Sustentabilidade na agricultura passa pela semeadura direta (Paulo F. Bertagnolli, CNPT-Embrapa)


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Publicado em: 30/04/1995

SUSTENTABILIDADE NA AGRICULTURA PASSA PELA SEMEADURA DIRETA

Muitas vezes ouvimos falar que a agricultura atualmente deve ser sustentável, mas ficamos sem entender o que quer dizer esta palavra, nova em nosso vocabulário. A sustentabilidade agrícola é obtida com sistemas de culturas, utilizados pelos agricultores, nos quais são máximos os rendimentos, os lucros e a preservação do meio ambiente.

Nos dias de hoje, a sustentabilidade passa pelas práticas de semeadura direta na palha, de cultivo de duas culturas por ano em sucessão e de rotação de culturas de inverno (trigo, cevada, aveias branca e preta e leguminosas de inverno, entre outras) e de verão (soja, milho, sorgo, forrageira etc.). Esse conjunto de práticas agrícolas estanca a erosão e permite a reestruturação do solo, aumentando o teor de matéria orgânica e o nível de fertilidade.

A erosão, no Rio Grande do Sul, no sistema de plantio convencional, está estimada em perdas de 20 toneladas/hectare/ano. Considerando que a camada superficial de solo é removida, o agricultor está tendo altas perdas em adubos. A erosão, além de ocasionar perdas de nutrientes e de matéria orgânica, também desestrutura o solo, impedindo o desenvolvimento radicular das plantas, a infiltração de água de chuvas e a conservação da umidade do solo.

Com duas culturas por ano, o solo fica coberto com vegetação praticamente por todo o período, impedindo que a gota da chuva, grande responsável pela erosão, atinja-o diretamente. A semeadura direta, ao longo dos anos, permite o acúmulo de palha na superfície do solo, controlando a erosão.

O aumento de palha na superfície do solo pode aumentar as fontes de inóculo de patógenos que causam doenças, assim como a quantidade de insetos pragas. Para controlar pragas e doenças, no sistema plantio direto, o agricultor é obrigado a usar a rotação de culturas, semeando soja, no máximo, dois anos consecutivos na mesma área. O agricultor que praticar essas recomendações tenderá a ter sucesso em sua atividade. Ao contrário, aquele que não se preocupar em acompanhar a evolução técnica da lavoura, tenderá a aumentar suas dificuldades financeiras, além de continuar a poluir cada vez mais o ambiente e a destruir os recursos naturais.

Paulo F. Bertagnolli — Pesquisador do CNPT-Embrapa

Paulo F. Bertagnolli (Pesquisador CNPT-Embrapa). Erosão RS plantio convencional: 20 t/ha/ano. Recomenda 2 culturas/ano + rotação inverno (trigo/cevada/aveias/leguminosas) e verão (soja/milho/sorgo/forrageiras). Sucesso para soja: máximo 2 anos consecutivos mesma área.