OCORRÊNCIA E MANEJO DE PRAGAS NO PLANTIO DIRETO
Rodolfo Bianco — Eng. Agr. Dr. Pesquisador, IAPAR Londrina-PR. Trabalho apresentado no II Encontro de Produtores em Siembra Directa do Paraguai, Colonias Unidas, setembro/1994.
INTRODUÇÃO
O sistema de plantio direto tem sido considerado como a melhor prática conservacionista do solo nos Estados Unidos; no entanto, tem favorecido o desenvolvimento de pragas, o que passou a ser a desvantagem número um desse sistema de cultivo (Musick, 1970). Por outro lado, no sistema de cultivo convencional, a prática de aração e gradagem teria, também, o intuito de eliminar ou minimizar os problemas causados por certas pragas que passam pelo menos uma fase de seu ciclo biológico no solo ou na superfície deste.
Se, por outro lado, a não movimentação do solo pode favorecer o desenvolvimento e a sobrevivência de algumas pragas, por outro lado propicia um meio ambiente vantajoso para a persistência de fungos, bactérias e vírus entomógenos. Considerando que a incidência de pragas é um processo dinâmico e, como tal, sujeito a acomodações e adaptações por parte destas, espera-se para os próximos anos variações significativas nas populações das pragas. Estas modificações serão particularmente observáveis nas regiões ou microbacias onde o sistema de plantio direto tornar-se predominante.
PRAGAS NA CULTURA DO TRIGO
Dentre as pragas de importância econômica que podem ocorrer na cultura do trigo, apenas a lagarta elasmo, Elasmopalpus lignosellus (Zeller, 1848) e os pulgões da folha, Metopolophium dirhodum (Walk, 1848) e da espiga, Sitobion avenae (Fabr. 1794), têm sido as mais constantes. A infestação da lagarta elasmo, bem como a dos pulgões, tem sido significativamente menor no sistema de plantio direto. Em condições de seca, o plantio direto, por conservar melhor a umidade do solo, estaria desfavorecendo a sobrevivência da lagarta. Quanto aos pulgões, a tonalidade amarela monocromática refletida pela cobertura morta no plantio direto não favoreceu sua colonização.
PRAGAS NA CULTURA DA SOJA
Os níveis de incidência da lagarta da soja, Anticarsia gemmatalis (Huebner 1818); da lagarta falsa-medideira, Pseudoplusia includens (Walk, 1857), foram semelhantes nos dois sistemas de plantio, demonstrando que o sistema de plantio direto não alterou a sobrevivência dessas lagartas. Tripes (Caliotrips phaseoli, Frankliniella rodeos, F. schulizei), percevejos (Nezara viridula, Piezodorus guildini, Euschistus heros) e lagarta enroladeira (Hedilepta indicata) têm mostrado níveis de incidência superiores no plantio direto.
Chama-se a atenção para a ocorrência de uma nova praga, tida anteriormente como secundária, o curculionídeo Sternechus subsignatus Boheman, 1836, comumente conhecido pelos sojicultores por "tamanduá da soja". Essa praga tem ocorrido com maior intensidade nas regiões onde o plantio direto ocupa grandes áreas. Tanto a fase de larva como a fase de adulto causam danos às plantas. É importante salientar o aumento de populações do escarabaeídeo Phyllophaga cuybana nas regiões de Campo Mourão e Cascavel. Também, em condições de muito material vegetal e alta umidade, têm surgido problemas de artrópodos exóticos (centopéias) e de moluscos (lesmas) no norte do Paraná.
PRAGAS NA CULTURA DO MILHO
As principais pragas que ocorrem na cultura do milho, independente do sistema de plantio, são: lagarta elasmo, Elasmopalpus lignosellus; lagarta do cartucho, Spodoptera frugiperda; e lagarta da espiga, Helicoverpa zea. A lagarta elasmo tem provocado menores danos no milho submetido ao plantio direto. Com respeito à lagarta do cartucho, maior porcentagem de plantas atacadas foi encontrada no PD, mas os danos causados são mais sérios no plantio convencional, particularmente em períodos de estiagem.
Segundo Pavei et al. (1985), uma nova praga de solo foi observada na região de Castro-PR, atacando a cultura do milho. Trata-se do curculionídeo Listronotus bonariensis (Kuschpel, 1955), que ocorre em grandes populações, causando redução de "stand" de até 25%. A explicação encontrada para o fato foi o plantio do milho em sucessão ao azevém, tido como hospedeiro primário do inseto. Outra praga, pouco conhecida, Astylus sp., foi encontrada causando prejuízos na implantação da cultura do milho. Por se tratar de uma larva de coleoptero, que apresenta inúmeras cerdas recobrindo seu corpo, foi denominada vulgarmente de "larva angorá". Ultimamente têm aumentado os problemas com pragas de hábitos subterrâneos, como larvas da diabrotica e de diferentes espécies de escarabeídeos.
Rodolfo Bianco (Pesquisador IAPAR Londrina-PR). Trabalho apresentado II Encontro Produtores Siembra Directa Paraguai/Colonias Unidas set/1994. Cobre p12+p13. Pragas trigo (lagarta elasmo Elasmopalpus lignosellus, pulgões Metopolophium dirhodum e Sitobion avenae — todas menores incidências em PD). Soja: tripes (Caliotrips phaseoli, Frankliniella rodeos, F. schulizei), percevejos (Nezara viridula, Piezodorus guildini, Euschistus heros — maior incidência em PD), lagarta enroladeira (Hedilepta indicata). Sternechus subsignatus 'tamandu' da soja' em PD. Phyllophaga cuybana Campo Mourão/Cascavel; centopéias/lesmas Norte PR. Milho: lagarta elasmo (menor PD), Spodoptera frugiperda (maior PD% mas menos severo), Helicoverpa zea, Listronotus bonariensis (Castro-PR sucessão azevém), Astylus sp 'larva angorá'.