Siembra directa ainda tem longo caminho na América Latina (Victor Hugo Trucco, AAPRESID)


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Publicado em: 31/08/1995

SIEMBRA DIRECTA AINDA TEM LONGO CAMINHO NA AMÉRICA LATINA — VICTOR HUGO TRUCCO

Falando na abertura do I Seminário Internacional do Sistema Plantio Direto, o engenheiro agrônomo e produtor Victor Hugo Trucco, presidente da AAPRESID (Asociación Argentina de Productores de Siembra Directa) e também presidente da CAAPAS (Confederación de las Asociaciones Americanas Para a Agricultura Sustentable), saudou os 5 anos do Jornal do Plantio Direto e afirmou que o plantio direto ainda tem um longo caminho a percorrer para se estabilizar como sistema definitivo nas lavouras da América Latina.

PLANTIO DIRETO OCUPA 12% DAS TERRAS DOS PAÍSES DO CONE SUL

O sistema de plantio direto ainda tem muito chão para conquistar em toda a América Latina. Atualmente, esta prática moderna de conservação e proteção do solo ocupa apenas 12% das terras agricultáveis do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. O país onde o sistema está mais adiantado é o Paraguai, onde a área ocupada já chega a 20%. Trucco é grande produtor rural na região de Santa Fe, onde planta 2.000 hectares de soja e trigo. Ele elogia o desenvolvimento do sistema no Brasil, considerando o país como um verdadeiro difusor da tecnologia na América Latina, atribuindo este fato ao clima tropical e sub-tropical e à grande precipitação de chuvas, que provocam com maior regularidade o problema da erosão.

Trucco aponta como um dos maiores méritos do plantio direto o fato dele ser uma alternativa eficiente para eliminar a erosão e recuperar os solos, bem como para melhorar o rendimento das lavouras e reduzir os custos de produção. "Hoje, a agricultura não é mais insustentável para o planeta. Hoje, a agricultura é insustentável para os produtores", afirma o argentino. Com a visão de uma autoridade que conhece os problemas de toda a América Latina, Trucco diz que a crise agrícola não é uma exclusividade do Brasil: está disseminada em toda a América, inclusive nos Estados Unidos.

SISTEMA AVANÇA NO PARAGUAI

Os paraguaios Tadetoshi Ishii e Mario Koyazawa viajaram 800 quilômetros para participar do Seminário Internacional. Proprietários de terras em Porto Iguaçu, cidade fronteiriça à brasileira Foz do Iguaçu, levaram 11 horas de carro até chegar a Passo Fundo. Tadetoshi, 30 anos, e Mario, 32 anos, possuem juntos 570 hectares e vêm utilizando o sistema de plantio direto há oito safras, chegando hoje a 100% da área coberta com a prática. Embora satisfeitos com o sistema, enfrentam muitos problemas com pragas e doenças na soja. "Sofremos muito com as pragas. Não temos muito baculovírus no Paraguai e precisamos melhorar nossa informação sobre aplicação de herbicidas", confessa Tadetoshi. Em Porto Iguaçu, cerca de 90% dos produtores já adotam o plantio direto, refletindo o avançado estágio de desenvolvimento da tecnologia no Paraguai, país que lidera a corrida pela adoção do sistema entre as nações do Cone Sul.

Cobertura I Seminário. Victor Hugo Trucco (AAPRESID Argentina, presidente CAAPAS) fez palestra abertura. Saudou 5 anos JPD. PD ocupa 12% terras Cone Sul (BR+AR+CL+UY); 20% Paraguai. Produtor 2.000 ha Santa Fe. Box: paraguaios Tadetoshi Ishii e Mario Koyazawa (Porto Iguaçu) viajaram 800km, possuem 570ha em 100% PD há 8 safras.