Novidades sobre plantio direto na atualidade — cobertura I Seminário


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Publicado em: 31/08/1995

NOVIDADES SOBRE PLANTIO DIRETO NA ATUALIDADE

O Seminário Internacional do Plantio Direto apresentou um desfile de novidades e pesquisas recentes e preencheu uma necessidade dos técnicos e agrônomos, principalmente da extensão rural, em se atualizar e municiar de informações técnicas abalizadas e fundamentadas cientificamente. Como o sistema plantio direto ainda é uma técnica relativamente "jovem", a carência de dados e estudos ainda é grande entre os agrônomos encarregados de orientar os agricultores. "Os agrônomos e técnicos confessaram no final do evento que puderam esclarecer buracos negros do plantio direto, conhecendo pesquisas e trabalhos inéditos sobre a técnica."

TESES

O evento trouxe um estudo com base científica sobre o comportamento e a dinâmica do fósforo no solo, apresentada pelo agrônomo João Carlos de Moraes Sá, da Fundação ABC do Paraná. Já o professor da Faculdade de Agronomia da UFSM, Afrânio Righes, deu uma grande contribuição para a polêmica sobre retirada ou não de terraços. Na opinião dele, a decisão sobre a retirada não está a cargo do produtor rural mas sim do técnico ou agrônomo encarregado de dar assistência. Esta decisão, ponderou o professor, deve estar baseada em critérios técnicos e não aleatórios.

ESTUDO CATARINENSE

Outra colaboração neste ponto sobre terraços foi dada pelo agrônomo Ildegardis Bertol, da UDESC, de Lages (SC), segundo apontou o agrônomo Gilmar Meneguetti, da Emater do município de Casca (RS). "O trabalho com diferentes espaçamentos de terraços revelou a perda dos nutrientes nitrogênio, fósforo e potássio, junto com a água que sai da lavoura. A pesquisa surpreendeu sob vários aspectos, já que demonstrou inclusive o alto índice de concentração destes elementos na água, com reflexos diretos sobre o meio ambiente", observou Gilmar.

REUNIÃO PARALELA DE PESQUISADORES

Os temas discutidos pelos pesquisadores presentes foram muito importantes e contribuirão para o desenvolvimento da pesquisa no sistema plantio direto. Além das discussões em ítens fundamentais — fertilidade do solo, manejo de doenças e microbiologia —, ficou clara a importância de que haja integração entre todos os sistemas de pesquisa. Foi importante a participação de representantes da Fundação ABC (Castro-PR) e da Cotrei (Erechim-RS), cooperativas de produtores que estabeleceram formas diferenciadas de pesquisas agronômicas, em função de suas próprias necessidades regionais.

Na área do manejo de doenças, o fitopatologista Erlei Melo Reis, diretor da Faculdade de Agronomia de Passo Fundo e um dos participantes da reunião paralela, afirmou que "em plantio direto, não podemos pensar em controlar doenças mas sim em manejá-las." Segundo Erlei, é necessário que o trabalho de pesquisa seja interdisciplinar para que se alcance resultados. Segundo José Denardin, uma das sínteses que ficaram da reunião paralela entre pesquisadores é que o plantio direto ampliou o sistema produtivo e as necessidades de pesquisa evoluíram, projetando um novo quadro que precisa ser constantemente avaliado.

Cobertura. João Carlos de Moraes Sá (Fundação ABC) - fósforo no solo. Afrânio Righes (UFSM) - retirada terraços com base em critérios técnicos. Ildegardis Bertol (UDESC Lages) - perdas N+P+K com água que sai da lavoura. Valmir Netto Wegner (Emater Seberi-RS) e Gilmar Meneguetti (Emater Casca-RS) - comentários. Reunião paralela pesquisadores: Erlei Reis (Fac. Agronomia PF), Fundação ABC, Cotrei-Erexim, José Denardin. Manejo doenças via interdisciplinaridade.