DIA MUNDIAL DA CONSERVAÇÃO DO SOLO — POUCO A COMEMORAR
A 15 de abril é comemorado o Dia Mundial da Conservação do Solo, que é a base de vida, juntamente com a água, de todos os seres vivos do Planeta Terra. É fundamental que estejamos atentos para essa questão mas, se formos levar em consideração o termo comemorar, na verdade, trata-se de uma ironia. Nós, brasileiros e latino americanos, não precisamos ir longe para saber o que significa perdas e degradação de solo.
Falando de forma moderada, sabemos que nosso sistema tradicional de cultivo, que implica em lavrações e gradagens, faz perder 10 toneladas de solo para cada tonelada de grãos produzida. Quando o Brasil atinge um patamar modesto de 80 milhões de toneladas de grãos colhidos, os principais órgãos de pesquisa do País informam que, em contrapartida, perdemos mais de 800 milhões de toneladas de solo, normalmente a camada mais fértil, agregada de fertilizantes, sementes e produtos químicos, com valores incalculáveis, que perdemos de forma irreversível.
Segundo dados do PNUMA, o Programa da ONU para o Meio Ambiente, nos últimos 30 anos, alguns continentes perderam quase um quarto de suas terras agrícolas. A culpa de tudo está na mecanização intensa das lavouras e no desmatamento, que avança sobre as últimas reservas do planeta numa velocidade espantosa. Nós, que lutamos pela adoção do plantio direto e de outras formas de agricultura sustentável, registramos a data, mas com certeza, ainda estamos muito distantes de ter o que comemorar.
Editorial 15 de abril. PNUMA: últimos 30 anos continentes perderam até 1/4 terras agrícolas. Brasil perde 800 milhões t solo / 80 milhões t grãos produzidos (proporção 10:1). PD e demais sistemas sustentáveis registram avanço mas ainda muito distantes de comemorar.