Perdas na colheita — É hora de garantir maiores lucros colhendo corretamente (José Antonio Portella, CNPT-Embrapa)


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Publicado em: 30/04/1995

PERDAS NA COLHEITA — É HORA DE GARANTIR MAIORES LUCROS COLHENDO CORRETAMENTE

A colheita de grãos é a etapa do processo de produção que gera a maior expectativa no produtor, em função de tornar real todo o esforço e o investimento ao longo da safra. Muito embora esta expectativa esteja presente na colheita de grãos, é nesta etapa que podem ocorrer perdas expressivas.

A preocupação com os alarmantes índices de perdas na colheita não é recente. Estudos foram realizados, ações governamentais já foram implementadas, mas, no entanto, nenhum segmento levou adiante o trabalho de, uma vez detectado o problema, resolvê-lo com o desenvolvimento de novas tecnologias. Segundo dados da Comissão Técnica para Redução de Perdas na Agropecuária (Ministério da Agricultura, 1993), o índice médio de perdas, por problemas mecânicos tais como regulagens incorretas, uso inadequado, velocidade excessiva, colheita fora de condições, chega a 10% nas culturas de soja e arroz, 15% em milho e 5% em trigo.

O desenvolvimento de metodologias para regulagens de colhedoras, assim como a adoção de novos mecanismos, que potencializem o desempenho da máquina, são alguns dos meios para minimizar as perdas para níveis tecnológicos e economicamente viáveis. No ano passado, o Centro Nacional de Pesquisa de Trigo — CNPT-Embrapa, engajado ao processo de evitar perdas na colheita de grãos, realizou um diagnóstico de perdas mecânicas na colheita de trigo. Utilizando-se uma colhedora MF-3640, procedeu-se ao levantamento em uma lavoura de trigo (BR-23). Foram verificadas as perdas de pré-colheita, de plataforma e de trilha e separação, em duas umidades de grão por ocasião da colheita (18,1% e 26,4%).

Em média, as perdas de pré-colheita foram insignificantes (0,36%), bem como as de plataforma (1,92%). No entanto, as perdas de trilha e separação chegaram a 5,58%, que é considerado elevado para trigo. Buscando resposta para este nível de perdas, verificou-se que a umidade do grão era o fator que alterava o índice de perda. Colhendo na época errada, com grãos úmidos (26,4%), a perda total foi de 8,4%. Com os grãos mais secos (18%), a perda caiu para 5,3%, ou seja, uma redução de 51% nas perdas totais.

Finalizando, cuidados devem ser tomados em relação à colheita na umidade correta, regulagens adequadas (usem o manual de operações para realizar regulagens mais apropriadas), velocidade normal (3 a 6 km/h) e uso do picador de palha em condições. Lembrem-se: o plantio direto começa na colheita da cultura anterior. Distribuição desuniforme da palha causa problemas no plantio da cultura subsequente.

José Antonio Portella — CNPT-Embrapa

José Antonio Portella (CNPT-Embrapa). Comissão Téc. Redução Perdas (MA 1993): perdas médias 10% soja/arroz, 15% milho, 5% trigo. Diagnóstico CNPT 1994 com colhedora MF-3640 em BR-23: pré-colheita 0,36%, plataforma 1,92%, trilha/separação 5,58%. Umidade 26,4% perda total 8,4% vs 18,1% perda 5,3% (redução 51%). Recomendações: umidade correta, regulagens, velocidade 3-6 km/h, picador palha.