Nova infestante em soja no RS — Digitaria swalleniana (Souza/Sfredo/Dornelles)


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Publicado em: 31/08/1995

NOVA INFESTANTE EM SOJA NO RIO GRANDE DO SUL — DIGITARIA SWALLENIANA

Robson Oliveira de Souza — Eng. Agr., Pesquisador da FUNDACEP-FECOTRIGO, Cruz Alta-RS. Milton César Sfredo — Eng. Agr., DETEC-COTRICRUZ, Fortaleza dos Valos-RS. Sylvio H. Bidel Dornelles — Eng. Agr., aluno do Curso de Pós-Graduação em Agronomia, UFSM, Santa Maria-RS.

INTRODUÇÃO

As plantas daninhas competem com a soja pelos fatores de crescimento, tais como água, luz, nutrientes e espaço físico, sendo que estas espécies daninhas têm um melhor aproveitamento desses fatores pois se encontram em seu estado natural (rústico) e interferem no desenvolvimento da cultura pela competição e pela liberação de substâncias químicas no ambiente (alelopatia), além de prejudicar a qualidade do grão colhido. Para melhorarmos a eficiência das recomendações de controle das plantas daninhas, é necessário um profundo conhecimento da composição florística das espécies nas áreas agricultáveis.

DADOS GEO-CLIMÁTICOS DA REGIÃO

Fortaleza dos Valos situa-se na latitude de 28° 47' 50" S e na longitude de 53° 13' 22" W, e 406 metros de altitude. O município encontra-se na região do Planalto Médio do Estado do Rio Grande do Sul. O solo é classificado como Latossolo Vermelho Escuro distrófico, textura argilosa, relevo ondulado e substrato basalto (Oxisol), pertencente à unidade de mapeamento Passo Fundo. A precipitação média anual apresenta um valor de 1730 mm, com chuvas bem distribuídas, podendo ocorrer chuva torrencial de mais de 140 mm em 24 horas.

DESCRIÇÃO BOTÂNICA DA ESPÉCIE

Origem do nome: Digitaria — Do latim "digitus" = dedo. Por causa da forma digitada com que se apresentam os racemos nas principais panículas de espécies representativas do Gênero. Swalleniana — Henrard descreveu e colocou o epíteto swalleniana em homenagem ao botânico Swallen.

Sinonímia: Trichachne sericea Swallen. Nomes vulgares: Capim-luli, digitária.

O gênero Digitaria abrange, no mundo, cerca de 300 espécies descritas. Algumas dessas espécies são muito semelhantes entre si, e as características diferenciadas não se encontram de forma constante, havendo tipos intermediários que mesmo os especialistas têm dificuldades em classificar. Tradicionalmente tem-se mencionado que Digitaria sanguinalis é a planta invasora mais frequente, mas na verdade essa planta daninha é de ocorrência bastante rara, e outras espécies têm sido erroneamente identificadas como sendo D. sanguinalis.

Digitaria swalleniana Henrard: Planta perene, rizomatosa, com rizomas estoloníferos longos, ramificados, repletos de catáfilos pilosos. Colmos glabros, eretos, de 0,5 a 1,50 m de altura, nós de 6 a 14, castaños, geralmente pilosos. Lígula membranácea, de 2-3 mm de comprimento. Panícula de 11-22 cm de comprimento, formada por racemos especiformes, unilaterais. Antecio fértil cartilaginoso, estriado, castaño quando maduro. Cariopse oblonga de 1,5-2,0 mm de comprimento.

Cresce em zonas subtropicais da América. Tem sido encontrada nas províncias do noroeste e centro da Argentina, sendo mais frequente nas províncias de Corrientes e Entre Ríos, onde é encontrada especialmente em terrenos medanosos. Descrita para o sul do Brasil. No Estado do Rio Grande do Sul, tem sido encontrada nas regiões fisiográficas da Depressão Central, Campanha, Litoral, Encosta do Sudeste e, agora, infestando áreas de cultivo de verão na região do Planalto, especialmente em Fortaleza dos Valos e Cruz Alta.

Robson Oliveira de Souza (FUNDACEP-FECOTRIGO Cruz Alta-RS), Milton César Sfredo (DETEC-COTRICRUZ Fortaleza dos Valos-RS), Sylvio H. Bidel Dornelles (aluno Pós-Graduação UFSM). Descrição botânica da espécie 'capim-luli' (Trichachne sericea Swallen). Encontrada em Fortaleza dos Valos. Etimologia, sinonímia, morfologia, distribuição. Conhecida em províncias Corrientes e Entre Ríos (Argentina); agora infestando soja Planalto RS.