projeção 80% próxima safra. Cerrado: MT+MS+GO+BA+MG+MA+PI+TO+SP. Safra 95/96 evolução 20% área grãos, PD em 40% região. Produtividade média 42 sc/ha milho. Faedo chegou 125 sc/ha milho. Soja 52-68 sc/ha. 100% área PD. Etapa palhada com safrinha (milho/milho) até 15 t/ha palha. Recomendação Clubes AT GO: 1/3 milho + 2/3 soja.