II Encontro Regional de Plantio Direto no Cerrado define perspectivas (Brasília 16-18/mar/1995)


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Publicado em: 30/04/1995

ENCONTRO DE BRASÍLIA DEFINE PERSPECTIVAS DO PLANTIO DIRETO

"Os testemunhos apresentados neste Encontro vão viabilizar o avanço do Programa de Plantio Direto na Palha na maior e mais espetacular reserva de solo disponível para a agricultura neste Planeta, que é o Cerrado Brasileiro." A afirmação foi de Manoel Henrique Pereira, presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, por ocasião da abertura do II Encontro Regional de Plantio Direto no Cerrado, realizado em Brasília, nos dias 16 a 18 de março. Mais de 500 participantes lotaram um dos auditórios do Centro de Convenções, em Brasília, para ouvir depoimentos de pesquisadores do CPAC e de outras entidades, que trabalham com o sistema, na região Centro Oeste do País.

Nos dois últimos dias, produtores e técnicos visitaram uma área da Coopa/DF, a 65 km da Capital Federal, na Estrada para Unaí-MG, onde foi instalado um campo demonstrativo, e plantadas parcelas de culturas de cobertura, sementes de milho e soja, controle de ervas e outros ítens. Eram 25 ha de lavoura, especialmente plantada para a ocasião e que foram prejudicadas pela seca que ocorreu na região. Mesmo assim, cerca de 1.000 pessoas compareceram ao campo demonstrativo, com mais de 30 empresas instaladas em standes e demonstrações dinâmicas de máquinas e implementos.

"Sem o plantio direto não haveria a possibilidade de mantermos uma agricultura sustentável no Cerrado, principalmente em função da erosão, tanto hídrica como eólica", disse Ricardo Merola, engenheiro mecânico, produtor de sementes e presidente da Associação de Plantio Direto do Cerrado (APDC), que foi reeleito para o cargo em assembléia da entidade durante o Encontro. Para Merola, não existem grandes entraves para o desenvolvimento do sistema na Região: "O que acontece é que a agricultura está muito descapitalizada e, em função disso, os produtores que ainda fazem preparo convencional querem entrar rapidamente no plantio direto. Isso é um erro sério, porque o processo de aprendizado é lento e a troca de estrutura, principalmente de máquinas, também implica em disponibilidade de recursos financeiros." Numa de suas fazendas, em Santa Helena-GO, Merola possui 1.600 ha de lavouras com semeadura direta, sendo 700 ha irrigados.

Uma grande parcela da área de soja do Cerrado, com um nível de precipitação intenso, teve as variedades suscetíveis bastante atacadas pelo cancro da haste. Regiões como Rio Verde, em Goiás, estão tendo perdas de 30% na cultura. "A principal arma para combater o cancro e outras doenças é a rotação de culturas", afirmou o pesquisador Maurício Conrado Meyer, fitopatologista do Centro Nacional de Pesquisas de Soja, que trabalha no campo experimental de Balsas, no Maranhão. Segundo Meyer, existe grande quantidade de linhagens de soja resistentes ao cancro em desenvolvimento.

FERNANDO CARDOSO HOMENAGEADO

Fernando Penteado Cardoso, do Conselho Diretor da Manah, foi homenageado por ser um "Grande Amigo do Cerrado". A entrega de uma placa de homenagem aconteceu no primeiro dia do Encontro. Num rápido discurso de agradecimento, Cardoso ressaltou as potencialidades do Cerrado e disse que será provável que as demais nações do mundo venham a negociar com o Brasil a produção de alimentos. Finalizou afirmando que o governo deveria investir mais no plantio direto, principalmente em termos de pesquisa, pois o sistema está trazendo inúmeros benefícios ao País.

Cobertura II Encontro PD Cerrado, Brasília 16-18/mar/1995. +500 participantes, ~1.000 dia campo COOPA/DF 25ha (prejudicado seca). Manoel Henrique Pereira (FBPDP) abertura. Ricardo Merola (APDC reeleito; 1.600 ha PD Santa Helena-GO sendo 700 ha irrigados). Maurício Conrado Meyer (fitopatologista CNPSoja Balsas-MA) — cancro da haste perdas 30% Rio Verde-GO; rotação culturas como arma. Fernando Penteado Cardoso (Manah) homenageado 'Grande Amigo do Cerrado'. +30 empresas no campo demonstrativo.