METAS REALIZA SEMINÁRIO PARA A REGIÃO SUL DO RIO GRANDE
O I Seminário Regional de Plantio Direto da Zona Sul do RS, realizado nos dias 8 e 9 de março em Arroio Grande, reuniu cerca de 450 participantes de 19 municípios da região sul do Estado. As empresas que fazem parte do Programa Metas investiram desde 1993 700 mil reais entre pesquisa e difusão do sistema plantio direto. Somente na Zona Sul, ele abrange 17 municípios, sendo que 42 profissionais já foram treinados pelo programa.
Durante o evento, os palestrantes discutiram a importância da rotação de culturas e a integração lavoura-pecuária. José Denardin, técnico da Embrapa, motivou os participantes sobre a adoção do sistema. Afirmou ser um sistema agrícola produtivo e rentável que traz nova percepção do que é fertilidade do solo. Segundo ele, o plantio direto reduz a degradação do solo, potencializa a redução do uso de insumos, recicla a matéria orgânica e nutrientes, potencializa a diversidade agropecuária, promove o equilíbrio biológico, permite adaptações regionais, é técnico e economicamente viável e estabiliza a produtividade.
Algenor Gomes, do CPACT-Embrapa de Pelotas, salientou que com o sistema plantio direto, principalmente da cultura de arroz, há bom controle de invasoras, viabilidade de planejar a época de plantio, a irrigação e a relação custo/benefício, pois otimiza o uso de máquinas e mão-de-obra. Entre as vantagens indiretas, ele citou a integração lavoura-pecuária, com melhoria na qualidade das pastagens e maior produção de carne/hectare.
Os produtores Rubimar Leitzke da Cia. Agrícola Extremo Sul (Pelotas, Jaguarão e Arroio Grande) e Valter Pótter (Estância Guatambu, de Dom Pedrito) confirmaram o relato dos técnicos. "Com plantio direto mudou a visão da propriedade agrícola com a análise do custo/benefício. O custeio da produção diminui consideravelmente com a adoção do sistema", afirmou Leitzke. Hoje quase cem por cento da área (mais de 11 mil hectares) de duas propriedades da Cia. Agrícola Extremo Sul utilizam o plantio direto ou cultivo mínimo com sucesso.
No item integração lavoura-pecuária, a Fazenda Guatambu é exemplo positivo. Entre as tecnologias utilizadas para a alta produtividade alcançada no último ano (180 kg de carne/ha — a média do Estado é de 50 kg carne/ha), Valter Potter destacou a presença do plantio direto em sua propriedade em cem por cento da área de pastagens (restevas de arroz, soja e sorgo). Há a rotação de culturas, a sobressemeadura nas restevas, o plantio consorciado e a produção de sementes finas (forrageiras).
No último dia do evento os participantes tiveram a oportunidade de visitar a Fazenda Progresso, propriedade do produtor Antônio Borges, em Arroio Grande. "O sistema plantio direto apresenta uma nova forma de exploração agropecuária, de maneira racional e econômica, preocupando-se com o meio ambiente", afirmou o engenheiro agrônomo da Monsanto, Carlos Henrique Dalmazzo, um dos coordenadores do seminário. Até agora somente 30% da área cultivada com arroz irrigado utiliza plantio direto ou cultivo mínimo.
Cobertura I Seminário Regional PD Zona Sul RS, Arroio Grande, 8-9/mar/1995, ~450 participantes 19 municípios. Programa Metas investiu R$700 mil desde 93 em pesquisa+difusão; 42 profissionais treinados. José Denardin (CNPT-Embrapa), Algenor Gomes (CPACT-Embrapa Pelotas). Rubimar Leitzke (Cia. Agrícola Extremo Sul — Pelotas/Jaguarão/Arroio Grande +11.000 ha PD), Valter Pótter (Estância Guatambu Dom Pedrito — 180 kg carne/ha vs média RS 50 kg). Carlos Henrique Dalmazzo (Monsanto coord). Visita Fazenda Progresso (Antônio Borges Arroio Grande). Apenas 30% arroz irrigado RS sob PD.