Semeadoras de plantio direto — um desafio vencido pela pesquisa (Arcênio Sattler, CNPT)


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Publicado em: 31/08/1995

SEMEADORAS DE PLANTIO DIRETO — UM DESAFIO VENCIDO PELA PESQUISA

A semeadora é peça chave para o sucesso no estabelecimento de uma cultura. A dose precisa de sementes e fertilizantes e a necessidade de colocação exata destes no solo são imprescindíveis para atingir o objetivo principal, que é a alta produtividade. No sistema plantio direto, com mínimo revolvimento do solo, deve ser adotada atenção aos elementos rompedores das semeadoras. Uma das maiores dificuldades para a adoção do processo é o rompimento do solo na linha de semeadura, complicado pelo crescente aumento de restos culturais na superfície.

Nas primeiras tentativas para implementar o plantio direto no Brasil, na década de 70, a quantidade de matéria seca na superfície girava em torno de duas a três toneladas por hectare. Atualmente, esse volume ultrapassa, com facilidade, 6 t/ha, dependendo do sistema de rotação de culturas adotado. Gradualmente, no decorrer deste período, a performance das semeadoras nacionais para plantio direto foi aprimorada. Diversos modelos, formatos e combinações de elementos rompedores de solo foram testados, adaptados e desenvolvidos pela pesquisa.

O trabalho realizado pelo CNPT, nos últimos 17 anos, em cooperação com as indústrias nacionais de máquinas e implementos agrícolas, em muito contribuiu para que esse estágio de desenvolvimento fosse atingido. Os sistemas mais comumente empregados são os de discos de semeadura e adubo nas semeadoras de culturas de inverno, com espaçamento entre linhas inferior a 200 mm, e o sistema múltiplo (disco de corte, faca e disco duplo) em semeadoras de culturas de verão, com espaçamentos maiores que 300 mm.

Paralelamente, o CNPT conduziu um programa de desenvolvimento de semeadoras de pequeno porte para a instalação de parcelas experimentais sob sistema plantio direto. O resultado desse trabalho desmistificou tabus e conceitos, tais como o plantio direto só é possível de ser realizado com equipamentos especiais, robustos, pesados e sofisticados, e apenas em grandes propriedades. A difusão das tecnologias e os conhecimentos gerados desencadearam um crescente processo de adaptação ou transformação de semeadoras convencionais por agricultores e por pequenas empresas, tornando viável a adoção do sistema plantio direto na pequena propriedade motomecanizada.

A semeadora que atenda com perfeição todas as diversas situações em plantio direto ainda não existe. Porém, os esforços da pesquisa, da indústria de máquinas agrícolas e do próprio produtor fizeram com que o sistema plantio direto se tornasse uma realidade nas principais regiões produtoras do país. E, com certeza, as semeadoras não mais constituem empecilho à adoção generalizada de um sistema que tem a propriedade de conservar produtivos os solos.

Arcênio Sattler — Pesquisador da EMBRAPA-CNPT

Arcênio Sattler (CNPT). Histórico: déc.70 começou PD com 3 t/ha matéria seca, hoje ultrapassa 6 t/ha. CNPT 17 anos cooperação com indústrias nacionais. Sistemas mais comuns: discos semeadura+adubo (inverno, espaçamento <200mm), múltiplo disco-corte+faca+disco-duplo (verão, espaçamento >300mm). Indústria nacional desenvolveu modelos versáteis pequeno porte para pequena propriedade.