Agregação por plantas de cobertura de solo (Dalvan Reinert, UFSM)


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Publicado em: 31/08/1995

AGREGAÇÃO POR PLANTAS DE COBERTURA DE SOLO

Dalvan Reinert — UFSM. Extraído do Informativo do Departamento de Solos da Universidade Federal de Santa Maria-RS.

A degradação de solos implica em perdas de condições favoráveis ao desenvolvimento de plantas e redução da sustentação de produção. Das consequências mais comuns temos redução de porosidade, principalmente macroporosidade, e infiltração de água e aumento da compactação e resistência do solo associados à forma da estrutura dos solos. No entanto, resistência à modificação das formas está ligada à estabilidade da estrutura ou estabilidade dos agregados de solo, que é grandemente diminuída pela degradação dos solos. A estabilidade de agregados tem associação direta com a erosão dos solos.

As plantas de coberturas de solos, espécies de inverno e verão ou plantas usadas para adubação verde afetam enormemente a estrutura dos solos e agem no sentido da recuperação e conservação da estrutura. Dois efeitos diferentes podem ser distinguidos: na melhoria da porosidade e efeitos indiretos (infiltração de água, redução da resistência do solo e do estado de compactação); e no aumento da agregação. O problema compactação, em solos de textura superficial arenosa, parece não ter grandes dimensões; ao contrário, a perda da agregação em solos arenosos é enorme e acompanhada por quantidades alarmantes de perdas de solo por erosão.

Junto ao Departamento de Solos está se desenvolvendo uma linha de pesquisa estudando efeitos da introdução de plantas de inverno para cobertura de solo na estabilidade dos agregados ou agregação, em curto espaço de tempo (um ano) e em longo espaço de tempo (três anos). A estabilidade dos agregados induzida por diferentes plantas foi medida ao longo de 250 dias, em solo Podzólico Vermelho Amarelo. O experimento foi instalado em blocos ao acaso com duas repetições. As plantas de inverno foram semeadas em julho de 1992 e o milho, em sistema de plantio direto, em novembro do mesmo ano. Os tratamentos constaram das plantas: chícharo (Lathyrus sativus L.), ervilhaca (Vicia sativa L.), tremoço (Lupinus angustifolius L.) e aveia preta (Avena strigosa Schieb).

A introdução de plantas de inverno em solo com estrutura mecanicamente destruída resultou em recuperação significativa da estabilidade estrutural, com incremento da estabilidade de 2,6 vezes para as leguminosas, e 1,6 vezes para a aveia, em relação ao solo que não recebeu plantas. A variação da estabilidade estrutural foi da ordem de 3,5 vezes o valor inicial, sendo similar à variação induzida pelas plantas. A variação temporal da estabilidade estrutural esteve associada à flutuação do tamanho de agregados, principalmente pelo aumento de agregados entre 8 e 4,76 mm formados pela união e estabilização dos agregados menores do que 1,0 mm. O fornecimento e decomposição de resíduos das plantas de inverno parece ser o fator mais associado às variações de estabilidade de agregados.

Dalvan Reinert (UFSM, extraído Informativo Depto Solos UFSM). Estudo estabilidade agregados induzida plantas inverno em solo Podzólico Vermelho Amarelo durante 250 dias. Plantas: chícharo (Lathyrus sativus), ervilhaca (Vicia sativa), tremoço (Lupinus angustifolius) e aveia preta (Avena strigosa). Plantadas julho/1992, milho PD novembro. Resultado: 2,6x estabilidade leguminosas, 1,6x aveia vs sem plantas. Variação 3,5x valor inicial. Aumento de agregados entre 8 e 4,76 mm.