Deficiência de potássio em soja (Pedro Escosteguy, Fac. Agronomia UPF)


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Publicado em: 30/04/1995

DEFICIÊNCIA DE POTÁSSIO EM SOJA

Eng. Agr. Pedro Escosteguy — Prof. da Faculdade de Agronomia da Universidade de Passo Fundo — RS

Em geral, os solos do Planalto Médio do RS possuem teores adequados de potássio. Isto se deve a ação conjunta de vários fatores, destacando-se a influência do material de origem, cujo predomínio é o basalto; aos teores médios a altos de argila e à reposição deste nutriente através da adubação e da decomposição dos restos culturais (principalmente gramíneas de inverno). Assim, a deficiência de potássio não tem sido verificada de forma frequente nos latossolos da região.

Na safra 94/95, entretanto, diversas lavouras de soja, situadas em Tapejara, Coxilha, Ernestina e Passo Fundo, apresentaram sintomas visuais típicos de deficiência severa de potássio. Estes sintomas foram encontrados em partes localizadas ("manchas") da lavoura, ocorrendo em algumas plantas da linha de plantio. Os sintomas consistem na clorose (amarelecimento) das pontas e bordas das folhas mais velhas. A necrose pode prosseguir e atingir entre as nervuras. A maioria destas lavouras iniciaram há um ou dois anos no sistema de semeadura direta, apresentando uma palhada incipiente sobre a superfície do solo.

Inicialmente, foi levantada a hipótese de que a pouca quantidade de palha presente nos pontos onde haviam os sintomas poderia ser uma das causas deste problema. Da mesma forma, levantou-se a hipótese de que eventuais falhas na distribuição do adubo na linha de semeadura poderiam estar relacionadas com a deficiência de potássio. Visando contribuir para o esclarecimento das causas relacionadas com estes sintomas, foram analisados solo e tecido das plantas, coletados em uma lavoura onde ocorreu o problema.

Na profundidade de 5 a 10 cm, a concentração de potássio foi menor nos solos coletados sob plantas com sintomas (28,0 mg/L) que sob plantas sem sintomas (42,3 mg/L). A baixa concentração de potássio no solo foi a causa dos sintomas observados. Os quadros também mostram diferenças de potássio entre as folhas de soja: 0,59% no tecido das plantas sem sintomas, contra 0,16% nas plantas com sintomas. Esta diferença comprova que a menor absorção de potássio pelas plantas foi a causa dos sintomas.

A baixa absorção de potássio possivelmente esteja relacionada com o manejo da adubação adotado na lavoura. Como ainda é muito frequente na região, a adubação foi feita "a olho", não baseada em análise de solo. Foram aplicados 200 kg/ha de uma formulação contendo 18% de K&sub2;O, ou seja, 36 kg/ha de K&sub2;O, o que é inferior à quantidade necessária para repor o potássio exportado pelos grãos colhidos na safra anterior (43 kg/ha de K&sub2;O). Além do déficit de potássio decorrente da baixa reposição pela adubação, deve ser destacado o cultivo de gramíneas no inverno (aveia e azevém) sob pastoreio bovino. Estas culturas, utilizadas para alimentação animal, têm parte significativa do potássio absorvido pelas plantas retirada do sistema pelos animais.

Outro fator que contribuiu para a ocorrência dos vários casos de deficiência severa de potássio foi a estiagem de dezembro. Em condições de estiagem prolongada no estágio vegetativo, verifica-se uma menor absorção de potássio pelas plantas da soja. Com o término da estiagem e com a diminuição da taxa de absorção diária de potássio, a partir dos 60 dias após o plantio, houve o desaparecimento dos sintomas mencionados. A ausência dos sintomas visuais, entretanto, não significa que a produtividade da soja não será afetada. Como se sabe, o potássio é o segundo nutriente mais exigido por esta cultura, sendo absorvido em maior quantidade somente que o nitrogênio.

Eng. Agr. Pedro Escosteguy (Prof. Fac. Agronomia UPF). Safra 94/95 lavouras Tapejara/Coxilha/Ernestina/Passo Fundo apresentaram deficiência severa K. Análises: K disponível 28 mg/L (5-10cm) plantas com sintomas vs 42,3 mg/L sem sintomas. Tecido foliar: 0,16% vs 0,59%. Adubação 200 kg/ha 18% K2O = 36 kg K2O/ha (vs 43 necessários para exportação safra anterior). Causa: pouca palha + adubação 'a olho' + estiagem dez/94 (competição cálcio:potássio + magnésio:potássio).